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EUA estão atacando o Irã novamente; eles conseguirão algum dia dar um ‘golpe de misericórdia’?

Analistas apontam que as sanções econômicas reinstauradas pelos americanos podem ter mais impacto do que os ataques aéreos

Internacional|Jessie Yeung e Brad Lendon, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os EUA e o Irã estão envolvidos em uma série de ataques aéreos, drones e mísseis após um cessar-fogo instável e um Memorando de Entendimento assinado em junho.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o MoU com o Irã está "acabado" após ataques iranianos durante a cúpula da NATO.
  • Os ataques dos EUA visam alvos costeiros no Irã, enquanto o Irã responde atacando bases dos EUA no Kuwait e Bahrein.
  • O conflito afeta a economia global, especialmente devido à importância do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trump declarou que o Memorando de Entendimento entrou os países "está acabado" Francisco Seco/AP via CNN Newsource

De muitas formas, acabou o cessar-fogo que nunca existiu.

Mas, com os Estados Unidos e o Irã alegando ter atingido dezenas de alvos cada um com ataques aéreos, de drones e de mísseis nas últimas 48 horas, é cada vez mais difícil ver para onde isso vai a seguir.


Os novos ataques são os mais recentes de uma série de agressões de ida e volta desde que os dois lados concordaram pela primeira vez com um cessar-fogo instável em abril e assinaram um MoU (Memorando de Entendimento) em junho, que deveria preparar o terreno para o fim permanente dos combates.

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O Irã alegou que os EUA não cumpriram sua parte no acordo; Washington rebateu dizendo que é Teerã quem está voltando atrás em suas promessas.


Mas o presidente dos EUA, Donald Trump, está perdendo a paciência – especialmente esta semana, irritado com os ataques iranianos enquanto se reunia com líderes mundiais na cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Turquia.

O MoU com o Irã está “acabado”, declarou ele na quarta-feira (8), chamando os líderes do Irã de “malucos” e de uma “perda de tempo”.


Teerã emitiu seus próprios alertas – seu presidente do parlamento e principal negociador postou no X: “Se você atacar, será atingido.”

O que temos agora são os militares dos EUA bombardeando múltiplos alvos, a maioria costeiros, no Irã. No entanto, as forças iranianas ainda são capazes de responder ao fogo, enviando mísseis e drones em direção às bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein.


As coisas também permanecem precárias no estreito de Ormuz – e especialistas dizem que os últimos ataques provavelmente não eliminarão a capacidade do Irã de ameaçar a navegação em uma das artérias de energia mais importantes do mundo.

Como os últimos ataques de ambos os lados são menos intensos do que aqueles lançados quando a guerra começou, no final de fevereiro, alguns sugerem que um processo de paz ainda tem uma chance.

Mas outros veem poucos motivos para otimismo.

“O cessar-fogo tinha poucas chances de sobrevivência porque o governo iraniano que o assinou não tem autoridade sobre o IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica)”, disse Carl Schuster, ex-diretor do Centro Conjunto de Inteligência do Comando do Pacífico dos EUA.

O IRGC são as tropas de elite do Irã, totalmente separadas das forças regulares. Eles controlam o arsenal de mísseis do país e seu trabalho é proteger a revolução islâmica do país. Eles respondem apenas ao líder supremo e demonstraram pouco interesse em fazer um acordo com Washington – pelo menos em termos com os quais Trump ficaria feliz.

“Seu objetivo primordial é manter seu regime teocrático no poder. Esta campanha aérea não os forçará a mudar nada disso. É muito limitada em escopo”, disse o coronel reformado da Força Aérea dos EUA, Cedric Leighton, analista militar da CNN Internacional.

E o IRGC quer manter o controle sobre o estreito de Ormuz, por onde 20% do petróleo do mundo passa em tempos de paz – algo que eles fazem desde os primeiros dias da guerra, elevando os preços mundiais do petróleo.

Trump quer o estreito aberto e livre, mas analistas dizem que o Irã – por meio do IRGC – mantém uma posição forte.

“O único cessar-fogo viável é aquele com o qual o IRGC concorde, e isso só acontecerá se a liderança do IRGC acreditar que um cessar-fogo é a única opção que garante a sobrevivência da organização como uma entidade independente”, disse Schuster.

O que está acontecendo no terreno?

As últimas hostilidades seguiram um padrão agora familiar: foram desencadeadas pelo Irã, disparando contra três navios comerciais na terça-feira (7), em águas territoriais de Omã, perto do estreito de Ormuz, de acordo com uma autoridade dos EUA.

O Irã vê o controle da via marítima como seu ponto de barganha mais valioso nas negociações e diz que as embarcações devem usar suas rotas designadas e ter sua permissão para cruzá-la.

Mas um número crescente de navios está usando uma rota próxima à costa de Omã, ameaçando a influência do Irã sobre a via marítima.

Aos olhos do Irã, isso viola o MoU, que incluía disposições para a reabertura do estreito, alívio das pressões financeiras sobre o Irã e definição de expectativas para abordar o programa nuclear do Irã.

