A marca de hambúrguer que todo mundo conhece antes de chegar ao Brasil
Rede anuncia desembarque no país com lembrança espontânea de gigante. A dúvida é quem estava do outro lado da pergunta

Não tinha como falar de outro assunto, senão do anúncio da chegada da Shake Shack em Terra Brasilis. Não porque seja o assunto mais importante do momento, mas porque sou apaixonado por hambúrguer. E, de tudo que li sobre a novidade, o que mais me chamou a atenção foi saber que a marca já aparece bem citada em pesquisa com futuros consumidores. Desconfiei da pesquisa...
Pior é que a frase do CEO da Bold, que está trazendo a Shake, é “No awareness (lembrança de marca) não estimulado, ela atingiu um nível semelhante ao de marcas que já estão no Brasil há décadas”.
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Ou seja, saíram na rua e perguntaram: “E aí? Que marcas de fast food de hambúrguer você conhece?”. E, no meio de todas as respostas, Shake Shack já está no nível de uma Burger King ou Subway da vida.
Parece mais que os 4 mil entrevistados foram todos moradores dos Jardins, em São Paulo, ou do Leblon, no Rio. Aí, talvez, Shake Shack seja realmente conhecida...
Já sei o que você pensou. “Murilo, faltou o contexto... Eles pesquisaram com o público-alvo, classe A, que já foi aos Isteites e foi exposto a alguma das 710 lojas que a marca tem...”
Ah, bom! Se for assim, ok. Mas os mal-entendidos surgem de coisas não faladas, dos detalhes não explicados. E se o investimento na franquia for decidido como se todos os brasileiros a conhecessem, vamos ter um problema. Como são só 40 lojas pensadas pro país, é só abrir em shoppings chiques, tá resolvido...
A vida da Shake Shack não vai ser fácil. Hamburguerias gourmet são uma realidade em toda grande cidade e ela vai ter que brigar com marcas diferentes em cidades diferentes. Mas tem uma coisa na história da rede que me surpreende. A capacidade do americano de empacotar o sucesso e sair repetindo a fórmula por tudo quanto é lado.
Shake Shack apareceu em 2004, como uma barraquinha de sanduba numa praça em Manhattan, Nova York. Vinte e poucos anos depois, já tem mais de 700 lojas, sendo 250 fora dos EUA.
Em termos de crescimento, até parece a Bacio di Latte. Só que, enquanto a sorveteria cresce com investimento próprio, Shake Shack cresce com franquias, o que é mais difícil de controlar. Os nossos irmãos do país do presidente de cabelos de fogo sabem impor uma disciplina que a gente deveria aprender a ter.
De todo modo, bem-vinda, Shake Shack! Como um viciado em hambúrguer, já estou na fila mental dos consumidores dos seus produtos. Pra ser perfeito, só precisa servir Fanta junto...
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