'Carro que segue tendências nunca será um ícone', diz renomado designer Chip Foose
Apresentador do programa Overhaulin’, norte-americano esteve no Brasil na última terça (2)
Carros|Luiz Betti, do R7

Com o mercado automotivo cada vez mais saturado de novos carros, é comum ver lançamentos que lembram outros veículos ou que sigam a mesma linguagem visual da concorrência. Contudo, para o norte-americano Chip Foose, ícone mundial no design de carros, seguir tendências pode prejudicar o estilo do carro.
— Eu fujo das tendências e busco sempre criar um design próprio, de qualidade. Com isso, o desenho do carro demora mais para envelhecer e continuará atraente daqui a dez anos, por exemplo.
Apresentador do programa de customização de carros Overhaulin' (Discovery, 22h20 e 23h10), Foose começou a trabalhar com carros na infância, quando fez seus primeiros esboços e reparos automotivos na oficina do pai.
Em passagem pelo Brasil para divulgar os novos produtos da marca 3M, que utiliza em seus projetos, o norte-americano afirmou achar positiva a retomada na produção de modelos icônicos do passado, uma vez que eles se "aproximam da memória afetiva do cliente".
— Modelos como Porsche 911 e Chevrolet Corvette têm um desenho que os acompanha com os anos. Há pessoas que falam em moda retrô, mas eu vejo por uma ótica emocional. O novo Mustang, por exemplo, é um carro diferente dos anos 60, mas preserva alguns traços daquela época.
Sobre o programa Overhaulin', Foose diz que gostaria de torná-lo global, com uma temporada na qual cada episódio fosse rodado em um país diferente, mas o orçamento atual não permite esse projeto. Questionado sobre o veículo mais marcante que já restaurou, ele é taxativo.
— Não são os carros o mais importante, mas sim as pessoas cujos carros eu restaurei.
Diante de uma plateia de estudantes do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), em São Paulo, Foose abordou ainda as dificuldades enfrentadas pelos jovens daqui que buscam seguir as carreiras de designer ou restaurador automotivo.
— O problema é que os trabalhos manuais saíram da grade escolar. As crianças pensam em ser o dono do carro, e não em construí-lo. Apesar disso, eu estou impressionado com a criatividade brasileira em reparação automotiva (veja alguns dos carros restaurados na galeria de fotos acima). Se você não tem equipamentos, aprende a fazer com as próprias mãos. E foi isso que eu observei no Brasil.
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