TSE propõe reconhecer qualidade de institutos que divulgarem resultados próximos ao das urnas
Segundo a Corte, medida visa incentivar o cumprimento das regras do tribunal; maioria dos institutos, contudo, é contrária à iniciativa
2026|Débora Sobreira*, do R7, em Brasília e Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window
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O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) discutiu, em reunião com representantes de institutos de pesquisa nesta terça-feira (14), a criação de um selo para “reconhecimento e valorização” de empresas cujos resultados dos levantamentos se aproximem da contagem final das urnas.
De acordo com a minuta proposta, a medida, batizada de Selo Acurácia Eleitoral, busca aprimorar e contribuir para a precisão dos dados levantados, trazer visibilidade a empresas com melhor desempenho, estimular a obediência às normas do TSE e fomentar a transparência e a confiabilidade das informações.
Concorrem institutos registrados no sistema do Tribunal PesqEle (Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais) que atendam aos critérios técnicos e que não tenham sido condenados por decisão judicial. Serão contempladas duas categorias de pesquisa: as realizadas em dia de votação (boca de urna) e aquelas feitas nos sete dias que antecedem o pleito.
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Como vai funcionar
O texto define que o selo possui apenas caráter honorífico, ou seja, não funciona como garantia de qualidade nem gera “qualquer direito ou vantagem” para com a Administração Pública.
A entrega dos selos ocorrerá em anos eleitorais, em data seguinte ao fim do segundo turno, e será realizada em cerimônias públicas organizadas pelo TSE e pelos TREs (Tribunal Regional Eleitoral).
Resistência das empresas
A proposta, no entanto, não aparece como consenso entre os envolvidos. O R7 apurou que ao menos seis institutos de pesquisa se posicionaram contrários após tomarem ciência da medida. Foram eles: Datafolha, Quaest, IPEC, IPESPE, PoderData e MDA. O DataPovo, por outro lado, mostrou-se favorável à iniciativa.
Um representante de um dos institutos, que não quis ser identificado, lamentou a proposta, ressaltando que a medida não ocorre em outros países. “É uma lógica muito equivocada entender que a pesquisa tem que bater com o número da urna. Pesquisa é retrato, não projeção”, defendeu.
O TSE informou que aceitará sugestões para reforma e melhoria da proposta até esta sexta-feira (17).
Pesquisa suspensa
A iniciativa ocorre em um contexto de recentes polêmicas envolvendo resultados de levantamentos eleitorais.
No início de junho, uma decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel, registrada sob o número BR-06939/2026, que apresentava porcentagens a respeito da corrida presidencial nas eleições deste ano. O magistrado apontou que o levantamento continha “suspeitas de indução ao eleitor”.
Nunes Marques acatou o pedido do Partido Liberal, que alegou que a estrutura das perguntas induzia respostas prejudiciais ao senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Para o ministro, havia sinais de indução desse enviesamento, como a divulgação de áudios que relacionam Flávio Bolsonaro a ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto de pagamento para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A empresa AtlasIntel contestou a decisão.
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