Chapa de Lula aciona PF após site prometer criptomoedas por conteúdos pró-Flávio Bolsonaro
A manifestação ocorre após divulgação de vídeo em perfil africano com crianças dançando jingle da campanha
2026|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
A coligação de apoio à reeleição do presidente Lula (PT), denominada “Brasil Pronto Pra Mais”— formada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), PSB, PDT e Federação PSOL/Rede—, acionou nesta quinta-feira (8) o Polícia Federal para denunciar o envolvimento da campanha de Flávio Bolsonaro na criação site “Brasil 22 Token” (B22) e da criptomoeda “Brasil 22 Token” (B22). O projeto prometia prêmios em ativos digitais a usuários que publicassem conteúdos incentivando o voto no número 22.
De acordo com a representação, os ativos estariam atrelados à publicação de um vídeo pelo perfil internacional HypersKids Africa, que conta com 12,9 milhões de seguidores no Instagram. A conta, famosa por postar vídeos de um grupo de crianças ugandenses dançando, divulgou uma coreografia com o jingle do candidato do PL, enquanto os participantes exibiam camisetas e acessórios alusivos à campanha.
Conforme a peça apresentada à PF, indivíduos ligados à articulação estariam utilizando uma estrutura organizada de distribuição de prêmios e incentivos financeiros para impulsionar a propaganda eleitoral. Além de recompensar postagens em redes sociais como X, Instagram e TikTok, a operação movimentou cerca de R$ 1 milhão em 24 horas e utilizou infraestrutura digital com registros ocultados no exterior.
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Diante dos fatos, a coligação solicitou a instauração de inquérito policial para apurar crimes eleitorais, a preservação cautelar de registros digitais junto a plataformas como Meta, X, Telegram e Binance (corretora de criptomoedas), e a formulação de pedidos de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos. Além disso, foi requerida a comunicação aos órgãos de proteção à criança e ao adolescente, devido ao uso da imagem de menores em propaganda eleitoral remunerada.
Representação no TSE
A chapa do presidente Lula também ajuizou uma representação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal, Nahuel Medina e Kewin Flores, todos apontados pela coligação como envolvidos na suposta engrenagem de propaganda irregular.
Segundo o documento, o site do projeto a valorização das criptomoedas em caso de vitória do candidato do PL. Além da suspensão imediata da página, a coligação pede o encerramento da distribuição dos tokens, a remoção de publicações nas redes sociais, a preservação de registros digitais junto a plataformas como a Meta e a Binance, e a aplicação de multa aos responsáveis.
Investigação no MPE
Paralelamente à representação, os partidos enviaram ao MPE (Ministério Público Eleitoral) uma Notícia de Fato, solicitando que a Procuradoria-Geral Eleitoral apure a conduta sob a ótica criminal. A peça aponta a possível infração ao artigo 334 do Código Eleitoral, que pune o uso de organização comercial ou de distribuição de prêmios para propaganda e aliciamento de eleitores. Com base nisso, a chapa pediu que o órgão investigue a ocorrência de crimes e irregularidades na distribuição dos ativos virtuais.
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