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JR ENTREVISTA: El Niño atual é o mais intenso dos últimos 76 anos, alerta meteorologista

Meteorologista explica recorde de aquecimento no Pacífico e impactos do El Niño no agronegócio e nas cidades

JR Entrevista|Do R7

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O convidado do JR Entrevista é o meteorologista Francisco de Assis Diniz, ex-diretor do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e representante do Brasil na OMM (Organização Meteorológica Mundial). Em entrevista à jornalista Tainá Farfan, ele falou sobre a intensidade do atual fenômeno El Niño, os impactos na produção agrícola brasileira, os transtornos nos centros urbanos e a dinâmica natural das mudanças climáticas globais.

Segundo o especialista, o centro do Oceano Pacífico Equatorial registra uma anomalia térmica de 2,7°C acima da média histórica, superando os picos registrados desde o início das medições, em 1950. Diniz também destacou a possibilidade de o aquecimento atingir ou superar 3°C entre dezembro e janeiro, conforme projeções da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

Apesar da intensidade, ele ressaltou que a expressão “super El Niño” não é uma classificação científica. O meteorologista explicou ainda que o fenômeno é natural, embora o aquecimento global possa contribuir para aumentar a frequência de eventos climáticos extremos.

Na agricultura, a irregularidade das chuvas e as altas temperaturas prejudicam lavouras no Centro-Oeste e na região do Matopiba, que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. “Como causa alta irregularidade nas chuvas, causa também perda no plantio que já existia. Quem já plantou termina perdendo, e aí vai fazer com que haja replantio de novo, por exemplo, da soja”, explicou Diniz. O meteorologista citou a queda na produção de soja em Mato Grosso na safra 2023/2024, que caiu de 47 milhões para 40 milhões de toneladas devido ao fenômeno.

Nas cidades, os impactos urbanos variam entre a seca prolongada no Norte e os temporais no Sul. “A região de Manaus vem sofrendo muito devido às altas temperaturas e à concentração de fumaça que está muito grande na cidade”, relatou Francisco de Assis Diniz, destacando que, nos municípios sulistas, “os temporais e os ventos fortes causam realmente estrago e muitos danos”.

No meio rural do Sul, o excesso de chuva e o granizo afetam lavouras de trigo, mas o meteorologista alertou que o cenário pode se agravar na transição para o próximo ciclo climático: “A Região Sul sofre mais com perdas com a La Niña do que com o El Niño. O El Niño é mais um problema de defesa civil, mas, em termos de agricultura, a La Niña causa mais prejuízo porque provoca estiagens prolongadas e seca”, explicou.

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