Internacional Em meio a grave crise de governo, premiê do Canadá reconhece erros 

Em meio a grave crise de governo, premiê do Canadá reconhece erros 

Escândalo provocou a renúncia de duas ministras e pedidos da oposição para que Justin Trudeau renuncie por tentar interferir em um caso criminal

Premiê canadense concedeu uma entrevista coletiva

Premiê canadense concedeu uma entrevista coletiva

REUTERS/Patrick Doyle/07.03.2019

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, voltou a afirmar nesta quinta-feira (7) que não exerceu pressão sobre a ex-ministra de Justiça Jody Wilson-Raybould, mas reconheceu pela primeira vez que cometeu erros no conflito que abriu a crise mais grave de seu governo.

O premiê canadense concedeu uma entrevista coletiva em Ottawa no começo da manhã para explicar o escândalo que provocou a renúncia de duas ministras e pedidos da oposição para que ele renuncie por tentar interferir em um caso criminal.

Trudeau não se desculpou pelas ações tomadas por ele ou pelos demais integrantes do governo ao longo da crise, mas afirmou que houve uma "erosão da confiança" com a então ministra de Justiça.

Wilson-Raybould renunciou no início de fevereiro ao cargo. Mais tarde, disse que Trudeau e seus principais assessores a pressionaram durante meses para que oferecesse à SNC-Lavalin, a maior construtora do país, um acordo favorável em um caso de corrupção.

A denúncia de Wilson-Raybould provocou a renúncia de outro nome de peso do governo de Trudeau, a ministra do Tesouro, Jane Philpott, transformando a crise na mais grave enfrentada pelo primeiro-ministro desde que chegou ao poder em outubro de 2015.

Trudeau reafirmou hoje que se reuniu com Wilson-Raybould em setembro de 2018 para falar sobre o caso da SNC-Lavalin, uma empresa com base na província de Québec e que emprega 9 mil pessoas.

O premiê reconheceu que, durante a reunião, confirmando o que a ex-ministra de Justiça já tinha declarado, que a lembrou que ele é deputado por Québec. Wilson-Raybould entendeu a mensagem como uma "pressão velada" por interesses eleitorais.

Mas Trudeau justificou hoje os comentários que fez a ex-ministra, alegando que é obrigação de todo parlamentar defender os cidadãos representados por eles. E afirmou que seu dever como primeiro-ministro é proteger postos de trabalho no país.

Após essa reunião, Trudeau disse que pediu aos colaboradores que seguissem em contato com a ex-ministra sobre o caso da construtora.

"Deveria ter feito isso pessoalmente", reconheceu Trudeau.

Para o primeiro-ministro, o problema era de "importância nacional" pelo peso econômico da SNC-Lavalin no país.

Mas, quando perguntado se a entrevista de hoje era um pedido de desculpas pelas ações tomadas ao longo da crise, Trudeau respondeu que não. Para ele, o escândalo foi provocado por uma ruptura de confiança que começou em um mal entendido.

"Wilson-Raybould não se dirigiu a mim pessoalmente e gostaria que ela tivesse feito. O diálogo é crucial em uma pasta como a da Justiça", disse Trudeau, citando o governo de seu pai, o ex-primeiro-ministro Pierre Trudeau (1980-1984), que antes de comandar o Canadá foi ministro de Justiça.

Para evitar problemas similares no futuro, Trudeau afirmou que vai avaliar se é conveniente separar os cargos de ministro de Justiça e procurador-geral do Estado, atualmente unidos, fato apontado por alguns analistas como a origem da crise.

"Vamos solicitar assessoria externa", concluiu Trudeau.

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