Ricardo Bellino relembra parcerias de sucesso com Donald Trump e John Casablancas: ‘Oportunidade não avisa quando vai chegar’
Sócio da marca Elevator Pitch revela o que o motivou a trazer o programa para o Brasil
Entrevista|Bianca Barbosa, do site oficial

Consegue fechar um grande negócio em apenas três minutos? O que parece impossível para muita gente é natural para o dealmaker (fechador de negócios) Ricardo Bellino. Por acreditar nos acordos mais inalcançáveis, ele se tornou sócio de nomes como Donald Trump e John Casablancas, construindo reputação mais valiosa que dinheiro.
A história de empreendedorismo de Bellino pode ser comparada à jornada do herói usada para a criação de muitos filmes de sucesso no cinema, mas com um adendo: nada foi criado, ele realmente viveu tudo isso. Ricardo começou sem um tostão no bolso, trabalhando com entregas. Depois, descobriu o mundo dos negócios, chegou ao topo com parcerias de sucesso e hoje divide todo o seu conhecimento com o público no Elevator Pitch Brasil, na RECORD NEWS.
Ele é sócio da marca Elevator Pitch e foi o responsável por trazer o programa para o Brasil. Por aqui, reuniu um time de Titãs poderoso, composto por ele e pelos empresários João Brasio, Day Titon, Natalia Beauty e Nina Silva. Juntos, avaliam propostas de empreendedores de comunidades, que concorrem a um investimento de até R$ 1 milhão.
Ao R7 Entrevista, Bellino relembrou as grandes parcerias e sucessos da carreira, deu conselhos para um pitch instigante e revelou o que o motivou a trazer o Elevator Pitch para o país.

R7 Entrevista: Você iniciou sua carreira como courier da DHL, em Nova York, e, pouco tempo depois, com apenas 21 anos, se tornou sócio da Elite Models. Conte como foi essa virada de chave.
Ricardo Bellino — Minha carreira começou literalmente na rua. Eu era courier da DHL em Nova York, entregando pacotes, andando pela cidade e observando um mundo do qual eu ainda não fazia parte.
Mas existe uma diferença enorme entre estar fora do jogo e acreditar que você não pode entrar nele.
A grande virada aconteceu quando percebi que talvez meu principal ativo não fosse dinheiro, currículo ou experiência. Era a capacidade de enxergar uma oportunidade, chegar até a pessoa certa e apresentar uma ideia de maneira simples.
Foi assim que surgiu a oportunidade de levar a Elite Models para o Brasil e me associar a John Casablancas. Eu tinha apenas 21 anos.
Olhando hoje, percebo que aquela história contém praticamente tudo aquilo que, décadas depois, transformei na metodologia Dealmaker: visão, acesso, preparação, coragem e capacidade de transformar relacionamentos em oportunidades.
Eu não tinha capital financeiro. Tinha capital de relacionamento — mesmo sem saber ainda dar esse nome a ele.
E talvez essa seja uma das maiores lições da minha trajetória: muitas vezes, o primeiro investidor de uma grande ideia é a nossa própria capacidade de acreditar nela.
“Existe uma diferença enorme entre estar fora do jogo e acreditar que você não pode entrar nele”
R7 Entrevista: A agência de modelos, inclusive, é a responsável por descobrir a única ubermodel do mundo, Gisele Bündchen. Ter como um dos primeiros sócios John Casablancas, em uma parceria de muito sucesso, fez você perceber que já era um dealmaker (fechador de negócios)?
Ricardo Bellino — Naquela época eu nem conhecia a palavra dealmaker. Eu simplesmente fazia deals.
John Casablancas foi uma espécie de MBA da vida real para mim. Ele havia criado um negócio global baseado não apenas em modelos, mas em talento, imagem, relacionamento, timing e capacidade de antecipar tendências.
Conviver com ele me ensinou algo fundamental: os grandes negócios raramente começam em uma planilha. Eles começam quando alguém enxerga uma conexão que ainda não é óbvia para os outros.
Décadas depois, quando comecei a organizar minhas experiências para ensinar empreendedorismo, percebi que havia um padrão em praticamente toda a minha trajetória.
Elite Models, campanhas internacionais, Donald Trump, projetos sociais, mídia, educação, entretenimento: negócios completamente diferentes, mas construídos sobre a mesma arquitetura.
