Stellantis anuncia kit de troca de correia banhada a óleo por corrente para linha Peugeot e Citroën
Kit é oferecido após um amplo recall na Europa: marca também teve problemas no Brasil

A crise envolvendo a correia banhada a óleo dos motores PureTech 1.2 da Peugeot e Citroën ganhou um novo capítulo na Europa. Depois de anos de reclamações, recalls, processos judiciais e indenizações a consumidores, empresas independentes começaram a vender kits que substituem o sistema original por corrente metálica de comando, solução considerada mais robusta e durável.

O movimento ocorre justamente após a Stellantis admitir os problemas de desgaste prematuro da correia nos motores 1.0 e 1.2 PureTech vendidos por Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall no mercado europeu. A fabricante ampliou garantias, criou plataformas de ressarcimento e iniciou campanhas de recall em diversos países europeus.

A novidade agora é o surgimento de um kit de conversão desenvolvido pela empresa europeia Pro Chain. O conjunto substitui completamente a correia banhada a óleo por corrente metálica sem necessidade de modificações profundas no bloco do motor. O kit inclui corrente, engrenagens, tensor, guias e até nova linha de lubrificação.
Quanto custa o kit na Europa?Na Europa, fóruns especializados e comunidades de donos de Peugeot e Citroën afirmam que o preço estimado do kit gira em torno de 600 euros apenas pelas peças, sem incluir mão de obra e impostos locais. Em conversão direta, isso representa algo próximo de R 6,3 mil.

A solução tenta acabar com um dos maiores problemas recentes da indústria automotiva europeia. Nos motores PureTech, a correia trabalha mergulhada no óleo do motor para reduzir atrito e melhorar eficiência energética. Porém, com o tempo, a borracha da correia pode se degradar prematuramente, liberando resíduos que contaminam o óleo e podem entupir o pescador da bomba de óleo.

Os sintomas vão desde perda de potência e aumento no consumo de óleo até falhas graves de lubrificação e quebra completa do motor. Proprietários europeus relatam trocas de correia antes dos 60 mil km e até substituição completa do motor.
Stellantis reconhece o problemaA própria Stellantis reconheceu oficialmente o problema ao ampliar a cobertura dos motores PureTech para até 10 anos ou 180 mil quilômetros em alguns mercados europeus. A fabricante também passou a reembolsar clientes que tiveram gastos com reparos relacionados à degradação da correia.

A crise foi tão grande que a Stellantis decidiu abandonar gradualmente os motores PureTech antigos na Europa. Parte da estratégia inclui adoção de motores mais recentes com corrente metálica e até o uso da família Firefly, desenvolvida originalmente pela Fiat. Hoje o Puretch segue presente em versões do Panda antigo e Grande Panda mas também em carros 1.2 linhas Opel, Citroën e Peugeot. Brasil foi afetado com linha 208 e C3No Brasil, o problema também ficou conhecido. A PSA utilizou o motor 1.2 PureTech aspirado em modelos como Peugeot 208 e Citroën C3 entre 2016 e 2022. Embora em menor escala que na Europa, oficinas independentes e consumidores relataram desgaste prematuro da correia e aumento no custo de manutenção.

GM também usa mesmo recurso mecânicoO cenário brasileiro acabou ganhando ainda mais repercussão por conta da General Motors. Os motores 1.0 turbo e 1.2 turbo da família CSS Prime usados em Chevrolet Onix, Onix Plus, Tracker e Montana também utilizam correia banhada a óleo. A GM precisou rever procedimentos de manutenção, ampliar garantias em alguns casos e atualizar componentes para reduzir desgaste prematuro da correia.
Apesar das semelhanças técnicas, a GM afirma que os motores utilizados no Brasil possuem especificações diferentes das adotadas nos antigos PureTech europeus. Ainda assim, o tema virou motivo de preocupação entre consumidores e ajudou a aumentar a desconfiança do mercado em relação ao conceito de correia dentada imersa em óleo.
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