Gasolina E32: saiba quais impactos a mistura de 32% de etanol pode causar
Aumento pode não ser sentido por veículos flex, mas exige cautela nos veículos a gasolina

O governo federal aprovou nesta terça-feira (14) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passa de 30% para 32%. O aumento pode não ser sentido por motores flex, mas pode impactar ainda mais modelos movidos a gasolina, especialmente os antigos e importados.

A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. A decisão representa mais um passo na política de ampliação dos biocombustíveis no país e deverá reduzir significativamente a necessidade de importação de gasolina, como avalia o governo.
Painel de instrumentos do Volkswagen T-Cross Extreme
Marcos Camargo Jr 29.06.2026
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção da chamada gasolina E32 permitirá eliminar a importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano, fortalecendo a segurança energética do Brasil em um momento de volatilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis. A decisão também ocorre em um cenário de preços internacionais pressionados por conflitos geopolíticos no Oriente Médio.
Medida beneficia produção nacional
Além da redução da dependência externa, o aumento da mistura deve impulsionar toda a cadeia sucroenergética brasileira. A estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) é que a nova composição gere uma demanda adicional próxima de 1 bilhão de litros de etanol por ano, favorecendo tanto a produção de etanol de cana quanto a expansão do etanol de milho, segmento que cresce rapidamente nas regiões Centro-Oeste e Norte.

O setor defendia a adoção da E32 desde o primeiro semestre, especialmente após a elevação dos preços internacionais do petróleo, que aumentou os custos de importação da gasolina. Porém, é uma medida tomada um ano após o aumento de 27 para 30% de adição do etanol à gasolina.
Segundo o governo, testes confirmaram compatibilidade.
Antes da aprovação, foram realizados estudos para verificar o comportamento da gasolina com maior teor de etanol nos veículos da frota nacional.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, os ensaios mostraram que a mistura E32 apresentou desempenho equivalente ao observado nas composições anteriores, sem impactos significativos no funcionamento dos motores.
Suspensão Ram Dakota
Marcos Camargo Jr 22.06.2026
No entanto, não foi apresentado o estudo ou a amostra dos veículos testados.
Governo quer ampliar para 35% até o fim da década
A aprovação da E32 também abre caminho para uma nova evolução da mistura. Segundo a Unica, estudos técnicos já estão em andamento para avaliar a adoção da gasolina E35, com 35% de etanol anidro, percentual que poderá ser analisado futuramente caso os testes continuem demonstrando compatibilidade com a frota brasileira.
Mecânicos já ouvidos pelo R7-Autos Carros colocam uma decisão em xeque. Motores mais antigos e também veículos importados movidos à gasolina tendem a sofrer impactos negativos com mais etanol adicionado.
Componentes da injeção eletrônica, motores e também mangueiras podem sofrer com ressecamento e falhas que podem prejudicar os motores a combustão interna.
Nos últimos anos, os veículos eram adaptados para usar uma mistura de até 20%. Mas a política nacional de combustíveis exigiu uma alteração mais frequente e ampliação do etanol adicionado.
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