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‘Como Ormuz’: estreito de Gibraltar expõe rota estratégica e século de naufrágios

Naufrágios datam de diversas eras, desde a civilização púnica até a Segunda Guerra Mundial

Internacional|Amarachi Orie, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Arqueólogos espanhóis identificaram 151 sítios arqueológicos subaquáticos no Estreito de Gibraltar, incluindo 124 naufrágios.
  • Os naufrágios datam de várias eras, como a civilização púnica, romana, medieval e moderna.
  • A Baía de Algeciras, onde os naufrágios foram encontrados, era um importante ponto de parada para o transporte marítimo transatlântico.
  • Pesquisadores planejam realizar estudos detalhados e proteger os sítios arqueológicos, que podem conter mais descobertas sobre a história marítima da região.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Pesquisadores buscam estudar e proteger os sítios arqueológicos para entender melhor a história Felipe Cerezo Andreo via CNN Newsource

Assim como o estreito de Ormuz, o estreito de Gibraltar, que fica entre a ponta sul da Europa e a ponta noroeste da África, detém uma história de navegação e conflitos em suas águas.

Grande parte das evidências arqueológicas disso encontra-se a leste do estreito, na Baía de Algeciras, também conhecida como baía de Gibraltar — um ponto de parada para o transporte marítimo transatlântico, hoje em dia principalmente de petróleo.

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Arqueólogos espanhóis afirmam ter identificado 151 sítios arqueológicos subaquáticos, incluindo 124 naufrágios, na baía de 75,11 quilômetros quadrados, enquanto realizavam um levantamento arqueológico entre 2020 e 2023.

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Os naufrágios são de diversas eras e civilizações, incluindo a antiga civilização púnica (cartaginesa) e os períodos romano, medieval e moderno, de acordo com um artigo de pesquisa recente.

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A descoberta dos naufrágios confirma a importância da baía como um centro marítimo de relevância regional e global, disseram os pesquisadores. Ela tem sido cercada por assentamentos urbanos desde o período antigo, foi um ponto de entrada na Península Ibérica no período medieval e um ponto de confronto naval pelo controle do estreito nos tempos modernos.

Embora a maioria dos destroços se refira à história moderna, os pesquisadores também encontraram “alguns naufrágios invisíveis muito interessantes”, disse o pesquisador principal Felipe Cerezo Andreo, professor associado de arqueologia subaquática na Universidade de Cádiz, na Espanha, à CNN Internacional na terça-feira (21).

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Embora milhares de acidentes navais sejam mencionados em fontes históricas e de arquivo, muitos destroços permanecem sem descoberta porque houve, até agora, pouco estudo arqueológico da história enterrada sob as águas.

A descoberta mais antiga foi um naufrágio do século 5 a.C., disse Andreo, acrescentando que o navio teria transportado molho de peixe produzido na cidade de Cádiz, no sul da Espanha, e provavelmente estava levando essa carga pelo Mediterrâneo.

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Os “mais interessantes” dos tempos modernos foram os naufrágios relacionados às guerras napoleônicas, travadas entre a França e aliados europeus instáveis no início do século 19, disse Andreo.

Os pesquisadores também identificaram naufrágios de datas tão recentes quanto o início da Segunda Guerra Mundial, documentando os restos de um Maiale, ou Porco — um tipo de submarino usado pela marinha italiana para atacar a frota britânica no estreito de Gibraltar durante a Segunda Guerra Mundial, de acordo com Andreo.

O estreito de Gibraltar, “como o Ormuz agora, é uma passagem estreita obrigatória para todos os navios”, disse Andreo.

“Todos os navios que querem ir do Mediterrâneo para o Atlântico têm que passar pelo estreito de Gibraltar, e provavelmente a maioria deles tem que ancorar e esperar por melhores condições climáticas na baía de Algeciras”, o “porto do estreito”, acrescentou ele.

Os pesquisadores não tinham documentação arqueológica da maioria dos naufrágios antes do projeto. Antes de 2019, apenas quatro sítios arqueológicos subaquáticos eram conhecidos na área, e apenas um deles poderia ser considerado resultado de um naufrágio, segundo os pesquisadores.

As mudanças climáticas estão afetando as correntes oceânicas e o movimento de sedimentos na baía, de acordo com os pesquisadores — e “isso está causando a descoberta de todos esses naufrágios”, disse Andreo.

Os arqueólogos usaram técnicas geofísicas — como um ecobatímetro multifeixe que emite som para mapear o fundo do mar em 3D (Três Dimensões) e um magnetômetro que mede campos magnéticos — para identificar objetos no fundo do mar e anomalias enterradas no sedimento, antes de mergulhar para medir e fazer um modelo digital das descobertas arqueológicas.

Os pesquisadores dizem que querem estudar e proteger os sítios arqueológicos, que contêm informações sobre a história marítima da área, incluindo tráfego marítimo, comércio, tecnologia naval e aqueles que viajaram pelo mar, explicando que eles permanecem vulneráveis às mudanças na paisagem e à atividade de grandes navios ancorando na baía.

“Para nós, é importante registrá-los, documentá-los virtual e tecnicamente para protegê-los”, legal ou fisicamente, disse Andreo.

A equipe até agora olhou apenas para uma “profundidade muito rasa” de cerca de 10 metros, mas a baía de Algeciras tem cerca de 400 metros de profundidade, disse Andreo, que acredita haver restos arqueológicos nas profundezas da baía que datam de tempos pré-históricos, porque a costa do período Paleolítico, ou Antiga Idade da Pedra, “está agora subaquática”.

Os pesquisadores disseram que projetos futuros se concentrarão na realização de um estudo detalhado de cada naufrágio — eles estudaram até agora 24% dos sítios arqueológicos identificados — bem como na exploração dos locais em profundidades maiores.

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