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De mortais a seguros: carros brasileiros avançam nos crash tests e se aproximam do padrão do 1º mundo

Obrigatoriedade de air bags e ABS ajudou modelos nacionais a melhorarem resultados

Carros|Diogo de Oliveira, do R7

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Volkswagen Up foi o primeiro popular a obter cinco estrelas
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Lifan 320 (sem air bags) zerou teste de colisão do Latin NCAP
Lifan 320 (sem air bags) zerou teste de colisão do Latin NCAP

Você compraria um carro que recebeu nota zero em um crash test? A pergunta pode parecer óbvia, mas, historicamente, o consumidor brasileiro nunca priorizou a segurança nos veículos. Aspectos como beleza, economia de combustível e preço sempre se sobrepuseram. Contudo, essa percepção está mudando.

A obrigatoriedade de air bags e ABS para os freios deixou os modelos nacionais mais seguros em 2014. E o aumento da concorrência em todos os segmentos impactou no refinamento dos produtos. Tal resultado pode ser visto nos testes de colisão mais recentes do Latin NCAP. A última bateria (5ª fase) mostra que a segurança subiu de nível.


Em 2010, a organização que realiza crash tests com veículos vendidos na América Latina estreou com uma bateria de arrepiar — no mau sentido (veja a galeria). Fiat Palio e Peugeot 207 bombaram literalmente, obtendo apenas uma estrela em cinco possíveis. Por sorte, desde 2012, a indústria automobilística brasileira vem se revitalizando.

Vários modelos avaliados nas primeiras fases do Latin NCAP já saíram de linha. E os novatos que os substituíram chegaram em plataformas globais, mais rígidas e estáveis, e equipados com tecnologias antes inexistentes entre compactos, como ESP (controle de estabilidade) e o assistente de saída em ladeiras, que mantém os freios acionados por alguns segundos para o carro não descer.


— Os fabricantes já não conseguem mais ter carros melhores lá fora e não aqui, porque o mundo é globalizado, e o consumidor local sabe qual é o melhor veículo. Os NCAPs estão em vários países, justamente para melhorar a segurança dos veículos em cada região. E o Brasil tem se saído muito bem nesse sentido.

As palavras são de Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste — Associação de Consumidores. O órgão é parceiro do Latin NCAP e vem expandindo sua atuação. Em novembro, realizou uma bateria de testes com cadeirinhas infantis e concluiu que a maioria dos modelos à venda no Brasil tem proteção fraca ou ruim.


R7 Carros recebeu a coordenadora da Proteste para um bate-papo exclusivo sobre os crash tests do Latin NCAP. Satisfeita com a evolução dos modelos nacionais, Maria Inês Dolci acredita na conscientização natural dos brasileiros, mas ressalta a importância da percepção sobre o real valor da segurança nos carros.

— Se o consumidor não tem dinheiro para comprar um carro mais seguro, talvez seja melhor esperar mais um pouco. É importante ter a consciência de que ter um veículo mais seguro pode salvar vidas ou mesmo minimizar lesões em caso de acidentes mais graves — lesões que, às vezes, podem durar para o resto da vida.


GALERIA

Confira todos os modelos à venda no Brasil que foram testados pelo Latin NCAP entre 2010 e 2014

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