Pavanato, deputado federal mais votado de SP, coleciona embates em universidades e processos
Condenações envolvendo o uso de imagens de estudantes se somam à estratégia de confrontos que impulsionou sua presença nas redes
2026|Maria Cunha, do R7
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Lucas Pavanato (PL) foi o deputado federal mais votado de São Paulo nas eleições de 2026, com 3.038.438 votos válidos.
Aos 28 anos, o político, que já havia sido o vereador mais votado da história da Câmara Municipal de São Paulo em 2024, chega ao Congresso após construir uma forte presença nas redes sociais com vídeos de confrontos e abordagens em universidades.
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A estratégia, que ajudou a impulsionar sua projeção política, também rendeu processos na Justiça. Um dos primeiros episódios que chegou aos tribunais aconteceu na USP (Universidade de São Paulo), em agosto de 2023.
Na ocasião, o então vereador foi ao campus para gravar vídeos com estudantes. Ele apresentava nomes de personalidades políticas e perguntava aos jovens se eles os conheciam.
Uma estudante que apareceu em um dos vídeos entrou na Justiça alegando que não havia autorizado o uso de sua imagem. Em março de 2025, a Justiça de São Paulo condenou Pavanato a pagar R$ 8 mil de indenização e determinou a retirada das publicações.
A sentença apontou violação do direito de imagem e considerou que não havia sido comprovada a autorização prévia para a publicação da gravação nas redes sociais. Pavanato contestou a decisão e afirmou que foi impedido de recorrer por uma questão relacionada ao pagamento das custas do recurso.
Em abril de 2025, apresentou ainda uma reclamação disciplinar ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra a juíza responsável pelo caso, alegando que não teve prazo adequado para complementar o pagamento das taxas.
Já em 4 de março de 2026, uma ação do então vereador no campus terminou em uma confusão entre estudantes e integrantes de sua equipe de segurança. Segundo relatos de alunos, houve uso de spray de pimenta e agressões físicas. Pelo menos dois estudantes ficaram feridos, e um deles precisou ser levado ao Hospital Universitário.
Questionado pelo Jornal do Campus, da USP, Pavanato afirmou que sua equipe agiu “em legítima defesa” e classificou os estudantes como “vagabundos que agrediram as pessoas que estavam comigo”.
O político disse ainda que foi à universidade para promover o debate sobre seus projetos e defendeu que estudantes que não aceitassem o confronto de ideias deveriam ser expulsos.
Os casos envolvendo universidades não ficaram restritos à USP. Em setembro de 2026, Pavanato foi condenado novamente a pagar indenização por danos morais, desta vez a uma estudante da PUC-SP.
O processo envolvia um vídeo gravado durante um evento na universidade, em abril de 2022. Segundo a decisão, a estudante pediu que o conteúdo fosse retirado e registrou um boletim de ocorrência, mas o vídeo permaneceu disponível e chegou a ser republicado nas redes sociais.
O juiz considerou que a edição expôs a jovem ao ridículo e determinou o pagamento de R$ 7.500, além da remoção e da proibição de republicação do material.
A defesa de Pavanato recorreu. O advogado afirmou que a própria estudante havia iniciado a conversa com o político e consentido com a gravação e a publicação. Pavanato também contestou a decisão e afirmou que considera o entendimento da Justiça parcial.
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