Putin ‘mostra os músculos’ com teste de míssil intercontinental de capacidade nuclear
Demonstração ocorreu após um desfile do Dia da Vitória que foi reduzido, sem exibição de armamentos
Internacional|Zahra Ullah e Brad Lendon, da CNN Internacional
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
O presidente russo Vladimir Putin afirmou que o que ele chamou de sistema de mísseis mais poderoso do mundo estará pronto para “serviço de combate” até o final do ano, após um teste bem-sucedido na terça-feira (12).
O míssil balístico intercontinental Sarmat tem um alcance esperado de mais de 10.000 quilômetros e pode, supostamente, carregar até 16 ogivas nucleares direcionadas de forma independente, de acordo com a Missile Defense Advocacy Alliance, uma organização sem fins lucrativos sediada Estados Unidos.
Putin afirma que o alcance se estende a mais de 35.000 quilômetros.
Veja Também
“O rendimento combinado da carga útil é mais de quatro vezes maior do que o de qualquer contraparte ocidental existente”, disse Putin.
Em comparação, o LGM-30 Minuteman ICBM (Míssil Balístico Intercontinental) dos Estados Unidos tem um alcance de cerca de 11.000 quilômetros e é operado com apenas uma ogiva, embora tenha sido projetado para carregar três.
A televisão estatal russa transmitiu imagens de Sergei Karakayev, comandante das Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia, relatando a Putin sobre o que ele descreveu como um lançamento de teste “bem-sucedido”.
De acordo com o CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais), o Sarmat lançado de silo é a substituição há muito esperada para o ICBM SS-18 da Rússia, que foi implantado pela primeira vez sob o domínio soviético nos anos 1970 e codinomeado “Satan” pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
O RS-28 Sarmat, que a aliança chama de Satan 2, tem estado em desenvolvimento desde 2011 e enfrentou dificuldades em testes, atrasando seu plano de implantação original de 2018, diz o CSIS.
Após um teste fracassado em setembro de 2024, imagens de satélite mostraram uma cratera de cerca de 60,96 metros de largura no local de lançamento no Cosmódromo de Plesetsk, na região noroeste de Arkhangelsk, na Rússia.
O canal russo do Telegram Astra — rotulado como agente estrangeiro pelas autoridades — inseriu uma nota de ceticismo, apontando que Putin falou sobre a prontidão iminente do míssil com capacidade nuclear pelo menos 10 vezes desde 2021.
O míssil Sarmat é movido a combustível líquido, dizem relatos, o que significa que ele tem que ser abastecido pouco antes do lançamento, uma desvantagem em relação aos mísseis de combustível sólido.
A Rússia mantém o maior inventário de ogivas nucleares do mundo, com mais de 5.500, de acordo com a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares. Os EUA têm pouco mais de 5.000 ogivas, diz a organização.
O momento do teste do Sarmat é digno de nota, ocorrendo pouco depois de um discreto desfile do Dia da Vitória em 9 de maio.
O desfile, que comemora o papel da União Soviética na derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, foi o mais reduzido desde 2008, quando Putin o tornou um evento anual.
Nenhum equipamento militar foi exibido pela primeira vez em quase 20 anos. As autoridades russas reduziram o evento em meio a preocupações de segurança após ataques ucranianos no interior do território russo, especialmente em refinarias de petróleo.
Putin, no entanto, disse aos jornalistas que o desfile prosseguiu sem exibir armamentos porque as forças armadas russas “devem se concentrar na derrota decisiva do inimigo” no que a Rússia chama de sua “operação militar especial” na Ucrânia.
Abrindo mão da tradicional demonstração de força, telas gigantes na Praça Vermelha de Moscou transmitiram uma série de vídeos pré-produzidos que a mídia estatal disse serem das linhas de frente.
O Kremlin também divulgou imagens na segunda-feira (11) de Putin dirigindo para buscar pessoalmente uma de suas antigas professoras de escola, Vera Gurevich, no saguão de um hotel com um buquê de flores e um abraço entusiasmado, antes de levá-la para jantar no Kremlin.
Putin convidou Gurevich para comparecer ao desfile do Dia da Vitória em Moscou e passar alguns dias na capital, informou o Kremlin.
O Kremlin rejeitou um relatório de uma agência de inteligência europeia, obtido pela CNN Internacional e outros veículos de comunicação, que disse que o Kremlin aumentou dramaticamente a segurança pessoal em torno de Putin e reduziu o número de locais que ele visita regularmente.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp











