Presidente da 'Comissão da saia' cobra papa sobre o tratamento desigual dado às mulheres na Igreja Católica
Organização acusa a instituição religiosa de não reconhecer a contribuição feminina na sociedade
Internacional|Do R7
A presidente da "Comissão da saia", Anne Soupa, expressou nesta sexta-feira (7) uma mistura de decepção e de esperança sobre os pronunciamentos do Papa Francisco em relação as mulheres na Igreja Católica, em uma entrevista à agência de notícias sobre o Vaticano I.Media.
"Dizer que as mulheres precisam ser valorizadas sugere que a igreja ainda nos vê como pobres mulheres! Quando vão abrir os olhos para ver que é toda a igreja que sofre com essa exclusão? Entre outros crimes, ela força os homens a viver entre outros homens, quando muitos se queixam", observa esta francesa que preside o movimento católico fundado em 2009 por um maior reconhecimento das mulheres.
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Francisco prometeu "expandir os espaços para uma presença feminina mais incisiva (...) nos vários locais onde as decisões importantes são tomadas". "É com alívio e prazer" que Soupa diz ter recebido essas palavras.
Na véspera do Dia Mundial da Mulher, a católica francesa ironiza a "evidência de que os homens são a norma e as mulheres uma espécie diferente sobre a qual deveria haver estudos".
A igreja não "reconhece a contribuição das mulheres. As mulheres são metade da humanidade. Na casa-Igreja, elas devem se sentir em casa, e não como convidadas para um clube masculino", diz indignada.
Questionada sobre os elogios feitos por Francisco ao gênio feminino, Soupa observa que "fazer muitos elogios também é uma maneira de tornar a gaiola mais dourada para o pássaro esquecer". "Mais evidente fica a injustiça contra as mulheres, quando o discurso magisterial é mais elogioso".
"Na igreja, as mulheres são o equivalente a pessoas privadas de seus direitos civis (...) Elas não fornecem a cura para a alma, não têm autoridade nem títulos reconhecidos, são inaptas para a homilia, não emitem Sacramentos, não governam, não contribuem para a doutrina e não elegem o papa. As mulheres preenchem a Igreja, mas não têm força nela. E não são alguns compromissos cosméticos que vão apagar este escândalo", acrescentou à I.Media.
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