Encontrar pessoas. Identificar interesses. Criar conexão. Gerar valor para todos os lados. Transformar relacionamento em realização.
Foi aí que percebi que ser dealmaker não era apenas algo que eu fazia. Era uma metodologia que poderia ser ensinada.
“John Casablancas foi uma espécie de MBA da vida real para mim. Ele havia criado um negócio global baseado não apenas em modelos, mas em talento, imagem, relacionamento, timing e capacidade de antecipar tendências”

R7 Entrevista: Em 2003, você fechou negócio com Donald Trump em apenas três minutos, tornando-se o primeiro sócio dele fora dos Estados Unidos. Como foi esse encontro?
Ricardo Bellino — Foi provavelmente o pitch que mais marcou minha vida.
Eu tinha conseguido uma reunião com Donald Trump para apresentar uma ideia de negócio. Quando cheguei, descobri que teria pouquíssimo tempo para convencê-lo, pois, segundo ele mesmo me disse e escreveu em nosso livro, ele estava de mau humor naquele dia, cheio de problemas para resolver e sem cabeça para escutar propostas de negócios novos, e por isso mesmo me disse na lata: You have 3 minutes (você tem 3 minutos).
Em vez de reclamar do tempo, decidi transformar a limitação em vantagem.
Ao invés de tentar responder rapidamente às perguntas que qualquer investidor quer entender: qual é a oportunidade, por que ela faz sentido, por que agora e por que comigo, eu decidi fazer perguntas ao Trump. Por exemplo, se ele sabia que no Brasil temos a segunda maior frota de jatos privados do mundo; São Paulo é a metrópole com maior número de helipontos; que uma Ferrari custava no Brasil três vezes e meia mais do que nos Estados Unidos e tinha fila de espera para comprar…
Três minutos depois, a conversa tinha mudado.
Aquele encontro acabou se transformando em uma parceria e, posteriormente, no livro You Have 3 Minutes!, publicado internacionalmente pela McGraw-Hill.
Mas, o mais importante não foram os três minutos.
Foram os anos de preparação que me permitiram estar pronto quando aqueles três minutos chegaram.
É isso que tento ensinar aos empreendedores: você nunca sabe quando o elevador vai abrir e, do outro lado, estará a pessoa capaz de mudar a trajetória do seu negócio.
Oportunidade não avisa quando vai chegar. Preparação é o que transforma oportunidade em deal.
“Oportunidade não avisa quando vai chegar. Preparação é o que transforma oportunidade em deal”
R7 Entrevista: Enquanto muitos empresários olhavam para o mercado internacional, você buscava investimentos e campanhas para trazer ao Brasil, como as famosas camisetas com o símbolo do alvo contra o câncer de mama. Acredita que enxergar o potencial do nosso mercado ajudou na consolidação dos seus negócios?
Ricardo Bellino — Sem dúvida.
Durante muitos anos existiu no Brasil uma espécie de fascínio por “ir para fora”. Eu sempre tive também o movimento contrário: o que existe de extraordinário no mundo que pode ser tropicalizado, reinterpretado e ampliado no Brasil?
Um dos exemplos mais emblemáticos foi o movimento Fashion Targets Breast Cancer (O Câncer de Mama no Alvo da Moda, idealizado por Ralph Lauren, que reuniu os maiores ícones da moda americana e as maiores modelos do mundo, todas representadas pela Elite Models, inclusive a Gisele Bündchen).
Quando conheci a iniciativa internacional, percebi que não estava simplesmente diante de uma camiseta. Estava diante de uma plataforma capaz de unir moda, celebridades, comunicação e impacto social.
Trouxemos o conceito para o Brasil e ele ganhou uma dimensão extraordinária, com a venda de mais de 14 milhões de camisetas e uma arrecadação superior aos U$ 50 milhões para pesquisa e tratamento do câncer de mama.
Isso reforçou uma convicção que carrego até hoje: o Brasil não é apenas um mercado consumidor. É um laboratório de criatividade, adaptação e escala.
O empreendedor brasileiro aprende a trabalhar com escassez, imprevisibilidade e complexidade. Isso pode ser uma enorme vantagem competitiva quando essa capacidade é acompanhada de método e disciplina.
