JR ENTREVISTA: Punição pode dissuadir pessoas de cometerem crimes, diz Barroso sobre trama golpista
Para ministro, julgamento de Bolsonaro pode encerrar a ideia de que ‘quem perde pode tentar virar a mesa’
JR Entrevista|Do R7
O convidado do JR ENTREVISTA desta quinta-feira (25) é o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luís Roberto Barroso. Ao jornalista Clébio Cavagnolle, ele faz um balanço dos dois anos em que esteve à frente da Corte e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), comenta sobre a tensão entre Estados Unidos e Brasil e destaca o caráter pedagógico do julgamento do chamado núcleo crucial da trama golpista.
Barroso ressaltou que, embora ninguém fique feliz em condenar ninguém, o julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros aliados era imprescindível para ter uma democracia saudável e para encerrar a ideia de que "quem perde pode tentar virar a mesa".
O ministro contrastou a tentativa de golpe com o período de estabilidade democrática vivido no país. Ele lembrou que, sob a Constituição de 1988, o Brasil completou aproximadamente 37 anos de estabilidade institucional e, desde 1985, 40 anos de poder civil. Barroso destacou que a tentativa de golpe julgada era uma volta a um passado do qual o país queria virar a página.
“A punição funciona como uma forma de dissuadir as pessoas de cometerem crimes”, pontuou. “Esse julgamento simboliza o fim dos ciclos do atraso na institucionalidade brasileira”, completou Barroso.
O presidente do STF disse estar convencido de que as punições nos Estados Unidos a ministros do tribunal decorrem de uma narrativa equivocada que prevaleceu junto às autoridades daquele país, pois a diplomacia brasileira não conseguiu entregar a narrativa factual correta de que houve uma tentativa de golpe.
Barroso opinou que é totalmente fora do padrão um país procurar interferir nas decisões judiciais de outro. Segundo ele, o STF está cuidando de "seu jardim" e não busca produzir efeitos no exterior.
Sobre a gestão dele como presidente do Supremo, Barroso classificou o período como "muito fecundo” e ressaltou que houve um "clima muito harmonioso e colaborativo entre os ministros".
O ministro ainda reconheceu ter ficado arrependido de uma declaração dada em julho de 2023, quando afirmou que “nós derrotamos o bolsonarismo”. Ele disse que a expressão deu a impressão errada de que o Supremo havia derrotado o movimento. O ministro considerou um erro "fulanizar" o adversário, pois por temperamento, nunca gostou de personalizar.
Barroso destacou que nunca respondeu nem mesmo quando o ex-presidente lhe dirigiu ofensas e "barbaridades". O que ele queria dizer era que havia derrotado o extremismo, a "forma grosseira, intolerante e agressiva de fazer política".
O JR Entrevista também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.
Últimas

JR ENTREVISTA com a coordenadora de programa do Fundo de População da ONU no Brasil, Anna Cunha
Segundo a ONU, 77% das pessoas envolvidas em casamentos infantis são meninas; 34 mil uniões foram registradas entre crianças de 10 a 14 anos

JR ENTREVISTA com o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo
Gláucio Araújo diz que MPT já recebeu mais de 250 denúncias e critica fraudes em contratos de trabalho

JR ENTREVISTA com a coordenadora de Modernização Tecnológica do Ministério da Justiça, Beatriz Fig
Beatriz Figueiredo detalha como funciona a coleta de material genético e reforça importância da denúncia de desaparecidos

JR ENTREVISTA com o presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller
Presidente da agência afirma que cerca de 5.300 empresas serão atendidas pelo plano de diversificação de exportações

JR ENTREVISTA com a secretária do Ministério da Justiça Sheila de Carvalho
Secretária discute avanços e desafios no combate à violência contra a mulher no Brasil

JR Entrevista Minas: Desafios da Inteligência Artificial nas Campanhas Eleitorais
A IA está transformando campanhas eleitorais, exigindo novas estratégias da justiça eleitoral para garantir a integridade das eleições

JR ENTREVISTA: 'Zerar a fila será inédito', diz ministro da Previdência Social sobre INSS
Wolney Queiroz falou ainda que a meta é que o tempo de resposta não ultrapasse os 45 dias, conforme estipulado pelo TCU

JR ENTREVISTA: presidente da CNT analisa gargalos do transporte e custos da redução de jornada
Vander Costa destacou que, embora o tarifaço preocupe, a alta do custo do diesel é hoje o impacto mais imediato

JR Entrevista com o ministro da CGU, Vinicius Carvalho
Vinicius Carvalho detalhou o ressarcimento de 5 milhões de segurados do INSS e as auditorias em ‘emendas Pix’

JR Entrevista com o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares
Rodrigo Soares citou inovação tecnológica, impactos da reforma tributária e o fortalecimento do apoio aos pequenos negócios

JR Entrevista com o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira
Paulo Henrique Pereira afirmou que governo federal ‘cortou da própria carne’ para garantir reajuste do teto do MEI

JR Entrevista com o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues
Líder do governo alerta para impacto fiscal de R$ 60 bilhões e afirma que ‘não há blindagem’ em investigações da PF

JR Entrevista com o ministro da Fazenda, Dario Durigan
Ministro da Fazenda afirmou que cenário econômico é ideal para a mudança e que proposta alcançou um ‘grau de maturidade’ suficiente

JR ENTREVISTA com o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior
Fausto Augusto Junior detalhou legado de 80 anos da instituição e ações para elevar a escolaridade e a saúde mental do trabalhador

JR ENTREVISTA com a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade
Ex-diretora da Fiocruz lança livro sobre os impactos da pandemia da Covid-19 no Brasil


