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Queda de lítio pode acelerar avanço do Alzheimer, sugere novo estudo

Pesquisa analisou pessoas saudáveis e com comprometimento cognitivo leve, além de pacientes em estágio avançado da doença

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo da Escola de Medicina de Harvard sugere que o lítio no cérebro pode proteger contra o Alzheimer.
  • Pesquisadores observaram que a redução de lítio está ligada ao avanço da doença, especialmente em placas de beta-amiloide.
  • Experimentos em camundongos mostraram que a diminuição do lítio leva a danos cerebrais e perda de memória.
  • O orotato de lítio mostrou potencial em reduzir proteínas associadas ao Alzheimer, mas mais estudos em humanos são necessários.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Estudo foi desenvolvido ao longo de 10 anos e reuniu diferentes tipos de análises Sven Mieke/Unsplash

Um mineral conhecido há décadas pela medicina pode ajudar a explicar por que algumas pessoas desenvolvem Alzheimer enquanto outras mantêm a capacidade cognitiva preservada. Pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, encontraram evidências de que o lítio presente naturalmente no cérebro pode estar relacionado à proteção das células nervosas e que sua redução aparece nos primeiros estágios da doença.

O estudo, publicado na revista científica Nature, foi desenvolvido ao longo de 10 anos e reuniu diferentes tipos de análise, incluindo amostras de tecido cerebral humano, exames de sangue e experimentos realizados em camundongos.

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Para entender quais elementos poderiam estar relacionados ao Alzheimer, os cientistas compararam aproximadamente 30 metais presentes no organismo de pessoas saudáveis, indivíduos com comprometimento cognitivo leve e pacientes em estágio avançado da doença. O lítio foi o elemento que mais chamou a atenção.

A concentração do mineral era maior no cérebro de pessoas que não apresentavam problemas cognitivos. Conforme o comprometimento avançava, porém, os níveis diminuíam. A descoberta levantou a hipótese de que a perda de lítio não seja apenas uma consequência do Alzheimer, mas possa também participar do processo que favorece a evolução da doença.

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Os pesquisadores encontraram uma possível explicação para o fenômeno. O lítio parece ser atraído pelas placas de beta-amiloide, uma das características associadas ao Alzheimer. Ao se acumular nessas estruturas, o mineral deixa de circular livremente pelo cérebro e fica menos disponível para exercer suas funções nas células.

Deficiência acelerou alterações cerebrais em animais

A equipe de Harvard também avaliou o que aconteceria quando a quantidade de lítio disponível fosse reduzida. Em camundongos, os pesquisadores diminuíram a presença do mineral na alimentação até atingir concentrações cerebrais semelhantes às observadas em pacientes com Alzheimer.

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Os animais passaram a apresentar alterações que indicam prejuízos ao funcionamento cerebral, como inflamação, redução das conexões entre neurônios e danos relacionados ao envelhecimento. Nos camundongos que já tinham características da doença, a baixa quantidade de lítio acelerou o acúmulo de beta-amiloide e de alterações ligadas à proteína tau.

A deficiência também esteve associada à perda de memória e a danos em estruturas responsáveis pela comunicação e pelo funcionamento dos neurônios, incluindo sinapses, axônios e mielina.

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Depois, os cientistas testaram diferentes formas de lítio para descobrir se alguma delas poderia produzir um efeito protetor sem ser sequestrada pelas placas de beta-amiloide. O destaque foi o orotato de lítio.

Nos experimentos, o composto diminuiu o acúmulo das proteínas associadas ao Alzheimer, ajudou a preservar as células cerebrais e apresentou melhora da memória dos animais. O efeito foi observado inclusive em camundongos idosos que já apresentavam uma forma avançada das alterações relacionadas à doença.

Outro dado chamou a atenção: o orotato produziu resultados em uma quantidade muito inferior às doses normalmente utilizadas em medicamentos à base de lítio. Durante o período de acompanhamento, os animais que receberam o composto por grande parte da vida adulta também não apresentaram sinais de toxicidade.

Descoberta ainda não significa tratamento

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que a descoberta ainda está longe de representar uma nova terapia contra o Alzheimer. A maior parte das evidências experimentais veio de modelos animais, e a relação entre o lítio e a doença ainda precisa ser investigada em seres humanos.

O mineral já é utilizado há décadas no tratamento de algumas condições psiquiátricas, mas seu uso exige acompanhamento médico. Em determinadas concentrações, o lítio pode ser tóxico, especialmente para pessoas idosas.

Por isso, os autores alertam que os resultados não devem ser interpretados como uma recomendação para que pessoas passem a consumir lítio ou orotato de lítio com o objetivo de prevenir o Alzheimer.

Se os próximos estudos confirmarem a hipótese, os pesquisadores acreditam que o lítio poderá ter duas aplicações importantes no futuro. Uma delas seria utilizar seus níveis no cérebro como um possível indicador de risco para a doença. A outra seria desenvolver substâncias capazes de manter o mineral disponível para as células nervosas, impedindo que ele seja absorvido pelas placas de beta-amiloide.

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