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Lotus chega ao Brasil com carros de R$ 1 milhão, mas conseguirá conquistar o consumidor de luxo?

Marca inglesa aposta em tradição, elétricos de até 918 cv e exclusividade, mas operação independente da Geely e concorrência de Porsche, Ferrari e McLaren são desafios

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Evento de apresentação da Lotus em São Paulo Lotus/Divulgação

A Lotus finalmente chegou ao Brasil com planos ambiciosos, carros que custam perto ou acima de R$ 1 milhão e uma promessa clara: não disputar volume, mas exclusividade.

A tradicional fabricante inglesa, hoje controlada pela chinesa Geely, aposta no peso de seus quase 80 anos de história para conquistar um dos públicos mais difíceis do mercado brasileiro: o consumidor de automóveis esportivos e de luxo.


Evento de apresentação da Lotus em São Paulo Lotus/Divulgação

A Lotus fez um evento com a imprensa automotiva, no qual dividiu parte de sua estratégia para o Brasil. A estratégia parece fazer sentido no papel.

A Lotus estreia com três modelos bastante diferentes entre si: terá esportivo a combustão com câmbio manual, sedã elétrico de 918 cv, SUV elétrico de alto desempenho e já prepara até um híbrido plug-in para 2027.


Emira tenta resgatar a Lotus tradicional

O modelo que melhor representa aquilo que o público historicamente espera da Lotus é justamente o Emira. É o único automóvel da gama brasileira que ainda utiliza exclusivamente motor a combustão e será oferecido em duas configurações.

Evento de apresentação da Lotus em São Paulo Lotus/Divulgação

O Emira Turbo SE utiliza o motor 2.0 turbo fornecido pela Mercedes-AMG. São 406 cv e 48,9 kgfm de torque, associados a uma transmissão automática. A aceleração de zero a 100 km/h leva cerca de quatro segundos e a velocidade máxima chega a 291 km/h.


Seu preço será de R$ 1,23 milhão

É provavelmente o produto com maior apelo histórico dentro da estreia brasileira. Motor central, dois lugares, baixo peso e possibilidade de câmbio manual remetem diretamente à filosofia que transformou a Lotus em referência entre esportivos.

Lotus Emeya: dois motores elétricos com 918cv contra o Porsche Taycan Lotus/Divulgação

Emeya quer enfrentar o Porsche Taycan

Se o Emira representa o passado da Lotus, o Emeya mostra o caminho que a Geely escolheu para o futuro da fabricante.


O grande sedã elétrico abandona a histórica obsessão da Lotus por automóveis pequenos e leves para entrar diretamente no segmento de modelos elétricos de luxo e alto desempenho.

Lotus Emeya: dois motores elétricos com 918cv contra o Porsche Taycan Lotus/Divulgação

São dois motores elétricos, tração integral e uma incomum transmissão de duas velocidades. O conjunto entrega 918 cv e 100,4 kgfm de torque.

Lotus Emeya: dois motores elétricos com 918cv contra o Porsche Taycan Lotus/Divulgação

O resultado é digno de superesportivo: zero a 100 km/h em apenas 2,7 segundos e velocidade máxima de 256 km/h. É uma proposta completamente diferente dos antigos Elise e Exige e mostra a transformação da Lotus em uma fabricante de luxo. No Brasil, o Emeya 900 custará R$ 975 mil.

Lotus Emira: a combustão para resgatar tradição da marca inglesa que faz parte do grupo chinês Geely Lotus/Divulgação

Seu principal adversário é bastante evidente: o Porsche Taycan. E é justamente nesse confronto que aparece um dos maiores desafios da nova Lotus.

Eletre leva a Lotus para os SUVs

O Eletre aprofunda ainda mais essa transformação. Primeiro SUV da história da Lotus, ele mede expressivos 5,10 metros de comprimento, 2,23 metros de largura, 1,63 metro de altura e possui 3,01 metros de distância entre-eixos.

Lotus Emira: a combustão para resgatar tradição da marca inglesa que faz parte do grupo chinês Geely Lotus/Divulgação

A versão 600 Sport SE desenvolve 612 cv e 72,4 kgfm de torque. Já o Eletre 900 Carbon utiliza o conjunto mais potente, com 918 cv e 100,4 kgfm. São números impressionantes, mas que também expõem uma mudança radical de posicionamento.

Híbrido plug-in vem em 2027

A estratégia não ficará restrita aos elétricos. A LTS Brasil confirmou a intenção de trazer em 2027 o Eletre X, versão híbrida plug-in do SUV. O conjunto combina um motor 2.0 turbo a gasolina com dois motores elétricos e entrega 952 cv.

Lotus Emira: a combustão para resgatar tradição da marca inglesa que faz parte do grupo chinês Geely Lotus/Divulgação

A autonomia total estimada chega a 1.200 km, enquanto a bateria permite percorrer até 350 km utilizando apenas eletricidade, considerando o ciclo de homologação chinês.

A chegada dessa configuração pode ser particularmente importante para o Brasil. Apesar do avanço dos elétricos, um híbrido plug-in de elevada autonomia elimina boa parte da preocupação com infraestrutura de recarga em viagens e pode encontrar maior aceitação entre consumidores que não querem depender exclusivamente de bateria.

Lotus Eletre: SUV com motor elétrico para atender a demanda atual para esse tipo de produto Lotus/Divulgação

A barreira deste PHEV estará dentro de casa, pois a Lynk&Co, que compartilha a mesma mecânica do Eletre X, estará por aqui em 2027. E pode atrapalhar os planos da própria Lotus.

Exclusividade será a principal aposta

A Lotus sabe que dificilmente terá escala para enfrentar as marcas premium tradicionais e, curiosamente, não pretende fazer isso.

Lotus Eletre: SUV com motor elétrico para atender a demanda atual para esse tipo de produto Lotus/Divulgação

A meta anunciada pela LTS Brasil é comercializar entre 100 e 150 automóveis por ano. É um volume pequeno, até mesmo dentro do mercado de luxo, e será utilizado como argumento de exclusividade.

Segundo a empresa, as aproximadamente 30 primeiras unidades importadas já foram comercializadas.

Lotus Eletre: SUV com motor elétrico para atender a demanda atual para esse tipo de produto Lotus/Divulgação

A marca mantém uma operação temporária desde junho e prevê inaugurar em outubro sua primeira concessionária permanente em São Paulo, na Avenida Gabriel Monteiro da Silva, endereço cercado por alguns dos bairros de maior renda da capital.

Também haverá um showroom no Boa Vista Village, em Porto Feliz, enquanto uma loja conceito está planejada para o Complexo Shopping Cidade Jardim no segundo semestre de 2027. Curitiba, Belo Horizonte, Balneário Camboriú, Rio de Janeiro e Brasília também estão no radar para futuras operações.

Tradição será suficiente?

Poucas fabricantes possuem um currículo tão relevante na história do automobilismo. Fundada por Colin Chapman em 1952, a Lotus conquistou sete títulos de construtores e seis campeonatos de pilotos na Fórmula 1 e ajudou a desenvolver conceitos técnicos que posteriormente seriam adotados por toda a indústria.

Nomes como Jim Clark, Graham Hill, Emerson Fittipaldi, Mario Andretti e Ayrton Senna fazem parte dessa história.

Lotus é da Geely, mas operação brasileira é independente

A fabricante inglesa pertence ao Grupo Geely desde 2017, quando o conglomerado chinês adquiriu o controle da empresa que estava.

Após sucessivas crises financeiras, a empresa de Colin Chapman, que havia deixado de atuar diretamente como equipe de Fórmula 1 nos anos 1990, teve um último golpe quando o nome sumiu da equipe da Renault no fim de 2015.

A mesma Geely mantém hoje uma operação oficial própria no mercado brasileiro e também controla ou participa de outras fabricantes internacionais, como Volvo e Zeekr, mas não atuará diretamente na Lotus em sua incursão no mercado nacional.

Sua representação é responsabilidade da LTS Brasil, empresa controlada pelo Grupo Bamaq, conglomerado que possui experiência no setor automotivo e administra concessionárias de marcas como GWM, Porsche e Mercedes-Benz.

Na prática, portanto, embora Lotus e Geely façam parte do mesmo grupo global, suas operações brasileiras seguem caminhos distintos.

É uma diferença importante porque a Geely vem construindo uma estrutura própria no país, enquanto a Lotus dependerá da LTS para desenvolver rede, experiência de compra, pós-venda e relacionamento com seus clientes.

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