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Empresas do mundo lucram com maior produtividade, enquanto trabalhadores ganham menos

OIT destacou a queda na renda do assalariado nos países desenvolvidos

Internacional|Fábio Cervone, colunista do R7

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O relatório mundial sobre salários da OIT (organização internacional do trabalho), lançado nesta sexta-feira (7), confirmou os perigos da persistente crise financeira que desde 2008, assola muitas nações afetando sobretudo as economias européias e norte-americana.

Em Genebra, na Suíça, a instituição chamou atenção para a destrutiva combinação entre a queda da renda mensal do trabalhador e o aumento de sua produtividade no exercício das atividades profissionais. Atualmente, tal fenômeno é mais evidente em influentes e importantes mercados do mundo desenvolvido, mas este processo pode se alastrar.


Em poucas palavras, o documento, que analisou e comparou os dados econômicos dos últimos anos, conclui que com o mesmo tempo previamente gasto pelo trabalhador em uma determinada tarefa, hoje rende e gera mais produtos e serviços. Ou seja, como os funcionários estão aumentando suas capacidades laborais, consequentemente, os seus empregadores conseguem um resultado final maior, sem que para isto seja preciso encarecer a folha de pagamentos com novas contratações ou correções inflacionárias.

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Para piorar, os especialistas da OIT alertaram que esta tendência de maior eficiência prática do assalariado é acompanhada em muitos países por uma queda nas remunerações pagas pelos patrões. Por isso, o diretor geral da organização, Guy Ryder, ao se posicionar sobre os números, mostrou preocupação e afirmou:

-Em nível social e político, sua interpretação [do relatório] mais clara é que os trabalhadores e suas famílias não estão recebendo o que merecem.


Nas economias desenvolvidas, desde 1999 como apurou a OIT, a expressiva melhora da produtividade do trabalhador não foi acompanhada pela remuneração desembolsada pelos proprietários dos negócios, que não repassou proporcionalmente o incremento do lucro.

Neste sentido, o relatório, desta sexta-feira, afirma que ao longo do referido período [1999 até hoje] o rendimento médio do assalariado nos países desenvolvidos aumentou mais do que o dobro que o crescimento do valor do salário.

Por isso, a OIT alega que se a mão de obra contratada pelo empresário está produzindo mais sem que seja preciso ampliar os gastos do empreendimento, o lucro do negócio deve ser maior.

No relatório, a organização não deixa dúvida sobre seu temor e diz: "Essa tendência gerou mudanças na distribuição de renda, o que significa que os trabalhadores estão se beneficiando menos dos frutos do trabalho enquanto os proprietários dos capitais [investidores] se beneficiam mais."

Na visão da instituição, algumas posturas adotadas pelos governos no poder estão agravando esta distorção entre produtividade laboral e renda. Com isso, o relatório questiona as decisões tomadas pelos políticos na crise grega.

Neste caso, em razão das pressões internacionais, o salário mínimo nacional na Grécia sofreu uma "drástica" queda de 22% em relação ao período anterior. Por este motivo, o Brasil é citado como exemplo de atitude oposta, pois desde 2005 corrigiu constantemente o piso da remuneração básica. Esta postura impediu que a média do consumo familiar do país não se deteriorasse tanto, mantendo assim o mercado doméstico ativo.

A não correção dos salários praticada em muitos países interfere diretamente nos gastos dos trabalhadores. Porém, o mecanismo possibilita o controle estatal da demanda doméstica por bens e serviços, e com isso, acaba reduzindo a compra de produtos importados.

O objetivo deste artifício é garantir uma balança comercial favorável (superavitária) que traga à economia doméstica recursos para manter os compromissos financeiros atrelados ao orçamento público, e também permite o aumento da circulação de capital privado.

Entretanto, para Ryder, o líder da OIT, este caminho é traiçoeiro já que pode acarretar no empobrecimento do trabalhador:

-Esta é uma tendência indesejada que, onde exista, é preciso ser revertida.

O maior temor da instituição é que este indireto arrojo salarial se torne prática comum e generalizada. No longo prazo, esta conduta afetaria a demanda global desaquecendo assim a economia, o que inevitavelmente levaria o mundo para uma crise financeira ainda pior.

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