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Como o aquecimento global está destruindo ‘arquivo de vidas humanas’ na Noruega

Likneset guarda um grande número de restos mortais que revelam o custo humano da primeira indústria petrolífera da Europa, diz estudo

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O aquecimento global está destruindo sítios arqueológicos do Ártico, incluindo o cemitério de baleeiros de Likneset, na Noruega.
  • Os restos mortais em Likneset pertencem a baleeiros dos séculos XVII e XVIII, revelando o custo humano da primeira indústria petrolífera da Europa.
  • Estudos mostram que esses baleeiros enfrentavam condições extremas, com sinais de doenças e desnutrição em seus esqueletos.
  • O degelo do permafrost e a erosão estão acelerando a degradação desses patrimônios históricos, com danos significativos em ossos e materiais funerários.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Esqueletos trazem sinais de doenças, estresse físico significativo e desnutrição Loktu, Brødholt/PLOS One/CC-BY 4.0 -- 2026

O aquecimento global está acabando com importantes sítios arqueológicos do Ártico, que antes eram protegidos pelas temperaturas baixas e pelo gelo que nunca derretia. Entre os locais mais afetados pela degradação está o cemitério de baleeiros de Likneset, em Svalbard, na Noruega, considerado um “arquivo de vidas humanas” pelos cientistas.

O local guarda um grande número de restos mortais humanos, que foram descobertos ao longo dos anos por aventureiros e caçadores. Segundo os estudiosos, são corpos de baleeiros que morreram entre os séculos XVII e XVIII e que foram ao Ártico para trabalhar na caça às baleias.


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“O que vemos nesses esqueletos é a marca física de uma das primeiras indústrias globais da Europa. Podemos observar como o trabalho, a alimentação, as doenças e a mobilidade deixaram vestígios físicos nas pessoas que participaram da caça às baleias no Ártico. Muitos desses homens morreram muito jovens, mas já apresentam claros sinais de grande esforço físico, doenças e estresse nutricional”, afirmam as pesquisadoras Lise Loktu, do Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural, e Elin Therese Brødholt, do Hospital Universitário de Oslo, na Noruega, em artigo publicado na PLOS One, em maio.

“Esses esqueletos nos mostram o custo humano da primeira indústria petrolífera da Europa. Com o degelo do permafrost (camada que permanece congelada permanentemente) e a aceleração da erosão costeira, estamos perdendo arquivos inteiros de vidas humanas que jamais poderão ser substituídos. Não estamos perdendo apenas paisagens, mas também as histórias humanas preservadas nelas”, acrescentam.


O estudo revela as condições extremamente difíceis que essas pessoas enfrentavam durante a caçada em expedições ao Ártico, com sinais de doenças, estresse físico significativo e desnutrição impressos em seus esqueletos. Os baleeiros eram, em sua maioria, homens que acabavam morrendo entre os 20 e 25 anos, mas com um nível de desgaste que, para algumas condições, hoje só se observa em pessoas mais velhas.

Algumas das peças de vestuário mais bem preservadas das sepulturas Loktu, Brødholt/PLOS One/CC-BY 4.0 - 2026

Os corpos dessas pessoas estão emergindo cada vez mais em Svalbard devido ao degelo do permafrost, que, juntamente com a erosão, a instabilidade do solo, o aumento da umidade e a atividade microbiana, está destruindo esse patrimônio histórico, que revela como foi a vida dos marinheiros do Ártico séculos atrás. Os danos afetam ossos, tecidos, madeira e estruturas funerárias de mais de 220 sepulturas em Likneset.


Em sua pesquisa, os cientistas se concentraram em restos mortais recuperados em dois períodos distintos (1985–1990 e 2016–2019), que apresentam diferenças significativas na degradação, uma vez que, há 40 anos, o gelo permanente ainda protegia os restos mortais dos baleeiros.

Comparando os resultados das escavações da década de 1980 com os da década de 2010, a equipe observou o impacto do aquecimento global na preservação de sepulturas, caixões e outros itens ao longo da costa. O declínio mais drástico foi observado nos têxteis, que estavam bem preservados nas escavações da década de 1980, mas foram quase completamente degradados na década de 2010.

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