Câmara de BH ouve testemunhas em processo contra vereador
Comissão processante apura se o ex-presidente da Casa, Wellington Magalhães, pode perder o mandato por quebra de decoro parlamentar
Minas Gerais|André Rocha, da RecordTV Minas

Duas testemunhas foram ouvidas nesta segunda-feira (30) na Câmara Municipal de Belo Horizonte, durante audiência da comissão processante que investiga se o vereador Wellington Magalhães (DC) cometeu quebra de decoro parlamentar.
A ex-chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Andrea Vacchiano foi a primeira a ser ouvida. Ela ocupou o cargo quando Magalhães estava sendo investigado pela corporação por fazer parte de uma quadrilha que teria desviado R$ 30 milhões por meio de contratos de publicidade do Legislativo municipal.
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Segundo a delegada, agora aposentada, o então secretário de Governo do então governador Fernando Pimentel (PT), Odair Cunha (PT), que hoje ocupa o cargo de deputado federal, pediu a ela que atendesse aos pedidos feitos por Wellington Magalhães.
— Conheci pessoalmente o vereador quando eu fui chamada no Palácio do Governo pelo então secretário de Governo Odair Cunha, no sentido de conhecê-lo e, segundo o secretário, eu deveria atender a todos os pedidos do Wellington Magalhães.
A ex-chefe da Polícia Civil, Andrea Vacchiano conta que as investigações começaram a partir de denúncias anônimas contra o parlamentar. As alegações eram que Magalhães cometia crimes como lavagem de dinheiro e tinha ligações com organizações criminosas. Andrea disse, ainda, que recebeu pedidos por parte do vereador para que policiais fossem transferidos de unidades e até mesmo para outras cidades e confirmou, ainda, que o vereador tinha influência dentro da corporação.
— Eu somente recebia pedidos de mudanças de policiais de uma cidade para outra, colocação no Departamento de Trânsito, etc.
Ainda durante o depoimento, Andrea disse que acredita que um dos motivos de ter sido retirada da chefia da Polícia Civil foi o fato de ela não atender aos pedidos de Wellington.
Outra testemunha ouvida na comissão processante nesta segunda-feira (30), foi o vereador Gabriel Azevedo (PHS). Em seu depoimento, ele afirmou que foi ameaçado por pessoas ligadas a Wellington.
— Ele mencionou o fato de eu andar de bicicleta: - olha, você fica andando de bicicleta, qualquer dia não chega em casa. Além de xingamentos pessoais, gritos e vaias.
Em uma outra ocasião, segundo o parlamentar, uma outra pessoa ligada a Wellington invadiu o gabinete dele.
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— Quando a porta se abriu, ele foi entrando e a gente ficou surpreso com a forma como ele adentrou gabinete. Ele disse que queria saber porque é que eu o estaria citando em uma colaboração com o Ministério Público e que queria tirar satisfações.
O vereador Wellington Magalhães não compareceu à audiência e foi representado pelo advogado Sérgio Santos Rodrigues. Segundo ele, não houve qualquer fato novo na oitiva de hoje. Segudo ele, Andrea Vacchiano deixou claro que Wellington Magalhães nunca ameaçou ninguém e nem pediu nada em relação a investigações, apenas sobre a transferência de policiais.
Sobre a influência na destituição de Andrea da chefia da Polícia Civil, ele afirmou que isso é atribuição do governador do Estado. Sobre as ameaças ao vereador Gabriel Azevedo, o advogado disse que esses homens nunca integraram o gabinete de Magalhães.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do deputado Odair Cunha, mas não obteve retorno.
A comissão processante confirmou para 15 de outubro a continuação das oitivas. Prestarão depoimento o vereador Henrique Braga (PSDB), o advogado Mariel Marra, autor da primeira denúncia contra Wellington Magalhães e a delegada Rafaela Gigliotti.















