Fim dos carros baratos? Saiba porque os carros ficaram mais caros nos últimos anos
Mais itens de segurança, novos itens de comodidade e investimentos em eletrificação explicam em parte porquê os carros ficaram tão caros por aqui
Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

O mercado automotivo vive tempos de mudança de conceitos e isso se reflete no posicionamento das marcas em relação aos carros baratos. O carro popular é um conceito antigo, que vinha da época da motorização da Europa e dos Estados Unidos onde surgiram ícones acessíveis como o Fusca, o Citroën 2CV, o Renault 4CV, o Romi Isetta, o Fiat 500, o Ford T e tantos outros. Mas é fato que esse tempo ficou para trás. Mas quais são os motivos que levaram a essa subida de preços e um quase abandono de modelos mais acessíveis?

Primeiro que esse não é um fenômeno do Brasil. Ele ocorre em escala mundial. Na Europa, ícones dos modelos compactos perderam espaço. Nos Estados Unidos ocorre o mesmo: o Mitsubishi Mirage e o Kia Rio estão com os dias contados assim como o Chevrolet Spark e Hyundai Accent que saíram de linha e hoje há pouquíssimos veículos abaixo dos US$ 20 mil, uma "linha de corte" dos carros de entrada por lá.

No Brasil a maioria dos carros pertence ao segmento de entrada. Há cerca de 15 anos 70% das vendas estavam concentradas em modelos de entrada e hoje esse número não chega a 35%. E mesmo com uma frota que supera 60 milhões de veículos, não são todos os brasileiros que tem acesso a um carro. Soma-se a isso as leis de segurança que tornaram os veículos mais caros o que já vem resultando em uma frota mais velha alimentando um ciclo perigoso de vendas em baixa e preços mais altos que só fazem aumentar a circulação de carros mais velhos. Somado a isso nos últimos dez anos dois movimentos ceifaram a oferta de modelos de baixo custo. Foi na virada de 2013, quando passou a vigorar a lei que obriga a instalação de freios ABS e dois airbags (tirando de linha modelos como o Fiat Uno e a VW Kombi) e mais recentemente com a entrada de novos itens de segurança obrigatórios.

A partir de 2020, controles de tração e estabilidade, alerta de cinto não atado visual e sonoro se tornaram obrigatórios. Neste mesmo ano onde ocorreu a pandemia, os custos dos insumos como metal, borracha e os chamados semicondutores subiram em média 40% elevando o preço do processo de produção do automóvel. O resultado? Preços mais altos e no caso do Brasil, novos itens de segurança fizeram o valor subir ainda mais.

Por isso modelos de entrada como Fiat Mobi e Renault Kwid que custavam na faixa de R$ 30 mil em suas versões de entrada em 2018, dobraram de preço cinco anos depois. Além do aumento dos insumos que impactam no custo de produção do carro há uma série de novos itens de série obrigatórios que também em preços mais altos. Sem falar que a indústria deixou de oferecer carros sem direção assistida ou ar condicionado no mercado. E esses subcompactos de entrada na faixa de R$ 30 mil não traziam nenhum desses itens nos modelos de entrada.

Por conta destes fatores, a indústria em si buscou maiores margens de lucro. Com custo mais alto de produção e a necessidade de instalar mais dispositivos de segurança, a busca por modelos maiores como SUVs e pickups que trazm maior lucratividade, só cresceu.
E, por fim, além dos dispositivos de segurança, a indústria vem investindo cada vez mais em novas tecnologias especialmente a transição para a eletrificação. Tanto o desenvolvimento, a produção de baterias, investimetnos em pontos de carga e outros pontos vitais também exigem um grande investimento. E parte desse lucro financia novos projetos de carros que virão no futuro.

E quais são os carros mais baratos do mercado brasileiro em 2023?
Renault Kwid Zen 1.0 - R$ 68.990
Fiat Mobi Like 1.0 - R$ 68.990
Citroën C3 Live 1.0 - R$ 72.990
Renault Stepway Zen 1.0 - R$ 79.990
Peugeot 208 Like 1.0 - R$ 79.990
Fiat Argo 1.0 - R$ 80.790
Hyundai HB20 Sense 1.0 - R$ 82.290
Volkswagen Polo Track 1.0 - R$ 84.690
Fiat Cronos 1.0 - R$ 84.790
Chevrolet Onix 1.0 - R$ 84.850















