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SP1 e SP2: a história dos carros que homenagearam São Paulo nos anos 1970

Com desenho de Porsche, linhas foram desenvolvidas no Brasil mas sucesso durou pouco 

Autos Carros|Marcos Camargo Jr. e Marcos Camargo Jr.

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Na prática o motor 1600 era insuficiente para um carro esportivo e o 1700 até empolgava
Na prática o motor 1600 era insuficiente para um carro esportivo e o 1700 até empolgava Internet/Reprodução

O mercado nacional de carros experimentou uma época áurea no desenvolvimento de produtos destinados ao nosso mercado. E, no dia em que São Paulo celebra seus 470 anos de fundação, vale a pena lembrar a breve trajetória dos carros esportivos genuinamente produzidos no Brasil: os Volkswagen SP1 e SP2.

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Com design esportivo, acabamento luxuoso para a época e a proposta de alto desempenho, o SP1 e SP2 tinham a sigla para Sport Prototype (ou protótipo esportivo) ou simplesmente "São Paulo", uma vez que o carro foi desenvolvido em terras paulistas.

A ideia de homenagear o estado e a cidade de São Paulo originou-se do ufanismo daquela época, quando os carros podiam receber nomes como Willys Itamaraty ou Volkswagen Brasília.


Mas assim mesmo o SP2 era um carro esportivo igual ao que se via nas primeiras revistas de carro da época
Mas assim mesmo o SP2 era um carro esportivo igual ao que se via nas primeiras revistas de carro da época Internet/Reprodução

Esses dois carros surgiram em uma época em que a Volkswagen estava "soltando as amarras" da matriz alemã. Se no início dos anos 1960 a ordem era conquistar o mercado com a Kombi e o Fusca, a movimentação de outras marcas levou o então presidente da Volkswagen, Rudolf Leiding, a receber carta-branca para diversificar os produtos da marca por aqui.

Esses dois carros surgiram em uma época em que a Volkswagen estava “soltando as amarras” da matriz alemã
Esses dois carros surgiram em uma época em que a Volkswagen estava “soltando as amarras” da matriz alemã Internet/Reprodução

Leiding convocou os responsáveis pela área de estilo para conceber um novo modelo de porte esportivo que se tornaria um carro de desejo da Volkswagen. Naquela época, a marca contava com um portfólio composto por modelos como a perua Variant e o 1600 quatro portas, mas não possuía um carro que atendesse às aspirações dos executivos como um veículo de desejo.


SP1 e SP2 eram a sigla para Sport Prototype (ou protótipo esportivo)
SP1 e SP2 eram a sigla para Sport Prototype (ou protótipo esportivo) Internet/Reprodução

Dessa forma, os designers (na época chamados de projetistas) Márcio Piancastelli e José Vicente Novita Martins desenvolveram um novo carro esportivo que incorporava todos os elementos presentes nos modelos internacionais. Com um estilo arrojado, apresentando um capô longo, cabine recuada e traseira curta, o veículo chamou a atenção da matriz alemã. As inspirações? Carros como o Chevrolet Corvair e o Porsche seguiam a tendência, mas não estavam disponíveis para venda aqui.

Internet/Reprodução

Após o desenho do carro, que ainda não tinha um nome em 1970, a Volkswagen enfrentava uma dificuldade: qual motor equiparia o veículo? Na época, ainda não havia avanços significativos em relação ao motor boxer refrigerado a ar, levando à opção de aprimorar o propulsor da Variant, posicionando-o "deitado", com 1600cc, 65cv e 12kgfm de torque.


Posteriormente, foi decidido que o carro teria uma segunda versão, equipada com um motor de 1700cc, gerando 75cv e 13kgfm de torque, sempre com um câmbio alongado de quatro marchas para aprimorar o desempenho.

