Trump pode ter cometido no Irã o mesmo erro de Putin na Ucrânia, diz especialista
Segundo entrevistado, presidente norte-americano não contava com a possibilidade de o regime dos aiatolás resistir aos primeiros ataques
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O valor do barril de petróleo tipo Brent caiu em mais de 10% e o mundo teve um breve alívio quanto às tensões no Oriente Médio depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã anunciou nesta sexta-feira (17) a reabertura do estreito de Ormuz. O presidente Donald Trump agradeceu a decisão, mas afirmou que o bloqueio naval dos Estados Unidos deverá permanecer até a paz ser alcançada; mas, quanto tempo falta até isso acontecer?
“Se existe a possibilidade de isso acabar de uma maneira rápida? Eu, particularmente, tenho minhas dúvidas”, afirmou desanimado o consultor de risco político e relações internacionais Marcelo Suano, no Conexão Record News da sexta-feira. Segundo ele, as negociações de paz inconclusivas — que mais se assemelham a ofertas de barganha — e as divergências entre os objetivos das nações são os principais desafios enfrentados.

“Quando você olha os pontos que estão sendo elencados, eles são totalmente contraditórios. O ponto que o Irã coloca é a exclusão daquilo que os Estados Unidos exigem”, explica o especialista. Na opinião dele, uma paz frágil, que visa mais reparar os danos econômicos que cada país enfrenta, é mais provável do que o encerramento definitivo do conflito.
Suano menciona novamente que, para que tal cenário possa ocorrer, os EUA precisariam liderar um ataque anfíbio ao longo da costa iraniana que destruísse os principais pontos de comércio e energia do país. Contudo, ele destaca que as táticas norte-americanas até agora têm sido decepcionantes: “Os EUA têm que encerrar essa guerra evitando cometer erros estratégicos, mas já estão cometendo erros estratégicos, militares e diplomáticos”.
O consultor fez uma comparação com a guerra da Ucrânia, na qual a Rússia teria começado por acreditar que, devido à baixa popularidade de Volodymyr Zelensky em 2022, o líder abdicaria após os primeiros ataques e o conflito teria terminado após poucas semanas. “A guerra já está aí há quatro anos“, lembra Suano, indicando que Vladimir Putin pode ter começado o conflito munido de uma informação errada, com uma expectativa que não se confirmou.
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“No caso dos Estados Unidos, muito provavelmente tenha acontecido o mesmo erro. ‘Basta nós bombardearmos, a sociedade está em caos e a sociedade vai apoiar a derrubada do regime’. O que ocorreu? Não levaram em consideração no cálculo de custo-benefício a força que tem a Guarda Revolucionária e, em especial, os basijs para massacrar a própria população. Talvez tenha sido um erro estratégico. Ele [Donald Trump] tinha que ter entrado de uma vez para encerrar rapidamente o conflito”, argumenta.
Agora, Trump cogita ir pessoalmente até o Irã para acelerar as reuniões. Suano entende que a visita do presidente indica, ao mesmo tempo, desespero e empenho por parte do político para encerrar a guerra. Porém, discordâncias em torno do programa nuclear do Irã podem fazer com que a guerra continue a ser um motivo de preocupação no futuro político do líder estadunidense.
“O governo iraniano não está preocupado, porque eles vivem do massacre do próprio povo, então eles não precisam se preocupar com isso. Quem está preocupado é o Trump, porque lá ele vive em uma democracia e a oposição já está ativa para tentar bater”, concluiu o especialista.
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