EQE 300: teste do carro que quer rivalizar com Tesla Model S nos EUA
Sedã alemão tem custo na mesma faixa do valor de importação de um Tesla Model S, tanto que suas vendas cresceram bastante nos EUA
Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

A Mercedes-Benz é uma das marcas que mais cresceram nas vendas do mercado de carros eletrificados nos Estados Unidos. Em percentual, o crescimento chegou a 283% no terceiro trimestre do ano, perdendo apenas para a Volvo, que chegou a 654%. Ainda assim, emplacou mais que a rival, com 10.423 unidades elétricas no período, sendo 2.700 veículos só no mês passado. Um dos modelos responsáveis por esse crescimento é o EQE 300, que deseja ser um rival do Tesla Model S.

A Mercedes-Benz está distante da rival na participação das vendas, mas o EQE 300 tem atributos interessantes para superar o Model S com um motor. O R7 Autos Carros testou o elétrico fabricado em Bremen, Alemanha, por quatro dias para analisar suas qualidades e limitações. Embora estejamos bem distantes da realidade americana, uma verificação fria mostra que o modelo alemão pode ser melhor. Vamos aos números.

Mesmo com estilo vanguardista, com linhas esguias e suaves e rodas de aro 21, o EQE 300 é um carro de entrada em outros países. Ele usa a plataforma MEA (Modular Electric Architecture) só para veículos elétricos, diferentemente de outros modelos da marca, que receberam motor elétrico sobre plataformas feitas para carros a combustão. E isso faz muita diferença.

O EQE 300 tem 4,96 m de comprimento e 3,12 m de entre-eixos bem aproveitados para um sedã com motor de 245 cv (180 kW) e 56 kgfm de torque. A bateria impressiona, com 100 kWh, embora úteis sejam de fato 89 kWh. Mas não é possível abrir o capô, pois não é necessário, segundo a Mercedes. A água do limpador é abastecida de dentro da cabine.

Por dentro, diferente de alguns rivais, o EQE 300 traz a digna herança de um automóvel cheio de comandos, cores e experiências de toque real. Há couro, madeira e detalhes de uma montagem impecável sobre o acabamento branco que caracteriza a Edition One desse veículo. Para não ficar só nos elogios, o painel está um pouco alto demais, e o tom branco do couro suja em pouco tempo.
Teste a bordo do sedã elétrico

A bordo do EQE, o desempenho é equilibrado, com seus 245 cv, graças ao torque elevado, embora ele seja bem pesado: 2.385 kg. Mas chama atenção pela suavidade a bordo por causa do sistema de suspensão pneumática.
A sensação é de dirigir um carro com motor V8 feito para o mercado americano. Ele não tem a precisão de um modelo esportivo, mas essa suavidade chama atenção.

Com o shift paddle do Mercedes EQE 300, há controle de regeneração da bateria até chegar ao nível "one pedal", em que o uso do freio só é necessário para frenagens mais fortes. No dia a dia, antecipando-se às paradas, o freio é dispensável, e os ajustes são bem precisos.

O EQE 300 traz a resolução de alta qualidade da tela digital (12,8 polegadas) e da multimídia vertical (12,3 polegadas) com espelhamento sem fio, câmeras 360º e assistentes de condução de todos os tipos, com mais ou menos interferência na ação do motorista.

Pena que não traga a conectividade e a telemetria desses carros, como é na Europa. Ao menos não perdeu o som de alta qualidade, assinado pela Burmester.

Quem viaja atrás não reclama nem um pouco, e estamos falando do modelo "de entrada". Há muito espaço, bancos bem inclinados para trás, saída de ar-condicionado com duas zonas (e mais duas na frente) e 430 litros de porta-malas para as bagagens.
Com quase 90 kWh em baterias sob o assoalho, o EQE 300 pode chegar a 600 km de autonomia. Não foi possível ir muito longe em um teste de quatro dias entre uma rotina apertada de compromissos. Mas, projetando a autonomia na estrada, seria possível viajar a até 400 km de distância com uma boa margem de segurança para a próxima recarga.

O preço do EQE 300 é R$ 707 mil, certamente valor semelhante ao da importação de um Tesla Model S no Brasil. Mas, para quem quer a experiência de um automóvel da renomada marca alemã, certamente o EQE 300 tem atributos sensoriais, de nível de equipamento e segurança superiores ao rival eletrificado.















