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Rússia e Ucrânia intensificam a guerra aérea e civis pagam o preço

Ataques russos superam em muito os ataques ucranianos, com um aumento significativo no uso de mísseis balísticos

Internacional|Lauren Kent, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A guerra aérea entre Rússia e Ucrânia se intensificou, com ambos os lados superando as defesas aéreas adversárias.
  • A Ucrânia ampliou seus ataques de drones, atingindo alvos críticos na Rússia, como refinarias e infraestrutura energética.
  • Os ataques aéreos resultaram em um aumento significativo de vítimas civis, com a ONU registrando o maior número de mortos e feridos em um único mês desde 2022.
  • Apesar dos esforços diplomáticos, a guerra continua sem uma solução à vista, com pressões internas na Rússia sendo vistas como um possível fator de mudança.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Apoio internacional, especialmente dos EUA, é crucial para a Ucrânia Genya Savilov/AFP/Getty Images via CNN Newsource

As linhas de frente da invasão da Ucrânia pela Rússia estão amplamente estagnadas. Mas, nos céus, a guerra está se intensificando.

As capacidades ofensivas de cada lado agora parecem estar superando suas defesas aéreas, dizem analistas.


Isso significa que mais ataques estão atingindo seus alvos, mais infraestruturas críticas e econômicas estão sendo danificadas e mais civis são mortos a cada semana.

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“Definitivamente vemos um número aumentado de eventos (de ataque), bem como um número maior de vítimas”, disse Olha Polishchuk, gerente de pesquisa para a Europa Oriental no ACLED (Projeto de Localização e Dados de Conflitos Armados), um monitor global de conflitos. “Houve também uma escalada no que diz respeito à variedade de alvos que são atingidos.”


A Ucrânia há muito tempo consegue atingir áreas da Rússia que estão a milhares de quilômetros de distância da linha de frente, mas a sofisticação de suas tecnologias de drones aumentou rapidamente no último ano.

No final de junho, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou uma campanha de 40 dias para ampliar os ataques de drones no interior do território russo – uma iniciativa que seu principal conselheiro disse que continuará.


“Essa é uma questão significativa para a Rússia, porque obviamente os últimos 40 dias demonstraram que eles têm uma fraqueza séria quando se trata de interceptação, e a Ucrânia tem sido capaz de alcançar seus alvos com bastante sucesso”, disse Natia Seskuria, pesquisadora sênior do RUSI (Instituto Real de Serviços Unidos), um centro de estudos de segurança sediado no Reino Unido.

Em vez de ataques ocasionais de longo alcance contra refinarias de petróleo russas, a Ucrânia agora realiza ataques frequentes a refinarias, petroleiros, subestações de energia e infraestruturas energéticas mais amplas, de acordo com Polishchuk, do ACLED.


Kiev também aumentou os ataques aéreos com o objetivo de desestabilizar a logística militar russa nas áreas ocupadas do leste.

Os analistas também notaram um aumento nos ataques direcionados à economia russa de forma mais ampla, como bombardeios aos armazéns da maior varejista online da Rússia, a Wildberries.

O governo ucraniano declarou que as instalações são alvos militares legítimos porque a empresa abastece as tropas russas na linha de frente.

Kiev também rompeu recentemente as defesas russas em São Petersburgo e atingiu Moscou repetidamente.

O movimento parece ser um esforço para levar a guerra até o cotidiano dos cidadãos russos e colocar mais pressão sobre a elite empresarial, que pode ter alguma influência junto ao Kremlin, para pressionar pelo fim da invasão em grande escala.

Além disso, afirmou Seskuria, a campanha de ataques de longo alcance da Ucrânia tem o “objetivo pragmático de desacelerar a ofensiva de verão da Rússia, no sentido de sobrecarregar os recursos russos voltados para a interceptação dos ataques de drones”.

No início do conflito, a Rússia concentrava seus sistemas de defesa aérea na fronteira com a Ucrânia e ao longo da linha de frente, disseram anteriormente fontes militares ucranianas à CNN Internacional.

Mas a estratégia de Kiev tem sido atingir muitos locais diferentes dentro de áreas ocupadas do leste da Ucrânia e da Rússia, forçando os militares russos a dispersar seus sistemas de defesa aérea em uma malha mais frágil e esparsa.

Ataques recentes também expuseram como os sistemas de defesa aérea da Rússia não foram projetados para combater drones, mas sim para abater aeronaves e mísseis militares convencionais, disseram analistas anteriormente à CNN Internacional.

Um vídeo gravado em junho mostrou soldados russos correndo para responder a um ataque, disparando MANPADS (Sistemas Portáteis de Defesa Aérea) em uma rodovia movimentada.

As forças ucranianas também atingiram a Crimeia ocupada pela Rússia, com o ACLED registrando um aumento significativo em junho de ataques contra a infraestrutura energética e de transporte da península.

