No último dia de júri, MPF reforça provas de mandantes de chacina
Mânica nega crimes; Castro confessou uma morte e tenta escapar de 3 condenações
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7

Os debates entre defesa e acusação abriram o último dia de julgamento da Chacina de Unaí, nesta sexta-feira (30), em Belo Horizonte. Nas 2h30 destinadas à acusação, o Ministério Público Federal procurou reforçar a participação de Norberto Mânica como mandante, lembrando as ligações telefônicas entre os réus e a confissão dos pistoleiros.
Quando fotos das vítimas baleadas foram exibidas aos jurados, a viúva do fiscal Erástones de Almeida Gonçalves passou mal e precisou sair da sala por alguns minutos. Gustavo Torres criticou as estratégias usadas pelos réus para adiarem os julgamentos por 12 anos e tentou desqualificar as alegações dos advogados de defesa.
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Pistoleiro confessa duas mortes e entrega "Rei do Feijão" como mandante
José Alberto Castro confessou participação na morte do fiscal Nelson José da Silva durante depoimento na noite de quinta-feira (29), mas nega que tenha encomendado as outras três mortes. Segundo ele, os pistoleiros agiram por conta própria ao ver os quatro reunidos. Com isso, tenta escapar da condenação pelos outros três homicídios. Ele ainda revelou aos jurados que nunca teve contato com Mânica, mas que ouvia dizer que o "Rei do Feijão" queria a morte do fiscal.
Cléber Lopes, advogado de Castro, afirma que o cliente não mudou a versão, apenas esperou o momento para contá-la aos jurados.
— Esse discurso não foi criado hoje, é o que ele conta desde 2004. Ele não disse antes porque o juiz é o conselho de sentença.
Já o defensor de Mânica, Antônio Carlos de Almeida Castro, acredita ter desconstruído as provas da acusação.
— A falsa motivação que levou Norberto a estar sentado aqui hoje foi destruída pela defesa técnica. Como não estão presos, Mânica e Castro podem continuar em liberdade mesmo se forem condenados.
Para a viúva de Erástones, Marinês Lima, não há outro resultado possível além da condenação.
— Eu acredito na Justiça Plena, na condenação de todos.
Depois das alegações da defesa, a acusação pode pedir mais 1h30 para réplica e a defesa teria direito ao mesmo tempo para tréplica. Em seguida, os jurados se reúnem para decidir se Mânica e Castro são culpados e por quantos crimes.
Três réus já foram condenados a 226 anos de prisão pela morte de três auditores e um motorista.O empresário cerealista Hugo Pimenta, que intermediou a contratação dos pistoleiros, será julgado a partir de 10 de novembro. O irmão de Norberto, Antério Mânica, ex-prefeito da cidade, também enfrentará o júri neste ano.















