Ferrari lucra mais mesmo entregando menos carros em 2026
Marca italiana mantém margens acima de 30% e amplia receita com personalização mas teme elétricos

A Ferrari divulgou nesta semana seu novo balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026 reforçando uma estratégia que há anos diferencia a fabricante italiana das montadoras tradicionais: vender menos carros, cerca de 3.000 unidades, mas ganhar mais dinheiro por unidade entregue. Mesmo com redução no volume global de entregas, a empresa aumentou lucro, receita e margem operacional, sustentada por modelos mais caros, alto nível de personalização e uma carteira de pedidos que já avança até o fim de 2027.

Os números divulgados pela fabricante mostram que a Ferrari continua ampliando rentabilidade mesmo em um cenário global de desaceleração da indústria automotiva premium, tarifas nos Estados Unidos e incertezas sobre a transição para carros elétricos dentro da própria marca.

No primeiro trimestre, a fabricante entregou 3.436 carros no mundo, queda de 157 unidades em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, a receita subiu para cerca de 1,85 bilhão de euros equivalente a aproximadamente R$ 11,8 bilhões na cotação atual. O EBITDA alcançou 722 milhões de euros, cerca de R$ 4,6 bilhões, com margem próxima de 39%.
Ferrari aposta em carros mais caros e personalização extrema
A estratégia da Ferrari passa diretamente pelo aumento do ticket médio dos veículos vendidos que são cada vez mais caros e exclusivos. Segundo a companhia, o crescimento financeiro veio principalmente da comercialização de modelos mais caros como SF90 XX, F80, 12Cilindri e 499P Modificata, além do aumento nas encomendas de personalização feitas pelos clientes.

A fabricante italiana também mantém controle rígido sobre o volume de produção. A própria Ferrari afirmou que a redução nas entregas foi deliberada para facilitar a transição de linha e a chegada de novos produtos. Atualmente, a fila de pedidos já alcança o fim de 2027 segundo o CEO Benedetto Vigna.
Enquanto fabricantes tradicionais enfrentam pressão de custos, queda nas margens e dificuldade para rentabilizar carros elétricos, a Ferrari segue operando em um patamar muito acima do restante da indústria automotiva. O EBIT da companhia atingiu margem superior a 30%, nível considerado extremamente elevado no setor automotivo global. Para efeito de comparação, grandes grupos europeus vêm trabalhando atualmente com margens entre 6% e 12%.

No acumulado de 2025, a Ferrari encerrou o ano com receita próxima de 7,5 bilhões de euros ou R$ 44 bilhões e margem operacional de 29,5%, mesmo entregando cerca de 13,6 mil carros globalmente — um volume extremamente baixo perto das grandes montadoras premium alemãs.
Primeiro Ferrari elétrico será lançado em 2026
Os resultados também chegam às vésperas do lançamento do primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari. O modelo, chamado internamente de “Luce”, será apresentado em etapas e começará a ser entregue aos clientes em outubro de 2026.
Segundo Benedetto Vigna, a Ferrari já registrou mais de 60 patentes ligadas ao desenvolvimento do esportivo elétrico, incluindo tecnologias para motores elétricos, dinâmica veicular, integração das baterias ao chassi e novas interfaces digitais. Mesmo com a chegada do elétrico, a Ferrari afirmou que continuará produzindo carros a combustão e híbridos. Atualmente, os híbridos já representam praticamente metade das vendas globais da marca.
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