Prometeram os bastidores; entregaram o preço da carne
Um anúncio num jornal de economia, uma promessa de transformação e um clique que levou o leitor para a conversa errada
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vivo dizendo que a comunicação acontece no ouvido de quem ouve, não de quem fala. Nos olhos de quem lê, não de quem escreve. A gente não controla quem recebe nossas mensagens, por isso precisamos controlar bem o que enviamos.
Foi isso que pensei quando comecei a ler um dos principais jornais de economia do país e fui acertado em cheio pelo banner do Assaí Atacadista. A mensagem era clara: a empresa é um modelo em transformação. Marcas próprias, farmácias e postos de recarga. O bichinho de marketing que vive dentro de mim ficou curiosíssimo.
Curiosidade mata. Cliquei no banner e fui enviado para o site da atacadista. Você pensou: “Ué! Não está certo?” Deveria, se a minha expectativa de ler detalhes não tivesse sido criada pelo próprio gatilho que a empresa deixou no anúncio: “...e muito mais”.
O veículo de comunicação, um jornal econômico, já não me leva a pensar em comprar detergentes e sabonetes. E o título me faz pensar que vou conhecer o segredo por trás da marca que tem crescido tanto em Terra Brasilis.
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Toda empresa, ao anunciar, deveria ter somente um objetivo: qual é a transformação que espero que aconteça com meu consumidor ao ter contato com minha comunicação? É para isso que trabalhamos. Mudar uma opinião, um comportamento, um hábito. A pessoa impactada precisa sair transformada. E comunicação é uma jornada.
Quando estou lendo um site de notícias econômicas, não estou pensando nas compras do mês. Quando sou impactado pela mensagem de “como transformamos nosso negócio e com isso crescemos”, minha expectativa é clicar e conhecer os segredos por trás dessa mudança.
A empresa é boazinha? Vai me contar seus segredos sem pedir nada em troca? Claro que não. Os objetivos podem ser vários: valorizar as ações, atrair novos fornecedores, novos funcionários, vários. Mas, na ordem de prioridade, vender Coca-Cola de dois litros talvez seja a última.
Fazer comunicação é uma arte. Tem sempre um mal-humorado de plantão no nosso caminho. Mas é controlando todas as possíveis reações que fazemos uma propaganda que funciona. Esperava conhecer os segredos do Assaí. Descobri o preço do quilo de carne...
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