No 2º turno, Lula terá aumento do Bolsa Família; Flávio buscará votos da terceira via
Petista tenta reverter vantagem do adversário com benefícios sociais e novas alianças; candidato do PL mira apoio de partidos e eleitores de centro e direita
2026|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) iniciam nesta segunda-feira (5) uma nova disputa pelo Palácio do Planalto, desta vez com estratégias para conquistar os eleitores que deram votos aos concorrentes derrotados, se abstiveram ou escolheram apertar nulo ou branco nas urnas no primeiro turno.
Enquanto Lula terá durante a campanha o início do pagamento do Bolsa Família reajustado e buscará novas alianças, Flávio tentará consolidar a vantagem obtida nas urnas atraindo partidos e eleitores que votaram nos demais candidatos.
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Flávio terminou o primeiro turno na frente, com cerca de 56,1 milhões de votos, ou 47% dos válidos. Lula recebeu aproximadamente 53,8 milhões, pouco mais de 45%. A diferença ficou em torno de 2,3 milhões de votos. Como nenhum deles alcançou mais da metade dos votos válidos, os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.
O resultado coloca Lula diante da necessidade de buscar votos além da base que o levou ao segundo turno e, ao mesmo tempo, aumentar o comparecimento de eleitores que tendem a apoiá-lo.
Na campanha, aliados já defendem uma ofensiva sobre os eleitores que não foram às urnas no domingo, diante da avaliação de que parte significativa dos votos dados a candidatos de direita terá maior dificuldade de migrar para o petista.
Uma das principais apostas do presidente será a agenda social. O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado pelo governo em setembro, começa a ser pago em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno.
O piso do programa passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777, fazendo com que parte dos beneficiários já receba o novo valor antes de voltar às urnas.
A medida tem aprovação de 64% dos eleitores, segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada.
O governo afirma que o reajuste recompõe a inflação acumulada desde março de 2023. Esta é a primeira atualização dos valores desde a retomada do atual formato do programa e terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões neste ano.
Novas alianças
Outra frente da campanha de Lula será a busca por apoios entre os partidos que ficaram fora do segundo turno. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou, ainda durante a apuração dos votos, que esse deverá ser um dos primeiros movimentos da campanha.
“Segundo turno é uma outra eleição, a gente sabe disso. A forma de abordagem do eleitor é diferente, porque também é uma eleição de um voto só”, afirmou. Segundo ela, “o primeiro movimento tem que ser de novas alianças” e haverá “uma outra configuração dos palanques”.
O desafio é que boa parte dos votos disponíveis à direita foi dada a candidatos que fizeram oposição ao governo durante a campanha. Romeu Zema (Novo) já afirmou que ficará contra o PT no segundo turno, embora não tenha declarado imediatamente apoio formal a Flávio.
O PSD, partido de Ronaldo Caiado, decidiu liberar seus integrantes para escolherem seus apoios, enquanto Augusto Cury (Avante) afirmou que não apoiará nenhum dos dois candidatos.
Diante desse cenário, a campanha de Lula também pretende mirar a abstenção e tentar levar às urnas eleitores que não compareceram no primeiro turno.
Flávio mira votos da terceira via
Do outro lado, Flávio inicia o segundo turno com a vantagem de ter terminado a primeira votação à frente de Lula e com a expectativa de ampliar seu arco de apoio entre os partidos de centro e direita.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou neste domingo esperar que União Brasil, PP e Republicanos apoiem Flávio. As três siglas têm bancadas expressivas no Congresso e reúnem políticos que, mesmo sem terem aderido formalmente ao candidato no primeiro turno, mantêm proximidade com o campo da direita.
“Eu não tenho dúvida que, no segundo turno, o União Brasil, PP, Republicanos, todos virão com a gente”, afirmou Valdemar em vídeo divulgado nas redes sociais.
O dirigente também citou diretamente Zema e Caiado como possíveis aliados. O PL pretende abrir conversas com dirigentes partidários e parlamentares já no início desta nova etapa da campanha.
6x1 pode perder força
Lula também pretendia chegar ao segundo turno com outro elemento para reforçar sua agenda social: o avanço da PEC que acaba com a escala 6x1.
A proposta foi pautada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para começar a ser discutida no plenário nesta semana.
Antes do primeiro turno, integrantes do governo avaliavam que a aprovação da PEC poderia ser explorada por Lula durante a campanha como uma das principais entregas ao trabalhador.
Teresa Leitão afirmou no domingo que a pauta entraria “com toda certeza” na campanha de segundo turno e disse que o texto poderia ficar pronto para votação ainda nesta semana.
O resultado das urnas, no entanto, mudou o ambiente político no Congresso. A avaliação feita por integrantes envolvidos nas articulações, ouvidos pelo R7, é que cresceu significativamente a possibilidade de a proposta não ser votada antes do segundo turno.
A oposição, fortalecida pelo desempenho eleitoral da direita e pela vantagem de Flávio sobre Lula no primeiro turno, não teria interesse em entregar ao presidente uma vitória política de forte apelo popular a menos de três semanas da votação.
O cálculo também leva em consideração a nova correlação de forças para o Senado.
O PL foi o principal vencedor da disputa pela Casa e elegeu 19 senadores. Somados aos parlamentares que ainda têm mandato, o partido de Flávio Bolsonaro passará a ocupar 28 das 81 cadeiras a partir de 2027, tornando-se, com folga, a maior bancada.
O PT terá nove senadores, seguido pelo MDB, com oito. PP e Republicanos terão seis representantes cada, enquanto União Brasil e PSD ficarão com cinco cada.
Embora os novos senadores só tomem posse em fevereiro, o resultado das urnas já altera o ambiente político no Congresso e fortalece o PL nas negociações desta reta final do ano.
A avaliação feita por integrantes envolvidos nas articulações, ouvidos pelo R7, é que esse novo cenário reduz as chances de a PEC do fim da escala 6x1 avançar antes do segundo turno, já que a oposição não teria interesse em entregar a Lula uma vitória política de forte apelo popular às vésperas da votação.
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