"Tarifa Zero" promete novo protesto após confronto com PM em BH
Na quarta-feira (12), 61 pessoas foram detidas durante ato contra aumento das passagens
Minas Gerais|Do R7


Após cenas de confronto entre Polícia Militar e manifestantes registradas na última quarta-feira (12), um novo ato será realizado nesta sexta-feira (14), em Belo Horizonte. O protesto contra o aumento da passagem na capital mineira é organizado pelo movimento Tarifa Zero BH e, até o fechamento desta reportagem, já contava com 3.400 pessoas confirmadas através da página no Facebook. A manifestação, que ainda não tem o trajeto definido, deverá ocorrer no centro da cidade.
A integrante do Tarifa Zero, Letícia Domingues, de 22 anos, ressalta que a expectativa é que o ato seja maior do que o primeiro. Ela afirma ainda que voltar às ruas será ainda uma forma de protestar contra a reação "abusiva" da PM na quarta-feira (12), que acabou prendendo 61 pessoas. No total, dez ficaram feridos.
— Depois da manifestação que teve resultados completamente abusivos por parte da PM, a gente vai seguir nas ruas para mostrar que a tática de repressão não pode ser usada na luta pelos nossos direitos. A gente vai fazer mais um ato e convoca toda a população para participar.
Entenda
A prisão dos manifestantes aconteceu após um confronto com a PM. Houve disparo de balas de borracha e uso de bombas de efeito moral por parte dos militares do Batalhão de Choque. Segundo o comandante do batalhão de Choque da PM, Gianfranco Caiafa, isso foi feito em resposta a pedras que teriam sido arremessadas pelos manifestantes em direção aos policiais.
— Até então, nós não tínhamos usado força. Eles mesmos começaram a nos a atacar. Eu fui o primeiro a tomar pedrada e minha mão está machucada.
No entanto, Letícia afirma que a suposta agressão não foi confirmada e considera a reação policial exagerada.
— Mesmo que tenha ocorrido, uma pedra não é proporcional à força que os policiais utilizaram e deixaram tantos feridos.
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PM admite "usar força" novamente
O comandante do Batalhão de Choque admitiu ainda que poderá recorrer novamente às balas de borracha e bombas de efeito moral caso seja necessário. Ele alega que a corporação pretende negociar com os manifestantes para que uma faixa de trânsito seja mantida livre.
— É só isso que a gente quer, é um pedido bem razoável. Se não deixarem essa faixa livre, nós vamos negociar. Se eu receber a ordem, eu vou usar a força para desobstruir.
Defensoria Pública tenta suspende reajuste
Nessa quarta-feira, a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais anunciou que entrou com nova ação civil pública para tentar suspender o aumento das passagens. O órgão pede nova liminar para reverter o reajuste, colocado em prática desde o último sábado (8). As tarifas passaram de R$ 3,10 para R$ 3.40.
Na última sexta-feira (7), a Justiça derrubou a liminar que suspendia o aumento da tarifa na capital mineira. De acordo com o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), o desembargador Barros Levenhagen, da 5ª Câmara Cível, aceitou o recurso da prefeitura e desconstituiu a decisão tomada em primeira instância, que proibia a elevação dos preços.















