Como drones russos guiados por IA escolhem sozinhos seus alvos na Ucrânia
Caso envolvendo o uso do dispositivo terminou com a morte de três civis, entre eles estava uma estudante universitária de 19 anos
Internacional|Do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um ataque ocorrido em julho em Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia, revelou uma nova etapa no uso de inteligência artificial no conflito contra a Rússia. Um drone russo utilizou um sistema autônomo capaz de identificar o alvo durante o voo, sem depender de um operador humano para tomar a decisão final. As informações são do The New York Times.
O episódio terminou com a morte de três civis. Entre as vítimas estava Tetiana Bubinets, de 19 anos, estudante universitária. Segundo especialistas em drones, militares ucranianos e investigadores que analisaram os destroços a pedido do jornal americano, o equipamento teria sido programado para seguir até a região de um posto de gasolina e, já nas proximidades, utilizado a IA para definir o ponto exato do ataque.
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A tecnologia, acrescenta o NYT, teria sido treinada para reconhecer determinados objetos por meio de imagens. Entre eles estariam tanques de propano, que poderiam ser identificados pelas câmeras instaladas no drone.
Equipamento encontrado nos destroços
Investigadores ucranianos também encontraram nos drones analisados módulos de computação Jetson Orin, fabricados pela Nvidia. Segundo o NYT, a ausência de antenas e a presença dos computadores ajudaram as autoridades a concluir que os equipamentos poderiam estar utilizando sistemas autônomos de reconhecimento de imagens.
A Nvidia confirmou ao jornal que as peças fotografadas eram seus minicomputadores. A empresa afirmou, porém, que o produto é destinado a aplicações comerciais e educacionais e não é vendido diretamente na Rússia. Segundo a companhia, os equipamentos podem ser adquiridos por meio de revendedores.
Os investigadores também encontraram imagens e códigos armazenados nos dispositivos. O material indicaria que os drones eram capazes de reconhecer determinadas características do terreno e categorias de objetos para as quais haviam sido treinados.
O desenvolvimento preocupa especialistas e autoridades, já que sistemas desse tipo podem tomar decisões em situações que envolvem civis sem que exista uma pessoa controlando diretamente a escolha do alvo.
O ataque de 6 de julho é apontado como o primeiro caso documentado em que civis teriam sido mortos por um drone russo equipado com um sistema desse tipo.
Rússia e Ucrânia já utilizam inteligência artificial em diferentes modelos de drones. Kiev também afirma ter testado equipamentos capazes de selecionar alvos de maneira autônoma. A diferença é que, nesses sistemas, a tecnologia pode assumir uma parte cada vez maior do processo que antecede um ataque.
O avanço levanta ainda um debate sobre responsabilidade e direito internacional. Organizações de direitos humanos e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha defendem a presença de seres humanos nas decisões relacionadas ao uso da força, diante do risco de erros na identificação de civis e combatentes.
Em Zaporíjia, a preocupação já influencia as medidas de defesa. Além do uso de drones interceptadores e de redes instaladas para dificultar ataques, autoridades passaram a recorrer à camuflagem para tentar confundir sistemas de reconhecimento por inteligência artificial.
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