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Após queda de primeiro-ministro, crise em São Tomé e Príncipe continua sem solução

Cargo permanece vago; novo nome deve ser indicado nesta segunda-feira (10)

Internacional|Do R7

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Partidários do primeiro-ministro deposto protestaram durante toda a semana
Partidários do primeiro-ministro deposto protestaram durante toda a semana

Onze dias após a decisão do Parlamento de São Tomé e Príncipe de derrubar o primeiro-ministro do país, Patrice Trovoada (do partido ADI), o cargo permanece vago e a crise política no arquipélago africano de colonização portuguesa segue sem solução.

O ADI insiste para que o presidente Pinto da Costa mantenha Patrice como primeiro-ministro. Por essa razão, o partido o apontou como único nome para formar o próximo governo. 


Manifestações populares foram organizadas durante toda a semana pelo ADI com os seus simpatizantes para pressionar Pinto da Costa, que não cedeu.

Na tarde de sexta-feira (7), o presidente rejeitou oficialmente o nome de Patrice e deu mais algum tempo para que o ADI apresente um novo nome — o que é improvável que aconteça, pois seus membros rejeitam a queda de Patrice do poder.


Nesta segunda-feira (10), um novo nome deverá ser indicado pelo MLSTP/PSD, maior partido do bloco da maioria parlamentar, para ocupar o cargo.

"Intervenções violentas"


Em entrevista ao R7, o jornalista Nelson Mendes, Diretor de Gabinete do MLSTP/PSD, principal responsável pela aprovação da Moção de Censura na Assembleia Nacional que derrubou Patrice, ao lado dos partidos PCD e o MDFM/PL, acusou o ADI de fazer "intervenções violentas através dos órgãos de imprensa estatais". 

Na semana passada, Patrice havia prometido na Rádio Nacional de São Tomé levar o país ao "caos" caso fosse forçado a deixar o poder.


Ainda segundo Nelson Mendes, "Patrice tentou aliciar as Forças de Defesa e Segurança, mas não teve êxito". 

Sobre as manifestações promovidas pela ADI durante a semana, o diretor disse que "o bloco que forma a maioria respeita o direito de manifestação pacífica", mas que "esses movimentos não ditam ordens a ninguém, muito menos ao presidente Pinto da Costa".

Moção de Censura

Na quarta-feira (28), 29 deputados da Assembleia Nacional aprovaram uma Moção de Censura contra o governo liderado pelo primeiro-ministro Patrice Trovada, o 14º chefe constitucional desde que o país alcançou sua independência de Portugal, em 1975.

Alcino Pinto foi eleito ao cargo de presidente da Assembleia Nacional. Ele anunciou a decisão da maioria parlamentar e a entregou na mesma tarde ao presidente da República, Pinto da Costa. Só que o presidente ainda não reconheceu o novo primeiro-ministro e tenta resolver o imbróglio por meio de negociações.

O ADI, partido de Trovada, diz que a decisão tomada na Assembleia não contou com a participação do governo. A casa legislativa é composta por 55 parlamentares, mas 29 são necessários para seu funcionamento. Desde o início da semana, os 26 deputados do partido governista receberam ordens para não comparecer às sessões.

A Moção de Censura foi aprovada pelos deputados dos três partidos da oposição (MLSTP/PSD, PCD e MDFM-PL), justamente os 29 legisladores que tomaram a decisão.

Segundo o site privado local Téla Nón, o veredicto da oposição impediu o sucesso das negociações do presidente Pinto da Costa: o presidente negociava para aproximar o primeiro-ministro e a oposição, na tentativa de salvar a estabilidade e a democracia.

Saiba mais sobre São Tomé e Príncipe

Com uma população inferior a 190 mil pessoas, São Tomé e Príncipe é o menor país de língua oficial portuguesa. Formado por duas ilhas e situado no Golfo da Guiné, o pequeno país africano conquistou a sua independência de Portugal em 1975. Desde então, vive sob seguidos problemas políticos e longe de consolidar a democracia.

O sistema de governo é definido por eles como “Presidencialista com pendor parlamentarista”.

Na prática, o presidente cuida das questões internacionais e é o responsável por reconhecer o primeiro-ministro, que, de fato, cuida do governo. As recorrentes quedas de governo ampliam a miséria da população.

Vivendo de doações internacionais, São Tomé e Príncipe sofre os efeitos da atual crise econômica, já que que ela afeta os principais doadores europeus.

Além da língua, São Tomé e Príncipe e o Brasil têm em comum a origem histórica e uma série de parcerias nas áreas social, agrícola e internacional. A economia se baseia na pesca.

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