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Durigan critica PEC que dá autonomia ao BC por criar “novo Poder da República”

Em audiência na Câmara, ministro da Fazenda alerta para riscos de distorções fiscais da proposta, aprovada na CCJ do Senado

Economia|Da Agência Brasil

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a PEC que concede autonomia financeira ao Banco Central, alertando para riscos de distorções fiscais.
  • A proposta foi aprovada na CCJ do Senado e será votada no plenário, estabelecendo autonomia administrativa e orçamentária ao BC.
  • Economistas e o governo temem perda de receitas para o Tesouro e coação do BC pelo setor financeiro, além de altos juros.
  • A PEC é defendida pelo Banco Central e bancos privados, mas enfrenta críticas por fragilizar a fiscalização e o controle social.

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Para Durigan, a autonomia não pode livrar medidas do Banco Central da auditoria da CGU Lula Marques/Agência Brasil - 17.06.2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta quarta-feira (17) a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que concede autonomia financeira e orçamentária ao BC (Banco Central). A medida foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado na semana passada.

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, o ministro argumentou que não se pode, a pretexto de fortalecer o Banco Central, criar “uma série de distorções” na contabilidade da autoridade monetária do Brasil, assim como no processo de auditoria do BC.


“É preciso fortalecer, sim, a instituição do Banco Central, assim como outras agências, sem que a gente tenha uma espécie de novo Poder da República, que pode mandar projeto de lei que não se submete à auditoria da Controladoria-Geral da União”, declarou o ministro ao responder a perguntas de parlamentares.

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A PEC 65 de 2023, que será votada no plenário do Senado, estabelece autonomia administrativa, contábil, orçamentária, financeira, operacional e patrimonial ao BC, “com ausência de vinculação a Ministério ou a qualquer órgão ou sistema da Administração Pública e de tutela ou subordinação hierárquica”.


As mudanças previstas no texto preocupam Durigan. “Até, inclusive, para a proteção do Banco Central, que acho que tem que estar bastante dentro das regras do jogo”, ressaltou o ministro.

A proposta permite que a autarquia retenha, no seu orçamento, receita própria criada pela senhoriagem — recursos obtidos com a emissão de moeda. Atualmente, o BC tem seu orçamento definido pela LOA (Lei Orçamentária Anual), e esses recursos são transferidos para o Tesouro Nacional.


A receita obtida com essa operação foi de R$ 23,3 bilhões ao ano, entre 2017 e 2025, enquanto o orçamento do BC foi de R$ 4,8 bilhões ao ano, no mesmo período. O governo teme que a PEC traga ainda perda de receitas para o Tesouro.

Cooptação do BC

Economistas brasileiros publicaram um manifesto contra a PEC, alegando que o texto facilita a cooptação do BC pelo setor financeiro — que é fiscalizado e regulado pela autoridade monetária —, além de favorecer a manutenção dos altos juros no Brasil.


“A PEC cria independência seletiva: afasta o BC do controle democrático do Estado [Congresso, Tribunal de Contas da União, Executivo], mas o mantém estruturalmente poroso às influências do mercado financeiro. Perdem-se os freios dos poderes constituídos e os canais de acesso do setor privado continuam abertos”, diz o manifesto.

O documento sustenta que a PEC fragiliza a fiscalização, o controle social e a responsabilização do Banco Central, aumenta a dívida pública e pode criar um modelo único no mundo que reúne autonomia financeira e operacional da autoridade monetária.

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Limite de recursos

Em 2021, foi aprovada e sancionada a lei que concedeu ao BC autonomia administrativa e operacional em relação ao governo, mas a instituição segue dependente do Orçamento da União para as atividades que desempenha.

A PEC 65 amplia a autonomia ao permitir que a autoridade monetária retenha receita própria criada com a emissão de moedas. A proposta é defendida pela diretoria do Banco Central, liderada pelo presidente Gabriel Galípolo. Ele argumenta que a instituição está nos limites dos recursos para cumprir a missão de fiscalizar e regular o sistema financeiro.

O texto também é defendido pelos bancos privados, setor que o BC tem a obrigação de regular e fiscalizar. A AABB (Associação Brasileira de Bancos) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) têm se manifestado favoravelmente à proposta.

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