Fim das cotas e homeschooling: veja o que propõem os presidenciáveis para a educação
Programas incluem metas para aprendizagem, ensino técnico e mudanças na gestão das universidades
2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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A educação é uma das frentes apresentadas nos principais programas de governo dos candidatos à Presidência da República em 2026. Lula (PT), Ronaldo Caiado (União), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) apresentam propostas para a educação que variam do combate à evasão escolar à reformulação completa do ensino superior no país.
A seguir, saiba os principais pontos de cada plano de governo.
Lula
O programa do petista trata a educação como instrumento de redução das desigualdades e de desenvolvimento nacional. A educação básica aparece como prioridade, com a continuidade de políticas de alfabetização e ampliação do ensino em tempo integral.
A candidatura estabelece como meta chegar a 80% das crianças alfabetizadas na idade certa. O programa também prevê ações para combater o analfabetismo entre adultos e recompor a aprendizagem de estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.
Na educação infantil, a proposta é retomar e concluir cerca de 5.967 obras de creches, escolas e quadras que estão paralisadas. Para o ensino integral, a candidatura planeja apoiar estados e municípios na construção de escolas e ampliar a oferta com financiamento integrado ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).
Lula propõe manter e fortalecer o Pé-de-Meia, programa que oferece incentivos financeiros a estudantes de baixa renda para estimular a permanência e a conclusão dos estudos.
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Lula também defende universalizar a interação entre escolas e ampliar o acesso a ferramentas digitais. No ensino técnico, a proposta é continuar a expansão dos Institutos Federais, com a implantação de 111 novos institutos e campi em 106 municípios.
No ensino superior, a proposta é iniciar um novo ciclo de expansão e interiorização das universidades públicas, além de ampliar a assistência estudantil, manter o ProUni, renegociar dívidas do Fies e reajustar bolsas de pesquisa.
Flávio Bolsonaro
No programa de Flávio, o candidato defende que a alfabetização adote o método fônico, sistema de alfabetização que ensina a relação entre os fonemas (os sons da fala) e os grafemas (as letras escritas).
Outra proposta é o Programa Acolher, pelo qual estudantes com bom desempenho poderiam receber remuneração para oferecer reforço escolar a colegas com dificuldades.
O programa também prevê vouchers educacionais para que famílias possam matricular os filhos na rede privada quando não houver vagas disponíveis na rede pública. A mesma lógica seria aplicada às creches, por meio de um voucher específico.
O plano também defende a expansão das escolas cívico-militares e uma educação que, segundo a proposta, seja livre de doutrinação político-partidária. A gestão das escolas seria orientada por metas de aprendizagem e indicadores de desempenho, com possibilidade de vincular recursos ao cumprimento dos objetivos.
O programa prevê internet, computadores, tablets e robótica nas escolas, além de conteúdos relacionados à economia digital, empreendedorismo e IA (inteligência artificial).
No ensino técnico, a proposta é ampliar parcerias com empresas e indústrias para oferecer formação profissional aos alunos do ensino médio.
No ensino superior, uma das principais mudanças é retirar as universidades federais da estrutura do Ministério da Educação e transferi-las para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. A proposta pretende aproximar a pesquisa universitária do setor produtivo e priorizar investimentos em inovação e transferência de tecnologia.
Para o financiamento estudantil, o programa propõe substituir o modelo tradicional do Fies por um empréstimo condicionado à renda, com pagamento iniciado apenas quando o estudante estiver empregado.
Ronaldo Caiado
O programa de Ronaldo Caiado prevê um pacto nacional para garantir que os estudantes dominem leitura, escrita e matemática até o fim do segundo ano do ensino fundamental. Também há uma proposta de ampliar o acesso à educação infantil, com prioridade para regiões de menor oferta e famílias vulneráveis.
Para o ensino médio, Caiado propõe mudanças no Enem para que a prova avalie competências essenciais ao final da etapa.
O ensino técnico seria ampliado por meio de parcerias com redes estaduais, Sistema S, Institutos Federais e empresas. A proposta é relacionar a formação às características econômicas de cada região.
Na formação docente, o programa prevê elevar o padrão das licenciaturas, ampliar a prática supervisionada e restringir cursos de educação a distância considerados de baixa qualidade. Também propõe bolsas para estudantes que optarem pela carreira docente e programas de mentoria para professores iniciantes.
A tecnologia também aparece como ferramenta de acompanhamento pedagógico com internet de qualidade, dispositivos e plataformas interoperáveis, além do uso de IA.
Caiado também propõe uma política nacional de prevenção da violência nas escolas, com protocolos para ameaças, mediação de conflitos, combate ao bullying e canais de proteção digital.
Romeu Zema
Romeu Zema segue o plano de Flávio Bolsonaro e propõe que o Ministério da Educação passe a concentrar-se na educação básica e na formação de professores, enquanto o ensino superior seria transferido para a área de Ciência e Tecnologia.
Na educação infantil, a proposta é ampliar creches e pré-escolas, inclusive por meio de parcerias com entidades privadas e comunitárias.
Para a alfabetização, o programa prevê uma estratégia nacional para garantir o aprendizado na idade certa e a ampliação das avaliações. A Base Nacional Comum Curricular também seria modernizada, com maior ênfase em alfabetização, raciocínio lógico, ciências e competências digitais.
No ensino médio, Zema defende a ampliação da educação técnica em parceria com o setor produtivo e o Sistema S. O programa também prevê alterar critérios do Pé-de-Meia, vinculando parte dos incentivos ao desempenho e à frequência dos estudantes.
A candidatura defende ainda maior diversidade de modelos educacionais, com ampliação de parcerias com escolas conveniadas, escolas cívico-militares e regulamentação do homeschooling.
Para estudantes com deficiência e TEA, o programa prevê planos educacionais individualizados e a possibilidade de matrícula em escolas especializadas.
No ensino superior, Zema propõe alterar o processo de escolha de reitores das universidades e institutos federais, substituindo a eleição interna direta por um processo de seleção técnica com participação de conselhos externos.
Renan Santos
O programa que propõe mais mudanças é o de Renan Santos. As propostas estão organizadas em torno da alfabetização, da ordem no ambiente escolar e de uma reformulação do ensino superior.
Na educação básica, o candidato defende a aplicação nacional de práticas inspiradas no modelo educacional do Ceará e a adoção do método fônico para alfabetização.
Outra proposta é acabar gradualmente com a progressão continuada, sob o argumento de evitar que estudantes avancem de ano sem dominar os conteúdos considerados essenciais. O programa também prevê maior concentração do currículo em língua portuguesa e matemática.
Renan propõe a criação de um código nacional de conduta com punições definidas para comportamentos inadequados.
O programa prevê ainda um ranking nacional de disciplina das escolas, que poderia ser utilizado para definir parte dos repasses federais. Escolas com melhores indicadores de disciplina seriam beneficiadas com mais recursos.
Em áreas com altos índices de criminalidade ou indisciplina, a candidatura propõe a adoção temporária do modelo de escolas cívico-militares.
Para o ensino superior, o programa defende uma maior orientação das universidades para as necessidades de desenvolvimento econômico. A proposta prevê concentrar recursos em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática e criar centros de pesquisa voltados a tecnologias relacionadas, entre outros setores, às terras raras.
Outra mudança é acabar com as cotas e substituí-las por um sistema de bolsas baseado exclusivamente em mérito.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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