Novo Dacia Spring estreia na França com plataforma do Twingo e produção europeia
Segunda geração do elétrico que deu origem ao Renault Kwid E-Tech brasileiro abandona projeto chinês, cresce 18 cm e terá preço abaixo de 20 mil euros

A Dacia apresentou na França a segunda geração do Spring, compacto elétrico conhecido dos brasileiros pela ligação direta com o Renault Kwid E-Tech. O modelo foi completamente reformulado, abandonou a arquitetura derivada do Kwid e agora utiliza a nova plataforma RG-EV, compartilhada com o Renault Twingo E-Tech elétrico.

O primeiro Spring nasceu a partir do Renault City K-ZE, versão elétrica do Kwid desenvolvida inicialmente para o mercado chinês. Produzido pela Dongfeng na fábrica de Shiyan, na China, o automóvel era exportado para a Europa com a marca Dacia e chegou ao Brasil em 2022 como Renault Kwid E-Tech. Apesar das diferenças de acabamento e equipamentos, os três modelos compartilhavam estrutura, bateria e conjunto elétrico.

Na nova geração, porém, o Spring deixa de ser apenas um derivado do Kwid. O compacto passa a dividir sua base técnica com o Twingo E-Tech e será produzido ao lado dele na fábrica da Renault em Novo Mesto, na Eslovênia. A mudança permitirá que o automóvel seja reconhecido como um produto europeu, volte a disputar incentivos governamentais em mercados como a França e escape das tarifas adicionais aplicadas pela União Europeia aos veículos elétricos importados da China.

Além da mudança de origem, o novo Spring ficou 18 centímetros mais comprido. Agora são aproximadamente 3,85 metros de comprimento e 1,74 metro de largura, dimensões que ainda o mantêm no segmento dos subcompactos. O porta-malas comporta 337 litros e pode chegar a 1.283 litros com os bancos traseiros rebatidos. Há ainda um pequeno compartimento dianteiro, o chamado “frunk”, com capacidade de 18 litros.

O desenho também se distancia completamente do Kwid. Embora preserve a proposta de um crossover urbano acessível, o novo Spring adota linhas mais retas, para-lamas destacados, iluminação de LED e elementos visuais inspirados nos utilitários mais recentes da Dacia. Por dentro, o painel foi modernizado e reúne quadro de instrumentos digital e central multimídia, de acordo com a versão.

A motorização anunciada combina um propulsor elétrico de 60 kW, equivalente a cerca de 82 cv, com torque de 17,8 kgfm. Segundo os dados divulgados na apresentação europeia, o Spring acelera de zero a 100 km/h em 12,1 segundos e alcança velocidade máxima de 130 km/h. A bateria de fosfato de ferro-lítio, a conhecida química LFP, possui 27,5 kWh de capacidade útil e proporciona autonomia de até 250 quilômetros pelo ciclo WLTP.Mesmo maior e mais equipado, o compacto pesa aproximadamente 1.200 kg e registra consumo homologado de 12,7 kWh/100 km. A recarga rápida em corrente contínua poderá atingir 50 kW, enquanto a função V2L permitirá utilizar a bateria do automóvel para alimentar aparelhos elétricos externos. A oferta europeia será simplificada, com duas versões de acabamento e quatro opções de cor.O preço inicial anunciado é de 17.900 euros, antes dos incentivos disponíveis em cada país. Mesmo a configuração superior deverá permanecer abaixo dos 20 mil euros. As primeiras entregas estão programadas para o início de 2027. Desde o lançamento da geração original, em 2021, a Dacia já comercializou cerca de 210 mil unidades do Spring em aproximadamente 40 países.
Para o Brasil, a Renault ainda não confirmou se transformará o novo Spring em uma segunda geração do Kwid E-Tech. A possibilidade é tecnicamente viável, mas exigiria uma mudança importante na estratégia do modelo: o elétrico vendido atualmente por aqui continua vindo da China e está diretamente ligado ao Kwid convencional. Caso a nova arquitetura europeia seja adotada, o futuro Kwid E-Tech brasileiro passaria a ter muito mais em comum com o Twingo elétrico do que com o Kwid produzido em São José dos Pinhais, no Paraná.
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