‘Exército do Lula’: técnicos do TSE dizem a Nunes Marques que não encontraram conteúdo falso no canal
Grupo ganhou relevância após o presidente Lula ficar na segunda colocação no primeiro turno e já reunia 3,3 milhões de apoiadores
2026|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou ao presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, não ter encontrado publicações com conteúdo falso no canal do WhatsApp “Exército do Lula”, comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A alegação foi feita pela campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Por outro lado, os técnicos que produziram o relatório alertaram para o impacto do canal no processo eleitoral, entre eles a velocidade de propagação das mensagens, o uso de linguagem que estimula o confronto e a dificuldade de reconstituir integralmente o histórico por consulta pública.
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O órgão apresentou a manifestação após Nunes Marques cobrar, com máxima urgência, informações sobre a circulação dos conteúdos publicados no canal em outras plataformas.
No domingo, o presidente do TSE chegou a suspender o funcionamento do canal, mas a ferramenta voltou ao ar após o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverter a decisão de Nunes Marques. O plenário da Corte ainda vai julgar a decisão de Cueva.
Segundo os técnicos do tribunal, “quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”.
A assessoria acrescentou que “a verificação abrangeu os textos das mensagens, as pré-visualizações de links, inclusive as miniaturas e os títulos dos vídeos vinculados, assim como os áudios transcritos”.
No Telegram, a checagem no “Canal do Lula” (que mudou o nome para “Tropa do Lula”) também não localizou nenhuma das declarações falsas apontadas na representação de Flávio, identificando apenas o compartilhamento de um vídeo convocando militantes para um ato na Avenida Paulista.
Apesar disso, o órgão disse que algumas mensagens foram apagadas do grupo no dia 7 de outubro, o que dificulta a reconstituição integral do histórico.
Possível impacto no processo eleitoral
No relatório, os técnicos alertam sobre o potencial impacto do canal para a integridade do processo eleitoral, especialmente pela proximidade do segundo turno das eleições.
Segundo o documento, o uso recorrente de termos militares (“soldados”, “missões”, “exército”, “sangue nos olhos”) e a retórica de “nós contra eles” geram um clima de combate.
O relatório alerta que o objetivo das eleições em uma democracia é substituir o confronto violento pelo voto pacífico, e esse tipo de discurso caminha na direção oposta.
“Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”, diz o documento.
Segundo o relatório, o público era acionado por orientações sincronizadas e com horário marcado para inflacionar algoritmos em diferentes plataformas (como subir hashtags ou engajar em vídeos).
A área técnica também destacou que, devido ao apagamento e edição de mensagens, fica difícil para a Justiça e o público reconstituírem todo o histórico do que foi publicado a poucos dias do segundo turno.
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