Síria julga primeiro parente de Bashar al-Assad desde queda do antigo regime
Caso faz parte dos processos abertos após a queda do ex-presidente, que fugiu para a Rússia em dezembro de 2024
Internacional|Do Estadão Conteúdo
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Um tribunal da Síria iniciou, nesta quarta-feira (24), o processo contra Uasim al Assad, primo do presidente deposto da Síria, Bashar al Assad, após sua prisão em junho de 2025, em uma operação realizada perto da fronteira com o Líbano.
De acordo com informações da Sana (Agência de Notícias Estatal Síria), o homem é acusado de “inúmeros crimes contra o povo sírio”, incluindo a formação de milícias envolvidas em crimes contra a população.
A primeira sessão do julgamento contra Al Assad ocorreu no Palácio da Justiça de Damasco, onde o primo do ex-líder compareceu para responder também por acusações de tortura, sequestro e tráfico de drogas.
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O porta-voz do Ministério do Interior sírio, Nurredín al Baba, afirmou, após a prisão do primo em uma “operação de segurança precisa”, que as novas autoridades dispunham de provas documentais de suas ações e antecipou que as investigações poderiam revelar novas acusações.
O primo de Al Assad é suspeito de estar por trás de “grupos armados irregulares” sob o comando de Guiaz Dala, um comandante de uma unidade do exército que estava sob o comando de Maher al Assad, irmão do ex-presidente e considerado uma das figuras centrais no aparato repressivo de Damasco.
O caso faz parte dos processos de justiça de transição abertos após a queda de Al Assad, que fugiu para a Rússia no início de dezembro de 2024 devido a uma ofensiva de jihadistas e rebeldes liderados pelo HTS (Hayat Tahrir al Sham), cujo líder, Ahmed al Shara, é agora o presidente do país asiático.
A Presidência da Síria anunciou também, em maio de 2025, a criação de duas comissões que se dedicarão ao processo de reparação e busca de desaparecidos para julgar crimes cometidos durante o regime de Al Assad, em meio a críticas por seu mandato limitado, que deixa de lado as ações de grupos contrários ao ex-líder, incluindo jihadistas, e prejudica as possibilidades de prestação de contas e indenização às vítimas.
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