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‘Eles estão preparados’: filha de Fidel Castro adverte que Cuba não deve ser subestimada

Fernández não apoia o regime cubano, mas teme que os EUA estejam menosprezando suas capacidades militares

Internacional|Max Saltman, Carolina Peguero e Abel Alvarado, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Alina Fernández, filha de Fidel Castro, é anticomunista e vive em Miami.
  • Ela alerta que o governo dos EUA não deve subestimar a capacidade de resistência do regime cubano.
  • Fernández teve uma infância marcada pela figura de Fidel, sem entender totalmente a relação de sua mãe com ele.
  • A exilada teme que uma ação militar dos EUA traga um grande sofrimento à população cubana.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Alina Fernandéz, filha de Fidel Castro, ficou desiludida com o regime de Cuba nos anos 80 Reprodução/Domínio Público - via Wikimedia Commons

Como muitos outros cubanos que hoje rondam os 70 anos, a primeira lembrança que Alina Fernández tem de Fidel Castro é vê-lo na televisão dando discursos intermináveis.

Minha geração rezava diante da televisão para que ele terminasse de falar e assim pudéssemos ver nossos desenhos animados”, lembrou em uma entrevista à CNN Internacional na segunda-feira (18). “Assim eu cresci.”


No entanto, muito poucas pessoas de sua geração compartilham a segunda parte dessa lembrança: quando Castro — de quem mais tarde soube que era seu pai — passava pela casa da família à noite para visitar sua antiga amante, a mãe de Alina.

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Agora, a filha de Castro — anticomunista há décadas e exilada em Miami — teme que seu país adotivo esteja subestimando o governo da ilha da qual fugiu, enquanto a administração Trump impulsiona uma mudança de regime em Cuba.


Adverte que uma ação militar norte-americana para derrubar o governo provocaria um enorme sofrimento.

“Não é a primeira vez que se diz aos cubanos que uma invasão é iminente”, disse à CNN Internacional. “Estamos há 67 anos sob invasão, ou sob a ameaça de uma invasão. Estou segura de que eles estão preparados. Não sei como vão responder.”


O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, advertiu que qualquer ataque militar dos Estados Unidos contra Cuba terminaria em um “banho de sangue”. Fernández concorda.

“Sabemos que esses regimes colocam os civis na linha de frente”, afirmou. “Quando há uma situação de violência militar ou política, por assim dizer, isso é muito preocupante. Essa é a sensação que tenho: que a minha alegria não vai coincidir com a maneira como a solução vai chegar. Vai ser muito doloroso.”


Fernández contou que descobriu “oficialmente” quem era realmente seu pai quando tinha 10 anos.

Mas, quando sua mãe lhe revelou que aquele visitante frequente e noturno em sua casa de Havana era seu pai, “não foi uma grande surpresa”.

“Ele era um visitante muito constante”, lembrou.

O que sim surpreendeu Fernández foi descobrir que todos pareciam saber disso antes dela.

“Contei para a minha melhor amiga e ela me disse que já sabia”, relatou. “Anexa a essa notícia veio uma sensação de traição, de ter vivido enganada.”

Diz que não entende o que sua mãe viu nesse pai ausente, de quem não acredita que quisesse sua mãe nem remotamente tanto quanto ela o amava.

Ambos se conheceram durante a revolução nos anos 1950 e começaram um relacionamento.

Fernández nasceu em 1956, três anos antes de seu pai descer das montanhas de Sierra Maestra e derrubar o regime de Fulgencio Batista.

“Ela passou a vida falando dele”, disse sobre sua mãe, que morreu em 2015, um ano antes da morte de Fidel Castro. “Continuou apaixonada por ele até o último dia de sua vida, algo que, para mim, é muito difícil de entender.”

Sentada na pequena cozinha de sua casa em Miami, Fernández insistiu que não se sente especial. Diz que nem sequer se sente realmente filha de Fidel Castro.

Ironicamente, encontrou em Miami — entre o ambiente anticastrista — “o único lugar confortável” que conheceu em sua vida. Vive em um pequeno dúplex decorado com papel de parede colorido e arte popular muito chamativa.

“Me sinto como qualquer outro cubano”, afirmou Fernández. “Como uma mulher, uma exilada e também uma vítima”.

Fernández não compartilha a ideologia política de seu falecido pai. Ela conta que ficou completamente desiludida com o governo cubano no final dos anos 1980 e começou a criticar publicamente o regime.

Fugiu do país em 1993, depois de concluir que não seria fácil para sua filha crescer sendo criada por uma inimiga do Estado.

“Sempre vivi de acordo com a minha verdade”, disse. “Tomei a decisão de sair de Cuba para tirar minha filha quando me dei conta — porque alguém me fez ver isso — de que estava submetendo minha filha às mesmas coisas que fizeram comigo.”

“Minha mãe, por ser muito revolucionária, e eu, por ser muito contrarrevolucionária”.

“Há coisas que a gente percebe quando criança e outras não”, lembrou. “Mas desde muito pequena eu podia ver que toda aquela glória e aqueles discursos não coincidiam com a realidade.”

Fernández tem acompanhado muito de perto a situação em Cuba desde que saiu do país.

Considera que o tom cada vez mais beligerante do governo norte-americano contra Cuba tem menos a ver com o presidente Donald Trump e mais com o secretário de Estado Marco Rubio, um cubano-americano.

“Acho que se deve muito mais à presença de Marco Rubio no governo do que ao próprio presidente Donald Trump”, afirmou.

Também acredita que a iminente possível acusação criminal contra seu tio, Raúl Castro, é uma espécie de pretexto para futuras ações dos EUA contra o governo cubano, embora não se atreva a especular sobre como poderiam ser.

“Raúl Castro tem quase 95 anos”, disse. “Não vejo muita lógica no que está acontecendo, a não ser que isso faça parte de uma estratégia.”

“No trato pessoal, Raúl Castro era completamente diferente de seu irmão”, lembrou. “Era um homem de família”, completou.

Embora Trump tenha dito que acredita que Cuba cederá facilmente diante da pressão norte-americana, Fernández adverte que seria um erro subestimar o governo cubano ou sua capacidade de resposta diante de ameaças.

“É muito difícil que as pessoas se rendam”, assinalou Fernández. “É muito difícil que os países admitam que perderam uma guerra. … Acho que eles perderam essa guerra contra o imperialismo há muito tempo."

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