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Candidatos à Presidência apontam viés eleitoral em MP que acaba com as bets no Brasil

Presidente Lula assinou medida provisória que proíbe plataformas de aposta no país a 9 dias do 1° turno

2026|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Presidente Lula assinou medida provisória proibindo plataformas de apostas no Brasil, poucos dias antes do primeiro turno das eleições.
  • Candidatos à Presidência, como Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Renan Santos, criticaram a ação, chamando-a de "eleitoreira" e "estelionato".
  • Flávio Bolsonaro acusou Lula de priorizar arrecadação ao regulamentar o setor e prometeu proibir cassinos online se eleito.
  • Renan Santos acredita que a medida provisória não será aprovada pelo Congresso e defende uma discussão pós-eleição sobre o fim das apostas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

MP do fim das bets gera repercussão entre candidatos à Presidência Ricardo Stuckert/Flickr Lula - 25.09.26; Reprodução/Instagram @flaviobolsonaro - 25.09.2026; Divulgação/Campanha Augusto Cury - 25.09.2026; Reprodução/Campanha Renan Santos - 26.09.2026

Após o presidente Lula (PT) anunciar um pacote de medidas com o objetivo de acabar com as bets no Brasil, os demais candidatos à Presidência criticaram a ação do governante a 9 dias do primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) já vieram a público para criticar o timing da decisão e chamaram o anúncio de “eleitoreiro” e “estelionato”.

Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) ainda não se pronunciaram oficialmente.

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Na noite desta sexta-feira (25), Lula assinou uma medida provisória, com efeito imediato, que proíbe totalmente a atividade das plataformas de aposta no país e estabelece um prazo para que os apostadores possam retirar o dinheiro que ainda possuem nas plataformas.

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O presidente ainda vai enviar um projeto de lei ao Congresso, que vai criar punições mais duras para quem continuar explorando as apostas depois da proibição.

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Flávio Bolsonaro chama medida de ‘estelionato’

Ainda ontem, o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo nas redes sociais, no qual chama a medida do presidente de “estelionato”. “Trata-se de mais um estelionato que o governo Lula quer fazer antes da eleição. Faltando só nove dias para a eleição, ele anuncia que vai acabar com as bets”, afirma o candidato.

O senador diz ainda que Lula age de forma “oportunista” ao apresentar uma solução para um problema que, segundo ele, o próprio governo criou. “Ele é um oportunista. Isso é o governo do PT. Ferra com a vida das pessoas e agora, na véspera da eleição, vem com politicagem”, defende ele no vídeo.

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O candidato do PL também acusou o presidente de ter priorizado a arrecadação ao regulamentar o setor. “O Lula, quando autorizou as bets a funcionar, tomou a decisão de ferrar com a vida das pessoas para arrecadar R$ 20 bilhões”, disse.

A regulamentação das apostas de quota fixa foi estabelecida pela Lei nº 14.790, sancionada por Lula em dezembro de 2023. A legislação autorizou a exploração de apostas de quota fixa, incluindo eventos esportivos e jogos online, mediante autorização do Ministério da Fazenda.

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Flávio também questionou a duração da medida anunciada pelo governo e afirmou que, caso uma eventual MP perca a validade após as eleições, as bets poderiam voltar a operar. “Depois das eleições, se a MP caducar, as bets podem voltar com força total”, declarou.

Flávio voltou a prometer, caso seja eleito, a proibição de cassinos online e plataformas como o Tigrinho. “Nos meus quatro anos como presidente do Brasil, não vai ter cassino online, nem Tigrinho”, disse.

Augusto Cury compara com aumento do Bolsa Família

O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, comentou a decisão do presidente Lula em agenda de campanha realizada em Salvador (BA) nesta sexta. Ele chamou a ação de “eleitoreira” e comparou a iniciativa ao aumento de 15% no Bolsa Família.

Cury questionou o momento da decisão e disse que medidas desse tipo vêm sendo adotadas na reta final da campanha. “O que o Lula fez no momento, em cima da eleição, é uma pauta eleitoreira, está errado”, afirmou o candidato. “Assim como ele deu 15% para as famílias que têm o Bolsa Família. Por que é que ele não deu esse aumento de 15% lá atrás, em janeiro ou fevereiro? Por que dar a 17 dias da eleição e agora nós estamos a 9 dias?”, questionou.

Ao tratar das apostas eletrônicas, Cury defendeu que, caso não haja consenso para proibição completa, as bets sejam submetidas a uma tributação mais alta. “Nós temos que colocar impostos muito maiores do que temos cobrado”, afirmou.

Segundo o candidato, a cobrança deveria chegar a 50% ou 60%, em linha com a taxação aplicada a produtos que considera nocivos. “Eles deveriam cobrar pelo menos 50% a 60%, encarando-as no nível de penalização como os cigarros, que também têm uma taxação alta”, disse.

Cury também voltou a associar as apostas à dependência psicológica e afirmou que o setor pode produzir efeitos semelhantes aos de outras atividades de recompensa rápida. “As bets geram uma explosão e uma rapidez de uma intensidade cruel, levando as pessoas a ficarem dependentes”, declarou.

Renan Santos aposta em MP caducando

Em pronunciamento feito neste sábado (26), Renan Santos (Missão) foi outro a classificar a medida do governo como “eleitoreira”. O candidato aposta que a medida provisória, que tem até 120 dias para ser aprovada pelo Congresso para virar lei, vai caducar e perder o efeito.

“Lula entra com esse MP, ela vai caducar, porque o Congresso é todo comprado pelas bets, e volta tudo normal. É só uma medida eleitoreira do Lula para fingir que se preocupa com os brasileiros que estão se endividando e ficando viciados em bet”, afirma o candidato em um vídeo publicado nas redes sociais.

Para Renan, o candidato à reeleição tenta ganhar prestígio e apoio entre o eleitorado feminino, que tem sofrido com o endividamento causado pelas apostas eletrônicas. O presidenciável ainda diz no vídeo que é favorável ao fim das bets, mas que isso deve acontecer após as eleições, discutindo com a sociedade e pensando em tratar o vício das pessoas.

“Eu sou favorável a proibir as bets no Brasil, por uma razão muito simples. Não é que eu seja autoritário nem nada, mas o brasileiro não está pronto para a cultura de bet. As pessoas não estão prontas, especialmente as mais humildes, para exercerem sua liberdade com controle”, defende Renan.

Governo diz que apostas são problema para renda e saúde

Ao anunciar a medida, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo tomou a decisão após analisar os dados do setor e concluir que as apostas passaram a representar um problema para a renda das famílias e para a saúde pública.

Durigan lembrou que as apostas foram autorizadas por lei em 2018, durante o governo Michel Temer. Segundo ele, a legislação estabeleceu inicialmente um prazo de dois anos para a regulamentação da atividade, posteriormente prorrogado, mas as regras não foram implementadas durante o governo Jair Bolsonaro.

A regulamentação avançou a partir de 2023, quando o governo Lula encaminhou mudanças ao Congresso e foram aprovadas novas regras para o setor. Segundo Durigan, a regulamentação permitiu ao poder público reunir informações mais detalhadas sobre o funcionamento das plataformas e os efeitos das apostas sobre a população.

Com acesso aos dados do setor, o governo também passou a identificar apostadores em situação de vulnerabilidade e a desenvolver ações na área da saúde. “Nós estamos com um problema de saúde pública por causa das bets. É um problema grave”, disse.

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