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Putin critica Guaidó e acusa EUA de comprometerem segurança mundial

Presidente russo ridicularizou como líder da oposição venezuelana tenta chegar ao poder e criticou Trump de deixar tratados de desarmamento 

Internacional|Da EFE

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Em entrevista na qual acusou os Estados Unidos de "desestabilizarem a segurança mundial" ao se retirarem de tratados de desarmamento cruciais, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, também chamou de "loucos" os países que reconheceram o autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó.

Em um encontro com os principais diretores de agências internacionais de notícias nesta quinta-feira (6), entre elas a Agência Efe, o presidente russo ridicularizou a maneira com a qual Guaidó - reconhecido como presidente interino por mais de 50 países - tenta chegar ao poder.


"Como se chama o autoproclamado? Gu... Guaidó. É uma pessoa agradável. A minha atitude em relação a ele é normal, absolutamente neutra", disse Putin em resposta a uma pergunta sobre a Venezuela.

"Mas, se colocarmos esta prática, este modo de chegar ao poder - a pessoa para em uma praça, ergue os olhos para o céu e, diante de Deus, se proclama chefe de Estado... isso é normal?", perguntou Putin, antes de responder que, com esse modo de proceder, haveria "caos no mundo todo".


"Vamos eleger assim o presidente dos Estados Unidos. Onde quer que seja. Ou vamos escolher assim o primeiro-ministro britânico", afirmou Putin, rindo.

"Ou o presidente da França. O que aconteceria? Eu gostaria de perguntar aos que apoiam isso, vocês ficaram loucos? Entendem aonde isso pode levar? Tem que haver certas regras ou não?", enfatizou.


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Putin também disse que a Rússia não está criando bases militares ou enviando tropas para a Venezuela, mas explicou que a Rússia "deve honrar suas obrigações contratuais com o país sul-americano quanto à manutenção de equipamentos vendidos anteriormente".

"Não estamos criando nenhuma base, nem levando tropas para lá. Nunca aconteceu (isso). Só honramos nossos contratos", insistiu.


A presença de funcionários russos na Venezuela causou inquietação nos EUA e em outros países, e o governo americano chegou a pedir ao Kremlin fizesse com que essas pessoas voltassem para a Rússia.

Putin reiterou, além disso, que a Rússia é contra a ingerência nos assuntos internos da Venezuela.

"Somos contra a intervenção em assuntos políticos de outros países, consideramos que isso leva a consequências graves, para não dizer trágicas, e o caso de países como Líbia e Iraque é o maior exemplo. O caminho para o inferno é pavimentado com pedras de boas intenções", destacou.

Durante a entrevista, Putin não economizou advertências aos EUA, cujo governo ele acusou de ter desestabilizado toda a estrutura do sistema de segurança global, ao sair de ou suspender tratados de controle de armas importantes. E alertou sobre o risco da proliferação das armas nucleares.

"Nossos parceiros norte-americanos saíram do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (...) Foi o primeiro passo para desmantelar toda a estrutura das relações internacionais na esfera da segurança global", disse.

"Foi um passo muito grave. Agora falamos da saída, também unilateral, de nossos parceiros americanos do Tratado INF sobre mísseis de médio e curto alcance", acrescentou o presidente russo.

Putin disse que, no primeiro caso, Washington "se comportou honestamente" ao sair do tratado unilateralmente, mas que, com o INF, "tenta jogar a culpa na Rússia".

Rússia e EUA se acusam mutuamente de violar o INF sobre a eliminação de mísseis de médio e curto alcance, assinado em 1987, que primeiro foi suspenso pelo presidente Donald Trump e posteriormente por Putin.

O líder russo afirmou que, em virtude do acordo, "não podem ser instaladas plataformas de lançamento terrestres de mísseis de curto e médio alcance, mas os EUA as montaram na Romênia e agora vão instalar na Polônia. Trata-se de uma violação direta", enfatizou Putin.

"Agora temos na ordem do dia a prorrogação do Novo START ou START III - de redução de armas nucleares e que expira em 2021 - mas pode não ser prolongado", advertiu Putin.

Em relação à possibilidade de EUA e Rússia não fecharem um acordo para prolongar o tratado, o presidente russo enviou uma mensagem em tom de advertência a Washington.

"Nossos sistemas modernos são capazes de garantir a segurança da Rússia durante um futuro bastante longo", disse, além de destacar que a Rússia deu "realmente um salto considerável e se antecipou aos competidores na criação de armas hipersônicas".

"Se ninguém quiser prorrogar o tratado START III, então não o prorrogaremos. Dissemos centenas de vezes que estamos prontos, mas ninguém dialogou conosco até o momento", queixou-se.

Putin também respondeu a perguntas sobre o suposto apoio russo a partidos e movimentos nacionalistas na Europa ocidental e à situação criada pelos planos independentistas na Catalunha.

"A Rússia não quer que nenhum Estado europeu desmorone", comentou.

"Temos uma atitude de máximo respeito em relação à Espanha, ao povo espanhol, à história espanhola. Temos boas relações, com raízes históricas. Não temos interesse em que os países europeus se desmembrem uns atrás dos outros", afirmou.

O líder assegurou na entrevista que "em geral é um mito que a Rússia queira que a Europa seja frágil".

"Para que iríamos precisar disso? Cerca de 40% de nossas reservas de ouro e divisas estão lastradas em euro. A União Europeia (UE) é o nosso principal parceiro econômico. Para que iríamos querer que lá ficasse tudo conturbado? Não faz sentido", insistiu Putin.

"Mas ficam procurando a pegada da Rússia. Isso também se refere à Espanha. A Espanha deve ela mesma decidir como conviver com os territórios problemáticos, com a Catalunha, e no norte, com o País Basco etc.", destacou.

Putin disse que "até agora tinha se conseguido resolver estes problemas" e que espera que "sejam resolvidos através do diálogo e com base em decisões legitimamente adotadas, pelo debate".

O presidente russo acrescentou que sua aposta é na estabilidade, na preservação da integridade "territorial". E classificou como "delírio absurdo" que se considere a Rússia uma ameaça.

Putin também pediu "regras comuns" para evitar a ingerência em assuntos internos dos países, especialmente através da internet, ao mesmo tempo em que negou que Moscou se intrometa na vida política interna dos EUA.

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