TJMG decide se acusado de matar advogada em BH será levado a júri popular
Raul Rodrigues Costa Lages recorre da decisão que o pronunciou; caso foi tratado como suicídio e depois investigado como feminicídio
Minas Gerais|Lucas Eugênio e Pablo Nascimento, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) analisa, nesta terça-feira (14), o recurso apresentado pela defesa do advogado Raul Rodrigues Costa Lages, acusado de matar a companheira, a advogada Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, de 40 anos, em Belo Horizonte. A Corte vai decidir se mantém a decisão que pronunciou o réu para ser julgado pelo Tribunal do Júri.
A informação sobre o julgamento foi divulgada pela família da vítima por meio da página “Justiça por Carol”, criada nas redes sociais para acompanhar o andamento do processo e cobrar justiça.
Relembre
Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, de 40 anos, morreu em junho de 2022 após cair do oitavo andar do prédio onde morava, no bairro São Bento, na região Centro-Sul da capital. Na época, a ocorrência foi registrada como suicídio, mas a investigação da Polícia Civil concluiu que a advogada foi vítima de feminicídio.
Segundo o inquérito, após uma discussão, Raul teria empurrado Carolina, que ficou desacordada. Em seguida, de acordo com a investigação, ele cortou a tela de proteção da janela e arremessou o corpo da vítima do oitavo andar para simular um suicídio. O Ministério Público denunciou o advogado por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio.
As investigações também revelaram que o relacionamento era marcado por violência psicológica e controle. Três meses antes de morrer, Carolina enviou um e-mail para si mesma relatando episódios de manipulação, isolamento e ameaças atribuídas ao companheiro. O documento foi incorporado ao inquérito e reforçou a linha investigativa adotada pela Polícia Civil.
Durante a tramitação do processo, a defesa chegou a pedir a realização de uma autópsia psicológica da vítima, mas a solicitação foi negada pela Justiça. Em dezembro de 2024, a Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) suspendeu preventivamente o registro profissional de Raul em razão da gravidade dos fatos investigados. Ele responde ao processo em liberdade.
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