Corpo de paraguaio morto em incêndio no Brasil chega a Assunção
Estudante paraguaio cursava zootecnia na Universidade Federal de Santa Maria
Internacional|Do R7
O corpo de Guido Ramón Brítez Burró, de 21 anos, um dos 234 mortos no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), chegou na noite desta segunda-feira (28) a Assunção.
Os restos mortais do estudante de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) chegaram ao território paraguaio em um avião cedido pela Força Aérea Brasileira, confirmou a jornalistas o cônsul paraguaio em Porto Alegre, Agusto Ocampos.
Os familiares do jovem, que viajaram ontem a Santa Maria, acompanharam o caixão nesse voo rumo a Assunção.
Brítez Burró é um dos 234 jovens que faleceram no incêndio da boate Kiss, onde outras 112 pessoas ficaram feridas.
Um dos tios do jovem, Roberto Giménez, descreveu em declarações ao jornal Última Hora que seu sobrinho era "muito atento com os demais e que gostava de fazer amigos".
Giménez declarou, além disso, que Brítez Burró decidiu estudar Zootecnia já que apreciava genética animal e queria trabalhar no futuro com seus pais no ramo de pecuária.
"Era muito dinâmico, por isso é que estava se esforçando em ser um profissional, longe de sua família", acrescentou o tio do jovem.
Ocampos declarou que José Volpe, estudante paraguaio que também estava nessa boate, conseguiu escapar ileso do acidente.
Outras duas jovens paraguaias que estão registradas como estudantes na UFSM não foram à festa na casa noturna.
O governo paraguaio, por meio de uma carta enviada às autoridades brasileiras, expressou hoje seu "profundo pesar" com a tragédia e estendeu suas "condolências e sentimentos de solidariedade aos familiares das vítimas" e, em espacial, à família de Brítez Burró.
Veja a cobertura completa da tragédia
Incêndio
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, a 290 km de Porto Alegre, aconteceu na madrugada de domingo (27) e deixou 231 mortos e mais de cem feridos. O fogo teria começado quando a banda Gurizada Fandangueira se apresentava. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos.
A casa noturna estava superlotada na noite da tragédia, segundo o Corpo de Bombeiros. Cerca de mil pessoas ocupariam o local. O incêndio provocou pânico e muitos não conseguiram acessar a única saída da boate. Os proprietários do estabelecimento não tinham autorização dos bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da casa estava vencido desde agosto de 2012.
Ao entrar na boate Kiss, para socorrer as vítimas do incêndio, os integrantes da corporação se depararam com uma barreira de corpos.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, descreveu a situação.
— Os soldados tiveram que abrir caminho no meio dos corpos para tentar chegar às pessoas que ainda estavam agonizando.
Esta é considerada a segunda maior tragédia do País depois do incêndio do Grande Circo Americano, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Em 17 de dezembro de 1961, o circo pegou fogo durante uma apresentação e deixou 503 mortos. Prisões
Um dos donos da boate Kiss e dois músicos da banda foram detidos. Os pedidos de prisão, de caráter temporário de cinco dias, foram decretados pelo juiz Regis Adil Bertolin.
Na tarde de segunda-feiram, outro sócio da casa noturna se entregou à polícia. Ele se apresentou no 1º DP (Distrito Policial) de Santa Maria e não falou com a imprensa.
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