A três semanas das eleições, Irã mantém opositores presos e controla acesso à internet
Eleições presidenciais serão realizadas em 14 de junho e devem garantir poder aos aliados do aiatolá
Internacional|Do R7

Falhas eleitorais graves, cortes na internet, censura, prisão de opositores e abuso dos direitos humanos: esse é o retrato do Irã a poucos dias das eleições presidenciais. De acordo com um relatório divulgado nesta sexta-feira (24) pela ONG Human Rights Watch (HRW), esse cenário mina qualquer possibilidade de eleições livres e justas no próximo dia 14 de junho.
Segundo a organização, que denuncia violações aos direitos humanos em todo o mundo, dezenas de ativistas políticos e jornalistas continuam detidos desde 2009, quando foram às ruas para questionar o processo eleitoral que reelegeu o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad.
No relatório publicado hoje, a ONG também denuncia que dois ex-candidatos à Presidência estão em prisão domiciliar, além de criticar o veto a centenas de candidatos que pretendiam participar do pleito deste ano.
Na República Islâmica do Irã (nome oficial do país desde a revolução de 1979, que levou os islamistas ao poder), o órgão que decide quem pode ou não concorrer às eleições é o Conselho de Guardiães, que zela pela constituição. Neste ano, apesar de 686 postulantes terem se inscrito, apenas oito foram aprovados como candidatos. Das 30 mulheres que se apresentaram como pré-candidatas, nenhuma foi aceita.
Cortes na internet
Segundo a HRW, com a proximidade das eleições, as autoridades iranianas estão controlando o fluxo de informações com duas táticas: redução da velocidade da internet, além do bloqueio de páginas e redes privadas que burlam a vigilância do governo.
Ainda de acordo com a ONG, o regime islamita também vem intimando jornalistas e blogueiros opositores ao governo — e, em alguns casos, prendendo-os —, além de estar restringindo ou proibindo as atividades de personalidades reformistas importantes.
“Eleições justas exigem um espaço no qual os candidatos podem concorrer livremente e os eleitores podem tomar suas decisões”, declarou Sarah Leah Whitson, diretora da HRW no Oriente Médio.
— Como o Irã pode realizar eleições livres quando líderes da oposição estão atrás das grades e o povo não pode falar livremente?
Candidatos
O Conselho de Guardiães da Revolução, que supervisiona a vida política do Irã, admitiu apenas oito candidatos para as eleições presidenciais.
Os dois principais opositores à linha que segue o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foram desqualificados. Eles são o ex-presidente reformista moderado Akbar Hashemi Rafsanjani e o nacionalista conservador e liberal em questões sociais, Esfandiar Rahim Mashaei.
Entre os conservadores admitidos destaca-se Saeed Jalili, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e principal negociador internacional do país em matéria nuclear, apontado como um dos favoritos ao pleito.
Também estão os conservadores Mohamad Bagher Qalibaf, prefeito de Teerã; Gholam Ali Haddad Adel, parlamentar e ex-presidente do Parlamento; Ali Akbar Velayati, assessor do líder supremo e ex-ministro das Relações Exteriores; e Mohsen Rezaei, ex-comandante do Corpo de Guardiães da Revolução e atual secretário do Conselho do Discernimento.
Os outros três candidatos admitidos se apresentam como independentes, embora Hassan Rohani e Mohamad Reza Aref sejam considerados reformistas moderados, e Mohamad Qarazi, que desempenhou cargos públicos em distintas administrações, não tenha grande destaque.
Com estas oito candidaturas, as eleições presidenciais de junho serão as mais restritas da história da República Islâmica do Irã desde sua implantação, em 1979, com apenas um setor do regime com força para ganhar o pleito e todo os demais relegados ou proscritos.
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