Por isso continuo olhando para o Brasil com enorme entusiasmo.
Há muito capital escondido aqui — financeiro, humano e, principalmente, capital de relacionamento.
“O Brasil não é apenas um mercado consumidor. É um laboratório de criatividade, adaptação e escala”

R7 Entrevista: Suas experiências foram compartilhadas em mais de 15 obras literárias e best-sellers. Você também divide o conhecimento com conselhos nas redes sociais, em palestras e encontros. Foi essa vontade de passar o conhecimento para frente, aliada à sua expertise nos negócios, que o levou a se tornar sócio do Elevator Pitch?
Ricardo Bellino — Totalmente.
Depois de quatro décadas empreendendo, percebi que talvez meu próximo grande deal não fosse necessariamente criar mais uma empresa. Poderia ser ajudar a criar novos empreendedores.
Livros, palestras e mentorias sempre fizeram parte dessa missão. Mas televisão e entretenimento permitem levar essas ideias a milhões de pessoas.
Foi isso que me motivou a criar o Elevator Pitch Brasil em parceria com a israelense Keshet International, gigante do mercado internacional de formatos de televisão.
Eu não queria participar de um programa apenas para julgar negócios. Queria participar de uma plataforma capaz de democratizar aquilo que aprendi durante mais de 40 anos negociando.
O empreendedorismo não pode ser apresentado apenas como uma coleção de histórias de sucesso.
Precisamos falar também sobre frustração, rejeição, erros, resiliência e aquilo que venho chamando de evitar a estupidez evitável.
Empreender não significa acertar sempre.
Significa aprender suficientemente rápido para não repetir os mesmos erros — e sobreviver tempo suficiente para que os acertos façam diferença.
O Elevator Pitch é entretenimento, mas, para mim, também é educação empreendedora em horário nobre.
“O Elevator Pitch é entretenimento, mas, para mim, também é educação empreendedora em horário nobre”
R7 Entrevista: O programa foca em empreendedores de comunidades, em um nicho que movimenta R$ 300 bilhões por ano. Espera que o mercado olhe com mais atenção para as empresas e startups das favelas após a exibição do reality?
Ricardo Bellino — Espero que aconteça algo ainda mais importante: que o mercado pare de olhar para a favela exclusivamente pela lente social e passe a enxergá-la também pela lente econômica.
Não estamos falando apenas de inclusão. Estamos falando de mercado, consumo, inovação e empreendedorismo.
Quem empreende em uma comunidade frequentemente aprende algumas das habilidades mais valiosas do mundo dos negócios: resolver problemas com poucos recursos, entender profundamente o consumidor, criar redes de confiança e improvisar sem perder velocidade.
O que falta muitas vezes não é talento. É acesso. Acesso a capital, conhecimento, tecnologia, distribuição e relacionamentos.
É justamente aí que investidores e grandes empresas podem desempenhar um papel extraordinário.
Não acredito em paternalismo empresarial. Acredito em oportunidade.
Quando você conecta talento a capital e relacionamento, deixa de existir “empreendedor da periferia” e passa a existir aquilo que realmente interessa ao investidor: um bom empreendedor diante de uma boa oportunidade.
“Quem empreende em uma comunidade frequentemente aprende algumas das habilidades mais valiosas do mundo dos negócios: resolver problemas com poucos recursos”

R7 Entrevista: Com todas as análises dos 70 candidatos do programa, pode eleger qual é o maior erro que os empreendedores cometem ao tentar fazer um pitch para investidores?
Ricardo Bellino — O maior erro é tentar impressionar antes de conseguir explicar.
Muitos empreendedores acreditam que um pitch precisa parecer sofisticado. Usam palavras complicadas, jargões, números demais e apresentações decoradas.
Eu penso exatamente o contrário. Meu mantra é KISS: Keep It Simple, Stupid.
Se você não consegue explicar seu negócio de maneira simples, provavelmente ainda não entendeu completamente o próprio negócio.
Um investidor precisa entender rapidamente cinco coisas:
Qual problema você resolve?
Para quem?
Como ganha dinheiro?
Por que você é diferente?
E por que você é a pessoa certa para executar?
Depois vêm valuation, projeções e detalhes. Pitch não é concurso de oratória. Pitch é transferência de convicção. E convicção não significa falar alto ou decorar um texto. Significa conhecer profundamente o problema que você decidiu resolver.