Painel parecia apontar para o futuro
Painel parecia apontar para o futuro Internet/Reprodução

Ele foi apresentado primeiramente na Alemanha em 1971 e, em junho de 1972, chegou ao Brasil. Tratava-se de um carro bastante avançado para a época. Além do design arrojado, baixo e alongado, o SP1 e SP2 incluíam características inovadoras como ajuste de apoio de cabeça nos bancos, cinto de três pontos e um porta-malas traseiro que se abria juntamente com o vidro traseiro. Pode parecer pouco hoje em dia, mas naquela época, tais recursos eram raros nos carros disponíveis no mercado.

Números da época mostravam que o SP2 com esse motor alcançava 160km/h com 0-100km/h na faixa dos 14s
Números da época mostravam que o SP2 com esse motor alcançava 160km/h com 0-100km/h na faixa dos 14s Internet/Reprodução

O painel parecia apontar para o futuro. Era confeccionado em plástico moldado e incluía um relógio, amperímetro, termômetro de óleo com indicação de pressão, rádio opcional e ventilador. No entanto, não dispunha de direção hidráulica ou ar-condicionado, nem mesmo como opção. Tais elementos eram amplamente apreciados em carros considerados "executivos", como Opala, Galaxie e os modelos Dodge, mas não eram priorizados em carros com perfil esportivo.

Ele foi mostrado primeiro na Alemanha em 1971 e em junho de 1972 no Brasil
Ele foi mostrado primeiro na Alemanha em 1971 e em junho de 1972 no Brasil Internet/Reprodução

Desempenho

Na prática, o motor 1600 revelou-se insuficiente para um carro esportivo, enquanto o 1700 empolgava. Os dados da época indicavam que o SP2, equipado com este motor, atingia 160km/h, com uma aceleração de 0 a 100km/h na faixa dos 14 segundos. Além disso, esses carros apresentavam freios a disco, pneus radiais aro 15 e uma suspensão independente com ajuste mais firme, considerado adequado para a época.

Modelo tinha um estilo arrojado com capô longo, cabine recuada e traseira curta, que chamou a atenção da matriz alemã
Modelo tinha um estilo arrojado com capô longo, cabine recuada e traseira curta, que chamou a atenção da matriz alemã Internet/Reprodução

Enquanto a posição de dirigir era elogiada, assim como o acabamento, os proprietários do carro, que estavam dispostos a pagar um preço elevado pelo SP1 ou SP2, reclamavam dos freios, das "saídas de traseira" e do desempenho considerado fraco.

Como resultado, o SP1 foi descontinuado logo no início, após apenas um ano, enquanto o SP2 continuou em produção. Apesar de seu custo elevado, equivalente ao de um Chevrolet Opala de luxo de quatro cilindros na época, o SP2 ostentava um "motor de Fusca", o que o tornava significativamente mais caro do que outros modelos Volkswagen disponíveis naquela época.

Anúncio do modelo em uma revista da época
Anúncio do modelo em uma revista da época Internet/Reprodução

Mesmo assim, o SP2 era um carro esportivo, alinhado com o que era visto nas primeiras revistas de carros da época. Suas linhas, inspiradas em modelos da Porsche, fizeram grande sucesso, e todo jovem bem-sucedido passou a desejar um SP2.

Contudo, os tempos estavam mudando e novos carros começaram a entrar no mercado, como o Chevrolet Chevette, o Volkswagen Passat e a Brasília, entre outros. Embora esses modelos não fossem concorrentes diretos, contribuíram para oferecer mais opções aos consumidores e reduzir a pressão de marketing com a chegada de novos produtos.

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A chegada do Passat TS, equipado com um motor refrigerado a água de 80cv, contribuiu para atrair os consumidores mais jovens em busca de um carro novo. A Volkswagen chegou a estudar um SP3, que teria o motor do Passat, mas a ideia foi eventualmente abandonada. No total, foram produzidas 10.193 unidades do SP2 e apenas 88 do SP1.

O carro, que prestou homenagem a São Paulo em uma carroceria esportiva, permaneceu em produção até 1976, conquistando seu espaço e, atualmente, é reverenciado no Brasil e na Europa por suas linhas ousadas e por ser um projeto marcante para a década de 1970.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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