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Gasolina adulterada no carro: como identificar?

Falhas e ruídos podem identificar problemas no combustível e causar danos extensos no motor do carro

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Mulher enche o tanque do veículo com gasolina E32 Freepik/Divulgação

Abastecer o carro é um hábito rotineiro para milhões de brasileiros, mas um simples tanque de combustível de má qualidade pode se transformar em um grande prejuízo. Em tempos de gasolina com mais etanol e a busca pela economia, quem quer economizar alguns centavos pode ter prejuízos com o veículo.

A gasolina adulterada continua sendo um problema recorrente no país e pode comprometer desde o desempenho do veículo até provocar danos graves em componentes do motor, sistema de injeção eletrônica e catalisador.


Gasolina E32 entrando no tanque do veículo Freepik/Divulgação

Por isso, conhecer os principais sinais de contaminação e saber como agir é fundamental para evitar problemas maiores. A gasolina adulterada normalmente apresenta alterações em sua composição, seja pela adição irregular de solventes, excesso de etanol acima do permitido ou outros contaminantes que reduzem sua capacidade de combustão. E os efeitos costumam aparecer poucos quilômetros após o abastecimento.

Mulher abastece carro com gasolina E32 Freepik/Divulgação

Entre as consequências mais comuns está o superaquecimento do motor. Como a combustão deixa de ocorrer de maneira eficiente, o conjunto mecânico passa a trabalhar em condições inadequadas, acelerando o desgaste de pistões, válvulas, velas de ignição, bomba de combustível e bicos injetores. Em casos mais graves, o acúmulo de resíduos pode comprometer até mesmo o catalisador, um dos componentes mais caros do sistema de escapamento. E o catalisador pode custar facilmente entre R$ 3 e R$ 6 mil enquanto um reparo no motor pode superar R$ 10 mil se exigir uma retifica completa em motores 1.0 aspirados.


Outro efeito frequente é o aumento do consumo de combustível. Como a gasolina adulterada possui menor poder energético, o motor precisa injetar uma quantidade maior para produzir a mesma potência, reduzindo a autonomia e aumentando os gastos do proprietário.


Os primeiros sintomas costumam surgir rapidamente. Um dos sinais mais comuns é perceber que o carro passou a consumir mais combustível sem qualquer mudança na rotina de uso. Também podem aparecer dificuldades para dar partida, principalmente com o motor frio, além de falhas durante o funcionamento.

Carro sendo abastecido com gasolina E32 Freepik/Divulgação

Outra característica bastante comum é a perda de desempenho. O motorista percebe respostas mais lentas ao acelerar, retomadas menos eficientes e sensação de que o veículo ficou “amarrado”. Em alguns casos, surgem ainda ruídos incomuns no funcionamento do motor ou vibrações que antes não existiam.


Os veículos mais modernos também costumam alertar o motorista por meio da luz de injeção eletrônica no painel. Quando sensores identificam falhas na combustão, o sistema registra códigos de erro que devem ser avaliados por uma oficina especializada. E uma limpeza de bicos injetores e reparos de injeção pode custar facilmente mais de R$ 1 mil.

Também vale atenção ao próprio combustível. Alterações de cor, cheiro mais forte que o habitual ou aparência diferente podem indicar contaminação. Outro fator importante é o preço. Valores muito abaixo da média praticada na região devem despertar desconfiança, já que dificilmente um posto consegue oferecer descontos muito elevados sem comprometer sua margem de lucro.

Caso exista suspeita de gasolina adulterada, a recomendação é interromper o uso do veículo assim que possível para evitar que o combustível contaminado continue circulando pelo sistema de alimentação. Também é fundamental guardar a nota fiscal do abastecimento, pois ela serve como prova caso seja necessário solicitar ressarcimento pelos prejuízos ou registrar uma denúncia.

O proprietário deve comunicar imediatamente o posto onde realizou o abastecimento e solicitar a verificação da qualidade do combustível. Paralelamente, o ideal é levar o veículo a uma oficina de confiança para avaliar possíveis danos e, se necessário, realizar a drenagem do tanque e a limpeza do sistema de combustível.

Outra medida importante é denunciar o estabelecimento à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Antes mesmo de abastecer, o consumidor pode utilizar a plataforma “ANP com VC – Postos”, que permite verificar se o posto está autorizado a funcionar, consultar o histórico de fiscalizações e conferir informações sobre a procedência dos combustíveis comercializados.

Embora não seja possível eliminar completamente os riscos, abastecer sempre em postos conhecidos, exigir a nota fiscal e desconfiar de preços muito abaixo da média continuam sendo as principais formas de reduzir as chances de prejuízo.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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