Mas o aumento dos ataques aéreos ocorre em ambas as direções.

“Vimos todos esses ataques que a Ucrânia conduz serem igualmente espelhados na Ucrânia”, disse Polishchuk. “Assim, após os ataques à Wildberries, por exemplo, agora muitos armazéns na Ucrânia pertencentes à loja de eletrônicos Rozetka foram alvejados.”

Enquanto isso, na linha de frente, o ACLED registrou um declínio nos confrontos armados nos últimos meses. A Rússia continua avançando e capturando alguns pequenos povoados, mas o movimento geral “tem sido muito, muito lento”, disse Polishchuk.

Número de mortos civis aumenta

A escalada na guerra aérea levou a ainda mais vítimas civis.

Em junho, a ONU (Organização das Nações Unidas) registrou o maior número de civis na Ucrânia mortos e feridos em um único mês desde 2022.

Na Ucrânia, pelo menos 1.396 civis foram mortos e 7.978 ficaram feridos no primeiro semestre deste ano – um aumento de 37% em relação ao mesmo período de 2025.

A grande maioria dessas vítimas civis ocorreu em áreas sob controle do governo ucraniano, segundo a ONU, mas algumas foram registradas em áreas ocupadas pela Rússia.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que pelo menos 797 civis russos foram mortos até agora neste ano.

A CNN Internacional e grupos internacionais de monitoramento não conseguem verificar esse número de forma independente.

Os ataques noturnos da Rússia contra a Ucrânia superam em muito o número de investidas que ela própria enfrenta em seu território.

No mês passado, Moscou lançou uma média diária de 172 ataques contra a Ucrânia, em comparação com uma média de 28 lançados por Kiev.

E, há meses, a Rússia tem aumentado a quantidade de drones, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos disparados em cada onda de ataque, uma estratégia que visa sobrecarregar as defesas aéreas ucranianas.

Esses ataques aéreos em massa somam-se a pequenos ataques com drones contra civis em cidades próximas à linha de frente, que já descreveram a sensação de serem vítimas de um “safári de drones” realizado por tropas russas. A Rússia nega ter como alvo os civis.

Em julho, a Rússia disparou 139 mísseis balísticos contra a Ucrânia, mais do que em qualquer outro mês deste ano, de acordo com análises do CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais).

Os mísseis balísticos são particularmente difíceis de combater porque se deslocam a uma velocidade e altitude que exigem mísseis interceptadores Patriot fabricados nos EUA, que são caros e escassos.

No início desta semana, pelo menos 17 pessoas foram mortas em Kiev e nas áreas vizinhas quando a Rússia disparou mais de duas dúzias de mísseis balísticos e mísseis antinavio – nenhum dos quais foi abatido.

Zelensky tem apelado repetidamente aos aliados por mais interceptadores Patriot, mas a guerra com o Irã complicou esse esforço, tendo diminuído os estoques de armas fabricadas nos EUA.

As esperanças ucranianas aumentaram quando o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu na cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) do mês passado permitir que a Ucrânia fabricasse interceptadores Patriot em seu próprio território. Mas Trump posteriormente recuou nessa posição.

Janela para a diplomacia?

Além dos interceptadores Patriot, alguns observadores notaram que tanto os Estados Unidos quanto os aliados da Ucrânia na Europa poderiam fazer mais para reforçar a posição do país e viabilizar conversas que finalmente ponham fim à guerra de quatro anos e meio.

Os EUA haviam destinado mais de US$ 130 bilhões (cerca de R$ 675 bilhões, na cotação atual), o equivalente a 115 bilhões de euros (cerca de R$ 692 bilhões, na cotação atual), em apoio à Ucrânia antes de fevereiro de 2025, de acordo com o Instituto Kiel, um centro de estudos com sede na Alemanha.

Mas o Congresso não aprovou nenhum novo grande pacote de ajuda financeira ou militar para a Ucrânia durante o segundo mandato de Trump.

A Ucrânia parece ter certo ímpeto no momento, e é plausível que alguma negociação possa acontecer quando Kiev estiver em uma posição de maior confiança, disse Polishchuk. “Mas, pelo que vimos até agora, tem sido ineficaz tentar negociar com a Rússia.”

Ela afirmou ser mais provável que os cálculos de guerra do presidente russo Vladimir Putin mudem apenas com base na pressão interna na Rússia, que pode aumentar à medida que sua economia sofre.

Seskuria, do RUSI, também afirmou não ver uma janela favorável para a diplomacia neste momento.

“(Putin) já não tem a influência que tinha nos tempos em que começou a negociar com os Estados Unidos, e os Estados Unidos naquela época tinham uma posição mais favorável em relação à Rússia”, disse ela à CNN Internacional, acrescentando que atualmente seria difícil para o Kremlin apresentar um fim da guerra como uma grande vitória.

“Acho que a outra opção é a escalada, o que provavelmente é mais provável.”

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