Haddad defende agência antifacção e parceria com a União para combater o crime organizado em São Paulo
Em entrevista exclusiva à RECORD, o candidato do PT pediu cooperação entre os órgãos estaduais e federais
2026|Do R7
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Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo do Estado de São Paulo, defendeu, em entrevista à RECORD nesta segunda-feira (21), a criação de uma agência antifacção para combater o avanço do crime organizado em SP. Haddad afirmou que essa agência seria presidida pelo governador e teria participação das polícias, do Ministério Público de São Paulo, da Polícia Federal, da Receita Federal e também do Ministério Público Federal.
De acordo com o candidato do PT, se não houver cooperação de órgãos federais, o enfrentamento às facções criminosas não vai avançar. Haddad lembrou a Operação Carbono Oculto e disse que é preciso trocar dados entre os órgãos estaduais e federais.
“Se nós não fizermos uma cooperação federativa, do jeito que o SUS funciona, nós não vamos avançar contra o crime organizado. O governador de São Paulo precisa comandar as polícias, precisa liderar o processo. Se não, vamos ficar enxugando gelo e não vamos desbaratar o crime organizado no estado de São Paulo”, disse.
Para combater o furto e roubo de celulares, Haddad afirmou que pretende investir em tecnologia, com uso de inteligência artificial, para que o boletim de ocorrência possa ser feito em tempo real, por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.
Segundo o candidato, com o B.O. sendo realizado de maneira mais ágil, é possível organizar melhor o patrulhamento da Polícia Militar nas ruas. Haddad também defendeu a valorização salarial dos profissionais que trabalham na segurança pública e destacou que irá aumentar o salário dos delegados da Polícia Civil.
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Sabesp
Fernando Haddad afirmou que foi contra a privatização da Sabesp e que, caso seja eleito, vai rever o contrato com a empresa que assumiu o serviço de saneamento básico no estado de São Paulo. O candidato reconheceu que é difícil reestatizar a Sabesp, mas que irá analisar o contrato assinado pela atual gestão.
O candidato disse que o serviço piorou e a conta de água aumentou após a privatização e que pode entrar na Justiça caso a empresa não cumpra o contrato. Segundo Haddad, se for possível reestatizar a Sabesp, isso deverá ser feito sem pagar indenização à empresa que assumiu a companhia.
“O serviço piorou, tanto o abastecimento diminuiu, se tem menos água na torneira e, quando ela vem, nem sempre ela vem pura. Ela vem com muitas impurezas hoje. Não sou eu que estou dizendo, é o Procon. O Procon identifica a Sabesp hoje como o maior problema do estado”, afirmou Haddad.
Primeiros atos como governador
Questionado sobre qual seria o primeiro ato caso seja eleito governador, Haddad afirma que pretende rever contratos assinados pela atual gestão, assim como fez quando se tornou ministro da Fazenda. Haddad destacou os contratos da Sabesp, dos pedágios Free Flow e da privatização da CPTM.
Segundo o candidato do Partido dos Trabalhadores, a revisão dos contratos será necessária, pois Tarcísio de Freitas (Republicanos) está “deixando o estado sem caixa”. Haddad disse que o atual governador recebeu um caixa com R$ 20 bilhões, mas hoje só há R$ 5 bilhões.
Fernando Haddad afirmou que será preciso recuperar o caixa do estado para promover a valorização do serviço público e disse que professores e policiais estão com salários defasados.
Metrô e CPTM
Fernando Haddad disse na entrevista que não irá privatizar as linhas do Metrô, pois esse modelo não está dando certo para o usuário. O candidato afirmou que quer acelerar o cronograma de obras e que a atual gestão teve que adiar a entrega de algumas estações.
“São essas coisas que estão acontecendo em São Paulo. É adiamento atrás de adiamento. Nós temos que, antes de pensar em vender, porque agora só se fala em vender tudo para iniciativa privada, a gente não está vendo o interesse do usuário. O estado de São Paulo, sob o meu comando, vai colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado”, disse Haddad.