O Irã também continuou disparando contra navios — levando os EUA a retaliar a cada vez, com a atual rodada de combates sendo agora a pior desde que o MoU foi assinado.

Após os ataques aos navios na terça-feira, os EUA lançaram uma nova onda de ataques, atingindo 80 alvos em todo o Irã. Ao mesmo tempo, os EUA impuseram novamente sanções ao petróleo iraniano, após concordarem inicialmente em suspender as sanções por 60 dias como parte do acordo de cessar-fogo.

O Irã respondeu com ataques a 85 alvos militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait vizinhos, disse o IRGC na quarta-feira de manhã.

Os ataques também coincidem com o funeral de vários dias do ex-líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, que foi morto na operação conjunta dos EUA e de Israel que deu início à guerra.

Outra onda de ataques dos EUA começou na quarta-feira à noite e se estendeu até a madrugada de quinta-feira (9), com explosões ouvidas em diferentes partes do Irã.

Os EUA disseram na quinta-feira que mais 90 alvos foram atingidos; enquanto isso, tanto o Bahrein quanto o Kuwait ativaram sirenes alertando sobre uma ameaça iminente, sinalizando que a retaliação prometida pelo Irã pode ter começado.

Onde eles estão atacando e por quê?

Até agora, a grande maioria dos ataques dos EUA ocorreu na costa sul do Irã, ao longo do estreito de Ormuz – com o objetivo de prejudicar a capacidade do Irã de controlar a via marítima crítica. Alguns alvos mais distantes da costa, inclusive ao norte de Teerã, também foram atingidos.

Os alvos incluem sistemas de defesa aérea, locais de radar, capacidades de mísseis antinavio e dezenas de barcos de pequeno porte “para degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o comércio internacional que flui através do corredor comercial internacional”, de acordo com o Comando Central dos EUA.

Esses ataques podem ter algum impacto nas capacidades do Irã perto do estreito – mas isso tem limite, alertam os especialistas, comparando os ataques recentes àqueles do início da guerra.

“Se as implantações em larga escala não conseguiram impedir o Irã de ameaçar o estreito de Ormuz, então esta opção de força menor também não conseguirá”, disse Peter Layton, membro do Griffith Asia Institute e ex-oficial da Real Força Aérea Australiana.

“É simplesmente uma demonstração física de irritação com os negociadores iranianos. Os ataques são eficazes – por exemplo, 60 barcos de pequeno porte foram destruídos – mas é altamente improvável que influenciem o pensamento iraniano”, disse ele.

James Stavridis, um almirante reformado da Marinha dos EUA que navegou pelo estreito de Ormuz muitas vezes, concordou. “Você pode degradar significativamente a capacidade deles, mas não pode, nesta nova era de drones, tirar essa capacidade”, disseram eles.

Alex Plitsas, diretor do Programa de Contraterrorismo do Atlantic Council, disse que as sanções reinstauradas poderiam ter maior influência do que os ataques aéreos, visto o quão mal a economia do Irã está se saindo.

Trump sob pressão

O futuro do conflito permanece incerto – para ambos os lados.

Nos últimos meses, Trump fez ameaças repetidas contra Teerã, incluindo a retomada de uma guerra em grande escala, e depois recuou — mas ele está visivelmente frustrado agora. “Cada vez que eles nos atingem, nós os atingimos 20 vezes”, disse Trump na quarta-feira.

Ele está sob forte pressão para acabar com a guerra, que causou estragos na economia global e provocou o maior choque de oferta de petróleo da história mundial.

Há também ramificações internas para suas ações militares, que renderam a Trump duras críticas e uma piora no sentimento, mesmo entre colegas republicanos e apoiadores do Maga (Make America Great Again).

Isso ficou evidente no mês passado, quando o Senado adotou uma resolução com o objetivo de retirar as forças dos EUA das hostilidades, uma clara repreensão a Trump – embora ela tenha sido revogada apenas um dia depois, com alguns parlamentares republicanos mudando de voto após conversarem com Trump e seus aliados.

A sombra da guerra pairará sobre as próximas eleições de meio de mandato em novembro – algo com que os republicanos vêm se preocupando em particular há meses, em meio ao crescente descontentamento dos eleitores com a guerra.

O Irã também está em uma situação difícil.

As multidões imensas que compareceram ao cortejo fúnebre de Khamenei esta semana, muitas pedindo vingança contra os EUA e Israel, são uma ilustração palpável de como o regime da República Islâmica continua firmemente no poder, apesar do castigo que recebeu das forças militares mais poderosas do mundo.

Muitos da linha-dura iraniana detestavam o MoU desde o início.

Mas os líderes de Teerã também sabem que sua economia está cambaleando e que não podem superar os Estados Unidos em poder de fogo. O que eles podem fazer é usar seu principal ponto de barganha – o estreito de Ormuz – para aumentar a pressão.

A questão agora é se essas tensões podem ser reduzidas – ou se explodirão com o retorno a uma guerra total.

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