PT aposta em autodesgaste de Flávio Bolsonaro em debate; PL mira discurso fora da bolha
Após gestos e provocações no domingo, petistas veem prejuízo à imagem do senador; PL defende tom moderado para ganhar votos
2026|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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Após o debate do último domingo (18), o PT avalia que os gestos e as provocações de Flávio Bolsonaro (PL) a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocaram um desgaste à imagem do senador.
Do outro lado, a estratégia defendida por aliados de Flávio é que ele mantenha um discurso voltado a conquistar eleitores fora do núcleo bolsonarista, com foco em segurança pública, saúde e endividamento das famílias.
Flávio e Lula (PT) vão participar de um último debate previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, dois dias antes do segundo turno.
O desgaste de Flávio
A avaliação entre petistas é que as provocações de Flávio durante o debate podem produzir um efeito contrário ao pretendido pelo senador e comprometer sua imagem diante dos eleitores.
O deputado Alencar Santana (PT-SP) criticou a postura do candidato do PL, especialmente os gestos e expressões feitos enquanto Lula estava com a palavra. Segundo o deputado, o comportamento permitiu que Flávio continuasse se comunicando com os telespectadores, mesmo quando não era sua vez de falar.
Durante o encontro na Band, o senador gesticulou diante das câmeras enquanto o presidente discursava. Nas considerações finais, os apresentadores chegaram a intervir para pedir que Flávio respeitasse o momento reservado ao adversário.
Para Alencar, a prática desequilibrou a exposição dos candidatos e deveria ser impedida no próximo confronto. O deputado defendeu que a campanha petista buscasse uma regra específica para evitar a repetição da situação na Globo.
O secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, porém, descartou a possibilidade de solicitar mudanças nas regras do debate: “O problema não é a regra, mas a postura desrespeitosa e infantil de Flávio”, disse.
Para o dirigente, a conduta do senador não seria modificada por uma restrição estabelecida pela emissora. “Flávio andou a vida toda à margem da lei. Não é um regramento de debate que o impediria de ser presunçoso e arrogante”, afirmou Eden.
Alencar avaliou positivamente o desempenho de Lula. Na visão do deputado, o presidente conseguiu transmitir uma imagem de transparência, enquanto Flávio recorreu a provocações.
No debate de domingo, o presidente cobrou explicações sobre o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e propôs que ambos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos, incluindo os de familiares.
Lula também questionou o adversário sobre episódios de sua atuação política no Rio de Janeiro. Flávio respondeu com acusações envolvendo familiares do presidente.
PL quer eleitores fora da direita
Do lado de Flávio, a avaliação é que o senador conseguiu utilizar o debate para apresentar propostas e dialogar com eleitores que ainda não aderiram à sua candidatura.
O deputado Maurício Marcon (PL-RS) afirmou que a estratégia foi abordar problemas enfrentados pela população, sem restringir o discurso aos assuntos que tradicionalmente mobilizam o eleitorado bolsonarista.
Entre os temas destacados pelo parlamentar estão a segurança pública, o endividamento das famílias e a saúde.
Marcon também considerou positiva a postura de Flávio durante o confronto. Na avaliação do deputado, o senador evitou uma atuação excessivamente agressiva e procurou apresentar alternativas ao governo Lula.
A intenção, segundo ele, é preservar essa abordagem na última semana, com atenção especial aos eleitores que ainda podem mudar de voto.
A segurança pública deve continuar no centro dos ataques ao governo. No debate da Band, Flávio defendeu o endurecimento das penas contra integrantes de organizações criminosas, a ampliação de vagas no sistema penitenciário e mudanças na legislação sobre a saída temporária de presos.
O senador também criticou Lula por ter vetado trechos da lei que restringiu as saidinhas. O tema provocou um embate sobre a responsabilização de criminosos e as políticas de segurança adotadas pelo governo.
Marcon considera que essa discussão pode ser retomada no debate da Globo. Na avaliação dele, a segurança representa uma vulnerabilidade do PT e oferece espaço para Flávio questionar a atuação do governo no combate ao crime.
Outro tema destacado pelo deputado é o endividamento. Durante o debate, Flávio apresentou propostas para aliviar as dívidas de famílias e empresas e voltou a defender a criação de um Ministério da Prosperidade, que reuniria iniciativas de assistência social e geração de renda.
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