Investimento europeu de US$ 50 bi em armamentos dos EUA é aceno a Trump; entenda
Especialista analisa novos acordos da Otan e os desdobramentos geopolíticos envolvidos na venda de caças dos EUA à Turquia
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Ao longo do segundo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, as relações entre o país e a aliança militar que lidera, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), foram fragilizadas. A falta de investimento da Europa nos projetos de defesa já motivou o estadunidense a ameaçar sair do grupo, dentre outras declarações.
“Trump já ameaçou que não defenderia a Espanha em caso de guerra”, exemplificou o professor de relações internacionais Vitelio Brustolin. Com o objetivo de convencer o líder norte-americano de que as nações europeias levam a sério o aumento de gastos, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, anunciou logo no primeiro dia da cúpula do grupo da Turquia — iniciada nesta terça (7) — vários contratos de armamentos com o aliado.

“Os EUA querem que a Otan invista 5% do seu PIB (Produto Interno Bruto) em defesa, comprando armamento dos EUA, mas, nesse momento, os países europeus compram uns dos outros. [...] Nesse encontro que está acontecendo agora surgiu o compromisso de que se invistam US$ 50 bilhões em armamento dos norte-americanos. Isso sim é um aceno ao Trump”, analisou o professor durante o Conexão Record News.
O especialista entende que a Europa se encontra dividida entre uma forte corrida armamentista motivada pela Rússia e o apoio aos Estados Unidos. Brustolin indica que os acordos anunciados possuem ramificações geopolíticas importantes, assim como o anúncio feito pelo presidente dos EUA em cogitar vender caças F-35 à Turquia.
O professor afirma que a medida envolve fazer com que o exército turco abandone o sistema de defesa aérea S-400, de origem russa, estabelecendo assim um maior domínio norte-americano sobre o Oriente Médio. Contudo, o acordo se complica uma vez que países vizinhos ficam envolvidos.
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“A Turquia quer os F-35. Por outro lado, Israel é contra e não quer que a Turquia tenha essas aeronaves porque Israel controla os céus no Oriente Médio. [...] Se a Turquia tiver acesso a essas aeronaves, isso desequilibraria a balança de poder no Oriente Médio”, conclui o professor.
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