R7 Entrevista: Neste ano, você lançou a iniciativa de formação executiva, Dealmakers Academy. E, além dela, chamam a atenção os casacos que você usa durante o Elevator Pitch, que se tornaram sua marca registrada. De onde veio essa ideia de vincular a academia ao uniforme?
Ricardo Bellino — Eu sempre gostei da ideia de transformar conceitos em símbolos.
O casaco da Dealmakers Academy nasceu como uma espécie de uniforme, mas rapidamente percebi que ele representava algo maior.
Não queria criar apenas mais um curso de negócios. Queria criar uma identidade.
Quando alguém veste aquele casaco, a mensagem é: “Eu faço parte de uma comunidade de pessoas preparadas para criar oportunidades”.
Existe também uma provocação por trás disso.
Durante décadas, o mundo corporativo foi marcado por símbolos de pertencimento: universidades, clubes, bancos, consultorias.
Por que não criar também um símbolo para uma nova geração de dealmakers?
A Academy nasceu exatamente dessa visão: transformar experiências que acumulei durante quatro décadas em uma metodologia prática de formação.
Não ensinamos apenas como fazer networking.
Ensinamos algo muito mais profundo: como transformar relacionamento em capital e capital de relacionamento em realização.

R7 Entrevista: No programa, você disse que uma dica para um pitch perfeito era não tentar impressionar os Titãs com um texto feito, scriptado. Além disso, o que te faz desanimar de um empreendimento durante um encontro de negócios?
Ricardo Bellino — Existem três coisas que rapidamente diminuem meu entusiasmo.
A primeira é quando o empreendedor se apaixona mais pela solução do que pelo problema.
A segunda é quando não consegue dizer “não sei”.
E a terceira é quando acredita que dinheiro vai resolver problemas que, na verdade, são problemas de modelo, execução ou liderança.
Eu prefiro um empreendedor que diga “não sei, mas vou descobrir” a alguém que invente uma resposta apenas para parecer preparado.
Também observo muito a capacidade de ouvir. Uma reunião com investidor não é uma apresentação de teatro. É uma conversa.
Às vezes faço uma provocação justamente para observar se o empreendedor escuta, pensa e adapta — ou simplesmente volta para o script.
Existe uma frase que resume muito daquilo em que acredito: não invisto apenas na capacidade de alguém acertar. Observo principalmente sua capacidade de aprender quando estiver errado. Porque todo empreendedor vai errar. A diferença está no preço que ele paga pelo erro e na velocidade com que aprende.
“Eu prefiro um empreendedor que diga “não sei, mas vou descobrir” a alguém que invente uma resposta apenas para parecer preparado"
R7 Entrevista: Se alguém quiser ser seu sócio hoje, o que espera ouvir no pitch?
Ricardo Bellino — Eu não espero ouvir aquilo que a pessoa acha que quero ouvir. Quero ouvir algo que me faça pensar: “Como eu não percebi isso antes?”
Esse é um ótimo começo. Depois quero entender por que aquela pessoa precisa de mim. Se a resposta for apenas dinheiro, provavelmente eu não sou o sócio certo.
Dinheiro virou commodity. Existem fundos, bancos, investidores, family offices, plataformas.
O ativo mais escasso é o acesso certo, no momento certo, com propósito claro.
Por isso, quando avalio uma sociedade hoje, procuro três coisas: uma oportunidade que faça sentido, uma pessoa em quem eu possa confiar e uma situação em que meu capital de relacionamento possa multiplicar o potencial daquele negócio.
Não quero ser apenas mais um nome no cap table (documento que mostra quem são os donos de uma empresa, os fundadores).
Quero entender qual deal podemos construir juntos que nenhum dos dois conseguiria construir sozinho.
Depois de mais de 40 anos empreendendo, talvez essa seja minha definição mais simples de um grande negócio: 1 + 1 precisa ser muito mais do que 2. Se for apenas 2, provavelmente não precisamos ser sócios.
Não perca: o Elevator Pitch Brasil vai ao ar toda terça-feira, às 22h15, e tem reexibição aos domingos, às 21h30, na tela da RECORD NEWS. Acesse o site oficial e fique por dentro das novidades.
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