Propostas para a saúde pública
O candidato afirmou que pretende criar uma central de compras para os hospitais do estado comprarem insumos. Segundo Haddad, é possível reduzir os custos de insumos entre 30% e 40%, o que poderia significar uma economia de mais de R$ 1 bilhão para as Santas Casas do estado. Fernando Haddad afirmou que hospitais municipais também poderão aderir a essa central de compras.
De acordo com o candidato, ao reduzir custos, será possível dar agilidade na fila para cirurgias. “O problema hoje na saúde é de gestão. O sistema de regulação não funciona. Nós vamos fazer hospitais-dia para desafogar os hospitais gerais. As pessoas fazem as cirurgias ambulatoriais e se recuperam em casa, evitando o risco de infecção hospitalar, e faz a fila inteligente, faz a fila andar”, acrescentou.
Haddad disse que a espera para realizar uma cirurgia em São Paulo é de 11 meses, o que coloca o estado abaixo da média nacional em produtividade.
Dívida com a União
Questionado sobre a dívida do estado com a União, Haddad disse que, como ministro da Fazenda, reduziu o serviço da dívida de 4% para 2% ao ano, que significou para São Paulo uma economia anual de R$ 12 bilhões.
Segundo o candidato, será necessário rever contratos com a iniciativa privada para melhorar as contas do estado.
“Nós fizemos a renegociação, mas, infelizmente, ela não será suficiente para recuperar as finanças do Estado. Eu vou ter que rever contratos nos primeiros 6 meses do ano que vem. Contrato, sobretudo de custeio. O que vai render economia para o estado são os contratos com iniciativa privada de custeio. Eu vou ter que cortar despesa supérflua para recompor as contas do Estado”, disse Haddad.
Educação
Fernando Haddad afirmou que o maior problema na educação estadual está no ensino médio. Segundo o candidato, São Paulo está em décimo lugar em qualidade do ensino médio público e é necessário preparar os jovens para o ciclo de industrialização que haverá no país com a reforma tributária que entrará em vigor em janeiro.
O candidato disse que quer usar o modelo pedagógico do Instituto Federal, que foi criado por ele quando era ministro da Educação, e trazer para a Fundação Paula Souza.
Pedágios
Haddad disse que pretende rever os contratos de concessão de rodovias no estado. Segundo ele, conceder rodovias para a iniciativa privada é um “bom modelo, mas não a qualquer custo”. De acordo com o candidato, o setor privado precisa do pedágio para duplicar e manter as rodovias, mas o “ônus para os usuários das rodovias paulistas está ficando caro demais.”
O candidato do PT reconheceu que o Free Flow é uma tecnologia útil, mas é necessário retirar as praças de pedágio das estradas.
Seguro para o agronegócio
Questionado sobre as propostas para o agro e a identificação do setor com os partidos de direita, Haddad afirmou que os produtores conhecem seu trabalho como ministro da Fazenda. Segundo o candidato, o Governo Federal fez quatro Planos Safra, o que resultou no recorde de produção e exportação.
Haddad disse que, caso seja eleito, vai criar um seguro para os produtores por conta das mudanças climáticas, para que as pessoas não tenham dúvida de continuar plantando os alimentos.
O candidato do PT também prometeu expandir as áreas de cultivo de alimentos e melhorar a qualidade das estradas vicinais. “Antigamente se davam máquinas e equipamentos para os prefeitos fazerem esse trabalho. Essa doação não é mais feita pelo governo do estado e eu quero retomar”, disse Haddad.
Construção de presídios
Fernando Haddad afirmou que pretende concluir as obras dos dois presídios que estão em construção no estado de São Paulo e que irá retomar o investimento para acabar com a superlotação.
Segundo o candidato, os presídios de São Paulo não possuem equipamentos modernos que impeçam o uso de celular dentro das celas. Haddad também disse que quer valorizar a Polícia Penal e que fará parceria com a União para que os presídios federais possam receber a cúpula do crime organizado.
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