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Risco de ditadura islâmica no Egito é obstáculo para a democracia israelense

Manifestantes saíram às ruas no Cairo para apoiar “superpoderes” do presidente Mursi

Internacional|Do R7

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Militantes islâmicos manifestaram seu apoio ao presidente do Egito, Mohammed Mursi, neste sábado (1º ), carregando o alcorão — livro sagrado do islã — e cartazes nas ruas do Cairo, capital do país
Militantes islâmicos manifestaram seu apoio ao presidente do Egito, Mohammed Mursi, neste sábado (1º ), carregando o alcorão — livro sagrado do islã — e cartazes nas ruas do Cairo, capital do país KHALED DESOUKI/AFP

Poucos meses depois que o povo egípcio elegeu democraticamente Mohammed Mursi, político que representa a organização religiosa Irmandade Muçulmana, os EUA e Israel já questionam o futuro da nova democracia do país. Atualmente dotado de capacidades que permitem a condução simultânea dos poderes executivo e legislativo do Estado, Mursi recebeu um massivo apoio da população neste sábado (1º), que com o alcorão em punho defendeu o presidente contra as críticas liberais que o acusam de autoritário.

A possibilidade de que o novo chefe de Estado egípcio se apegue ao poder e deixe de lado as reformas democráticas prometidas durante a Primavera Árabe e ao longo da campanha eleitoral é um preocupante risco para Israel, que há pouco tempo firmou um cessar-fogo com o grupo palestino Hamas, por intermédio das lideranças islâmicas do Egito.


Para tornar as coisas mais complicadas, apesar do boicote dos grupos laicos, a Assembleia Constituinte do país, dominada pelos islamitas, aprovou na sexta-feira (30) a minuta da Carta Magna.

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Os liberais se recusaram a votar na ocasião, pois alegam que o texto final norteador da nova constituição é excessivamente religioso e autoritário. O documento final foi entregue ao presidente Mursi que convocou, para o dia 15 de dezembro deste ano, um referendo popular para legitimar a legislação.


Karim Matar, membro do histórico partido opositor ao governo da Irmandade Muçulmana, o liberal Al Wafd, disse à agência Efe que lutará "até que Mursi volte para o caminho da democracia". Matar considerou que o islamita não atua "por amor ao Egito, já que não deixa de dirigir uma ditadura como era antes a dos militares". Diante das incertezas, lideranças políticas e militares israelenses acenderam o sinal de alerta.

Israel terá eleições nacionais em janeiro de 2013, por isso, a instabilidade política ou um novo regime teocrático e autoritário no vizinho Egito são temas que assustam as autoridades e os cidadãos do Estado judaico e já fazem parte do debate eleitoral do país.


Ao iniciar sua campanha de reeleição, Netanyahu concentrou seu discurso nas duras medidas que havia adotado para melhorar a segurança dos israelenses, como levantar uma cerca ao longo da fronteira com a região egípcia do Sinai e a instalação de um escudo contra mísseis lançados a partir de Gaza.

As pesquisas de opinião apontam para uma fácil vitória de Netanyahu, chefe do partido de direita Likud e quem possivelmente liderará uma coalizão que incluiria partidos nacionalistas e religiosos.

Oposição

Os partidos opositores israelenses criticaram nesta quinta-feira (29) o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, após a conquista diplomática palestina na ONU, que reconheceu a Palestina como Estado observador com 138 votos a favor, nove contra e 41 abstenções.

A presidente do Partido Trabalhista, Shelly Yajimovich, culpou Netanyahu e seu ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, pela derrota israelense no seio da ONU, que considerou um resultado direto da estagnação das negociações de paz, informou o site do jornal Yedioth Ahronoth.

Yajimovich assegurou que os dois dirigentes envergonharam Israel na esfera internacional e, ao mesmo tempo, deram aos palestinos uma vitória histórica, em uma data histórica para o Estado judeu, o 65º aniversário da resolução da ONU que aprovava sua criação.

Mais dura foi Zahava Gal On, presidente do partido pacifista Meretz, que afirmou, após conhecer os resultados, que a comunidade internacional "deu uma bofetada na cara de Netanyahu". Gal On comemorou a decisão da Assembleia Geral da ONU e opinou que a mensagem da comunidade internacional é que já é hora de Israel se transformar em um verdadeiro parceiro da paz.

A dirigente do Meretz instou o chefe do governo israelense a aproveitar esta oportunidade para reiniciar o diálogo de paz com os palestinos, estagnado há mais de dois anos.

O ministro Lieberman, por sua parte, assinalou que o discurso de Abbas na ONU demonstra que é um inimigo e que não está interessado na paz.

Netanyahu reagiu com dureza ao discurso de Abbas na Assembleia Geral, no qual este acusou Israel de realizar uma "ocupação colonial racista" e uma limpeza étnica contra os palestinos, assim como de matar civis.

"O mundo pôde ver um discurso difamatório e venenoso, cheio de propaganda mentirosa contra o Exército israelense e os cidadãos israelenses", declarou o escritório de Netanyahu em comunicado divulgado pouco depois do fim do discurso de Abbas.

"Alguém que deseja a paz não fala dessa maneira", diz a nota da Presidência do governo israelense, que acrescenta que "não se criará um Estado palestino que não garanta a segurança dos cidadãos israelenses".

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