BAIC já tem estratégia para montar veículos no Brasil; lançamento será no Festival Interlagos
Marca chinesa descarta montagem convencional por kits CKD e pretende nacionalizar componentes gradualmente

A BAIC pretende adotar no Brasil uma estratégia industrial semelhante à escolhida pela GWM: importar individualmente as peças necessárias para produzir seus veículos, em vez de trazer kits completos no sistema CKD. A informação foi revelada por Oswaldo Ramos, responsável pela operação brasileira da fabricante chinesa, durante o Congresso & ExpoFenabrave 2026, realizado em São Paulo. A fala do executivo traz os primeiros passos da BAIC que vai se revelar ao público pela primeira vez no Festival Interlagos na próxima semana.

A BAIC pretende importar componentes separadamente, organizando o abastecimento da linha dentro do Brasil e incorporando peças nacionais à medida que fornecedores forem homologados. A estratégia foi adotada pela GWM, que monta o Haval H6, Haval H9 e a picape Poer no país.

“Não vamos trabalhar em CKD. Vamos fazer como a GWM: trazer as peças separadamente”, afirmou Ramos, segundo o site Automotive Business. O executivo conhece esse processo porque participou da implantação da GWM no país antes de assumir o comando operacional da BAIC.

No entanto o valor do investimento da BAIC no país não foi revelado. “A matriz está avaliando o valor do investimento total que será feito por aqui”, complementou.Estratégia permite nacionalizar peças gradualmenteO sistema “peça a peça” é mais trabalhoso, pois exige controle logístico de milhares de componentes, fornecedores e códigos diferentes. Em contrapartida, oferece maior flexibilidade para substituir progressivamente itens importados por equivalentes nacionais. Pneus, vidros, bancos, baterias auxiliares, chicotes elétricos, acabamentos e componentes plásticos estão entre os materiais que podem ser produzidos localmente nas primeiras fases.

Essa é a estratégia adotada pela GWM na fábrica de Iracemápolis, no interior paulista. A empresa iniciou a operação importando aproximadamente 3 mil componentes diferentes e enquadrou cerca de 60% das peças sem similar nacional no regime de ex-tarifário. Nesses casos, a alíquota de importação pode cair para 2%. Os demais componentes pagam tarifas que variam conforme a classificação fiscal.

A alternativa também reduz a dependência das cotas temporárias concedidas pelo Governo Federal para veículos importados em CKD ou SKD. Essas cotas têm prazo e valor limitados, além de enfrentarem resistência de fabricantes já instalados e da indústria brasileira de autopeças. Ao trazer cada componente separadamente, a BAIC pretende construir um processo industrial mais permanente e preparado para aumentar o conteúdo local.Produção começará com eletrificadosRamos confirmou que a produção brasileira deverá começar por veículos eletrificados. A BAIC ainda não anunciou qual fábrica utilizará nem revelou se construirá uma unidade própria ou ocupará instalações de um parceiro. Nos últimos meses, surgiram informações sobre possíveis negociações com fabricantes que possuem capacidade disponível, mas nenhuma parceria industrial foi oficializada.
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